Por Redação
8 de janeiro de 2026Varejo brasileiro encerra 2025 com retração, registrando queda de 1% no faturamento
Índice mostra impacto da inflação sobre o consumo, com avanço nominal insuficiente para reverter o desempenho negativo do setor
Apesar do avanço nominal nas vendas, o varejo brasileiro encerrou 2025 com retração em termos reais. De acordo com o Índice Cielo do Varejo Ampliado (ICVA), o setor registrou queda de 1,0% no faturamento descontada a inflação, marcando o segundo ano consecutivo de desempenho negativo. Em 2024, a retração havia sido de 0,8%.
O resultado reflete um ano marcado por consumo mais cauteloso, influenciado principalmente pelo impacto acumulado da inflação no primeiro semestre. Mesmo com a desaceleração dos preços ao longo da segunda metade de 2025, o alívio não foi suficiente para reverter o desempenho negativo no acumulado do ano. No total, o faturamento nominal cresceu 4,1%, avanço que não compensou as perdas em termos reais.
Esse cenário se traduziu em resultados negativos nos principais macrossetores acompanhados pelo ICVA. O setor de Serviços apresentou a maior retração, com queda real de 1,9% em 2025, puxada principalmente pelo desempenho de Alimentação – Bares e Restaurantes. Em sentido oposto, Turismo e Transporte se destacaram positivamente, beneficiados pelo aumento do fluxo de turistas estrangeiros, pela ampliação de rotas internacionais e pela realização de grandes eventos no país ao longo do ano.
Já o macrossetor de Bens Não Duráveis mostrou maior resiliência, com leve retração de 0,2% no período. O resultado foi sustentado, sobretudo, pelo desempenho de Drogarias e Farmácias, enquanto segmentos como Livrarias e Papelarias registraram as maiores quedas. Ainda assim, a desaceleração do consumo afetou categorias importantes do dia a dia.
O impacto foi mais intenso em Bens Duráveis e Semiduráveis, que encerraram 2025 com recuo real de 2,6%. O desempenho positivo de Móveis, Eletro e Lojas de Departamento ajudou a atenuar a queda do grupo.
Ao longo do ano, o e-commerce teve papel fundamental para sustentar o varejo. O canal digital apresentou desempenho superior ao das vendas presenciais, impulsionado pela busca por conveniência, pela maior comparação de preços e pela reação de categorias mais sensíveis à taxa de juros, reforçando sua relevância na estratégia das redes.
“Apesar de um cenário desafiador, especialmente no resultado real de dezembro, observamos sinais importantes ao longo do ano. O e-commerce manteve ritmo acelerado e ajudou a sustentar o varejo, enquanto categorias mais sensíveis à taxa de juros mostraram maior dinamismo. Mesmo com a inflação mais baixa no segundo semestre, o impacto do início do ano limitou o ganho real, mas setores como turismo e transporte se destacaram, indicando oportunidades para 2026”, afirma Carlos Alves, vice-presidente de Negócios da Cielo.
A fragilidade do consumo ficou ainda mais evidente no quarto trimestre de 2025, período tradicionalmente mais aquecido para o varejo. No intervalo, o ICVA apontou queda real de 1,8%, com recuo de 3,9% no setor de Serviços e de 4,2% em Bens Duráveis e Semiduráveis. Por outro lado, Bens Não Duráveis apresentaram maior resistência, com crescimento real de 0,2% no trimestre.
Em dezembro, o varejo registrou retração real de 1,9%, influenciado por fatores pontuais, como o efeito calendário, com uma quarta-feira no lugar de um domingo em relação ao ano anterior, além da mudança no comportamento do consumidor. O e-commerce cresceu 6,0% em termos nominais no mês, enquanto o varejo físico permaneceu praticamente estável, com alta nominal de apenas 0,1%.
No recorte mensal, Serviços voltou a apresentar o pior desempenho, com queda real de 5,2%, novamente pressionado por Alimentação fora do lar. Bens Não Duráveis avançaram 0,4%, impulsionados por Supermercados e Hipermercados, enquanto Bens Duráveis e Semiduráveis recuaram 4,5%, apesar do desempenho positivo de Móveis, Eletro e Lojas de Departamento.