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Economia
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Por Redação
2 de fevereiro de 2026

Leite e cereais ajudam a conter a inflação em 2025

Queda em itens básicos e de alto peso na cesta reduzem pressão sobre os preços no varejo alimentar

Em 2025, leite e cereais exerceram um papel central na contenção da inflação ao atuar diretamente sobre os itens de maior peso e frequência de compra na cesta dos supermercados. Por serem produtos essenciais, amplamente consumidos e com alta recorrência no carrinho do consumidor, a queda de seus preços teve efeito desinflacionário relevante, ajudando a neutralizar altas registradas em outras categorias do varejo alimentar.

De acordo com o Índice de Preços dos Supermercados (IPS), os produtos semielaborados recuaram 4,85% no acumulado do ano, movimento puxado principalmente por cereais e lácteos. A importância desses grupos está no fato de funcionarem como “âncoras de preços” da cesta básica: quando arroz, feijão e leite ficam mais baratos, o impacto se espalha por todo o índice, reduzindo a inflação média percebida pelo consumidor.

Os cereais apresentaram deflação acumulada de 18,85% em 2025, com destaque para o arroz, que caiu 25,65%, e o feijão, com recuo de 6,16%. Esses produtos têm alto peso estatístico nos índices de preços e presença praticamente universal nos lares brasileiros. No varejo, a redução nesses itens básicos diminui o valor total do ticket médio alimentar e cria espaço para que o consumidor absorva eventuais aumentos em categorias mais voláteis, como proteínas, industrializados ou alimentação fora do lar.

Além disso, preços mais baixos de cereais influenciam indiretamente outros elos da cadeia. Arroz e milho, por exemplo, afetam custos de rações e de alimentos processados, o que contribui para evitar repasses adicionais ao consumidor final, ampliando o efeito de contenção da inflação.

Segundo o economista-chefe da APAS, Felipe Queiroz, o recuo nos preços reflete um cenário de oferta abundante. “A combinação de supersafra no Brasil, maior disponibilidade no mercado internacional e uma demanda menos aquecida criou um excedente de grãos, pressionando os preços para baixo ao longo do ano”, explica.

O mesmo raciocínio se aplica aos lácteos, que registraram queda média de 12,06% em 2025. O leite longa vida, um dos produtos de maior giro nos supermercados, teve recuo relevante, impactando diretamente a cesta de consumo das famílias. Como o leite é um item diário e base para diversos outros produtos, sua redução de preço exerce forte influência sobre o índice geral.

Nesse caso, a queda foi causada principalmente pelo aumento da oferta, em um contexto de consumo estável. Com produção elevada e demanda moderada, a competição no varejo se intensificou, limitando reajustes e forçando ajustes para baixo nas gôndolas.

Para os supermercados, esse movimento teve efeito estratégico. A deflação de leite e cereais ajudou a preservar o poder de compra do consumidor e a manter o fluxo de lojas, ao reduzir a percepção de inflação no dia a dia. Em um ambiente de maior sensibilidade a preços, esses itens funcionaram como amortecedores, suavizando o impacto de pressões inflacionárias em outras categorias e contribuindo para a desaceleração da inflação alimentar em 2025.

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