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Economia
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Por Redação
30 de janeiro de 2026

Saiba quais são as principais perspectivas econômicas para o primeiro semestre de 2026

Crescimento moderado, inflação ainda sensível e consumidor cauteloso desenham um período de desafios para o varejo alimentar

O primeiro semestre de 2026 deve ser marcado por um ambiente econômico de transição: crescimento contido, inflação ainda sensível em itens essenciais e um comportamento de compra mais prudente. O cenário combina sinais de acomodação da política monetária com desafios persistentes no custo de vida, especialmente no grupo de alimentos.

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Para o varejo alimentar e supermercadista, o contexto exige foco redobrado em preço, eficiência operacional, sortimento acessível e capacidade analítica. O consumidor seguirá altamente racional, orientado à preservação do orçamento, com decisões de compra mais planejadas e seletivas. Veja as principais perspectivas:

Inflação de alimentos ainda pressionada

Mesmo com inflação mais controlada no agregado, os alimentos seguem expostos a clima, câmbio, custos logísticos e commodities. Isso gera pressão seletiva sobre preços e margens, com forte heterogeneidade entre categorias. O consumidor tende a trocar marcas, reduzir volumes e priorizar itens essenciais, exigindo gestão sofisticada de mix, estoques e precificação.

Renda real com recuperação lenta e heterogênea

A renda das famílias deve avançar de forma gradual e desigual entre setores e regiões. O mercado de trabalho permanece relativamente aquecido, evitando queda brusca do consumo, mas sem espaço para euforia. Para o varejo, cresce a importância da regionalização de estratégias e do uso de dados para capturar nuances do comportamento local.

Crédito mais seletivo, mesmo com possível queda gradual dos juros

O processo de flexibilização monetária tende a seguir de forma cautelosa. Embora os juros possam cair, o custo do crédito permanecerá elevado por um período prolongado. Isso limita o endividamento do consumidor e reforça a busca por promoções, marcas próprias, embalagens econômicas e programas de fidelização.

Crescimento econômico moderado, com viés de desaceleração

A atividade econômica deve avançar em ritmo moderado, sem sinais claros de recessão, mas com perda de fôlego ao longo do semestre. Esse quadro reforça uma postura defensiva do consumidor e desloca o foco do varejo da expansão agressiva para a preservação de margem, eficiência e retenção de clientes.

Juros, política monetária e comportamento do consumidor

A trajetória dos juros segue como variável central. O Banco Central busca equilibrar estímulo à atividade e credibilidade no combate à inflação. Para o varejo supermercadista, o efeito prático é um consumidor sensível a preço, com compras mais racionais e menor tolerância a reajustes.

Quadro fiscal, ano eleitoral e volatilidade

A consolidação do arcabouço fiscal e os sinais do governo sobre sustentabilidade das contas públicas continuam determinantes para câmbio, juros futuros e confiança. Em ano eleitoral, podem surgir estímulos pontuais ao consumo, com efeitos concentrados em janelas específicas, exigindo agilidade na leitura de dados e no ajuste de sortimento e promoções.

Salário mínimo e sustentação do consumo essencial

O reajuste do salário mínimo injeta renda nas faixas mais sensíveis a preço, com impacto quase imediato em alimentos, higiene e limpeza. O giro do varejo alimentar é sustentado, ainda que com pressão sobre margens, aumentando a relevância de marcas próprias e estratégias de preço bem calibradas.

Copa do Mundo como vetor temporário de consumo

A Copa do Mundo tende a impulsionar o consumo no primeiro semestre, especialmente em alimentos e bebidas, além de eletroeletrônicos, serviços de internet e streaming. O desafio para o varejo está em integrar estoque, promoção e comunicação para capturar esse pico temporário sem comprometer margens.

Em suma, o primeiro semestre de 2026 será exigente para o varejo supermercadista. Menos inflacionário do que períodos recentes, mas ainda complexo, o cenário demanda disciplina operacional, inteligência comercial e sensibilidade estratégica para atender um consumidor atento, seletivo e cada vez mais orientado à eficiência do próprio orçamento.

FONTES: Ahmed El Khatib. professor e coordenador do Centro de Estudos em Finanças da Fundação Escola de Comércio Álvares Penteado (FECAP); Claudio Felisoni de Angelo, presidente do Instituto Brasileiro de Executivos de Varejo (Ibevar) e idealizador do MBA Varejo da FIA Business School, e Roberto Kanter, professor de MBAs da Fundação Getúlio Vargas (FGV).

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