Por Redação
10 de fevereiro de 2026Varejo inicia 2026 em retração, com queda real de 1,5% em janeiro
Indicador aponta consumo mais cauteloso e desempenho fraco em bens duráveis e serviços
O varejo brasileiro começou 2026 em ritmo mais lento. Segundo o Índice Cielo do Varejo Ampliado (ICVA), o setor registrou retração de 1,5% em termos reais em janeiro, sem ajuste de calendário. Trata-se do pior resultado para o mês desde o período mais crítico da pandemia, quando o consumo recuou 12,6% em janeiro de 2021.
Em termos nominais, o faturamento avançou 1,3% sem ajuste de calendário, mas ficou praticamente estável (-0,3%) quando considerado o ajuste. Descontada a inflação, a queda se aprofunda: o ICVA deflacionado com ajuste recuou 3,1%, posicionando janeiro entre os meses mais fracos da série histórica do indicador.
De acordo com Carlos Alves, vice-presidente de Negócios da Cielo, o início do ano refletiu um consumidor mais seletivo. “Janeiro começou de forma mais contida, com foco em prioridades. O varejo físico ajudou a sustentar o resultado, enquanto o digital desacelerou”, afirma.
O varejo físico apresentou crescimento nominal de 2,1%, enquanto o e-commerce recuou 1,5%, indicando maior concentração das compras presenciais ligadas à reposição e à rotina, além de uma base de comparação mais elevada para o canal online.
O desempenho foi especialmente negativo para bens duráveis e semiduráveis, que caíram 5,4% em termos reais. Pressionadas por despesas típicas do início do ano, como impostos, mensalidades escolares e reajustes de serviços, as famílias priorizaram itens essenciais. O macrossetor de bens não duráveis avançou 0,7%, impulsionado principalmente por supermercados e hipermercados.
Já o setor de Serviços recuou 3,9% em termos reais. Apesar do avanço de Turismo e Transporte, favorecido pelas férias, o resultado foi impactado pela retração em Alimentação, Bares e Restaurantes, segmento ainda pressionado por custos elevados.
No campo inflacionário, o IPCA-15 subiu 0,20% em janeiro, acumulando 4,5% em 12 meses. Ao ponderar IPCA e IPCA-15 pelos pesos do ICVA, a inflação do varejo ampliado ficou em 2,9% no acumulado de 12 meses.
Regionalmente, todas as regiões registraram queda real. O Centro-Oeste apresentou a maior retração (-5,0%), seguido por Norte (-3,9%), Nordeste (-3,7%), Sul (-3,4%) e Sudeste (-2,6%). Em termos nominais com ajuste de calendário, apenas o Sudeste mostrou leve alta (0,2%).
O resultado confirma um início de ano mais desafiador para o varejo, em um cenário de consumo cauteloso e orçamento das famílias ainda pressionado, mesmo com inflação mais estável.
