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Economia
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Por Redação
28 de janeiro de 2026

Inflação das Férias 2026 pressiona consumo no verão e acende alerta para o varejo

Alimentação dentro e fora de casa acelera preços no verão, impactando supermercados, bares e restaurantes

A Inflação da cesta de consumo de 2026 desenha um cenário desafiador para o varejo durante o verão. Enquanto o custo do transporte aéreo recua e contribui para manter o fluxo de viagens, despesas ligadas ao consumo cotidiano, especialmente alimentação dentro e fora do lar, avançam em ritmo mais forte e pressionam o orçamento das famílias, impactando diretamente as decisões de compra no ponto de venda.

Levantamento do FGV IBRE mostra que a inflação das férias acumulou alta de 5,16% entre janeiro e dezembro de 2025, acima dos 3,73% registrados em 2024 e também superior ao IPC geral, de 4%. Para o varejo, esse dado indica um ambiente de preços mais pressionado justamente nos itens de maior recorrência e giro durante o verão.

A alimentação aparece como o principal foco de atenção para supermercados, atacarejos, bares e restaurantes. O grupo avançou 6,67% no período, acelerando em relação ao ano anterior. O movimento combina aumento de custos em produtos industrializados com a elevação dos preços no consumo fora de casa, típico da alta temporada, quando o fluxo turístico cresce e a demanda se intensifica.

Entre os itens que mais pressionaram a cesta, os derivados de cacau chamam atenção. Bombons e chocolates registraram alta de 18,74%, enquanto o chocolate em pó avançou 18,19%, refletindo a valorização da commodity no mercado internacional e exigindo ajustes de sortimento, preço e promoções no varejo alimentar. No consumo fora do lar, produtos de alto giro no verão lideraram os aumentos, como cafezinho, açaí, sucos de frutas e refeições em bares e restaurantes, reforçando a pressão sobre o tíquete médio do consumidor.

Também ganharam destaque os alimentos prontos e congelados, com alta de 7,71% nas massas preparadas, categoria cada vez mais associada à conveniência e à praticidade durante o período de férias. Para o varejo, o movimento reforça a importância de equilibrar preço, mix e comunicação para manter competitividade em um cenário de maior sensibilidade do shopper.

Em contrapartida, alguns produtos contribuíram para aliviar a cesta. Sorvetes e picolés registraram queda de 2,59%, enquanto queijos como prato e muçarela apresentaram recuos, abrindo espaço para estratégias promocionais e estímulo ao volume em categorias típicas do verão.

No grupo de produtos e serviços de lazer, excluindo passagens aéreas, a alta foi de 2,12%. Itens essenciais para a estação, como protetores solares, subiram quase 10%, com impacto direto nas vendas de farmácias, supermercados e canais de conveniência. Serviços ligados ao turismo, como hotelaria e clubes de recreação, também apresentaram aumentos, o que reforça a tendência de maior seletividade no consumo.

Alguns segmentos, porém, registraram deflação, como cinema, artigos esportivos e brinquedos, sinalizando que o consumidor prioriza gastos considerados essenciais ou diretamente ligados à experiência das férias, ao mesmo tempo em que posterga compras não urgentes.

O resultado é um verão marcado por consumo mais racional, com maior comparação de preços, busca por promoções e preferência por formatos que combinem conveniência e bom custo-benefício. Para o varejo alimentar e de serviços, o cenário exige leitura fina do comportamento do consumidor, gestão cuidadosa de margens e estratégias comerciais ajustadas à dinâmica da alta temporada.

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