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Varejo
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Por Redação
6 de janeiro de 2026

Nevada Supermercados aposta na tradição familiar e no atendimento humanizado para sustentar crescimento

Com cinco lojas na cidade de Mauá (SP) e quase 50 anos de história, rede equilibra tradição familiar, sucessão e profissionalização gradual da gestão

Fundado em 1980 por quatro irmãos — Francisco, José, Luiz e João —, o Nevada Supermercados construiu sua trajetória a partir de um modelo familiar que permanece como base da operação até hoje. Com cinco lojas em Mauá (SP) e previsão de abertura da sexta unidade entre 2026 e 2027, a rede chega a um novo momento de amadurecimento, marcado pelo fortalecimento da governança familiar, pela presença ativa da segunda geração e por investimentos contínuos em estrutura e pessoas. Segundo Michael Fialho da Silva, CMO do grupo, essa evolução é resultado de um aprendizado construído muito mais na prática do que nos livros.

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“Minha maior formação não foi o bacharelado em comunicação ou o MBA em Gestão Empresarial, mas sim a faculdade ‘barriga no balcão’, aprendendo desde os 16 anos dentro das lojas do Nevada com toda a equipe”, afirma o executivo. Para ele, o convívio diário com o pai e os tios sempre foi um desafio positivo, já que os fundadores unem simplicidade e humildade com coragem para empreender e se desenvolver ao longo do tempo.

Hoje, a rede é composta por cinco lojas, todas localizadas em Mauá, na Grande São Paulo, e mantém um modelo de gestão considerado pouco tradicional. Cada um dos irmãos está à frente de uma ou duas unidades, o que gera pequenas diferenças na condução de temas como pessoas, financeiro e gestão operacional. As decisões estratégicas, no entanto, são tomadas de forma conjunta. “As decisões de compra, expansão de lojas, aquisição de terrenos e estratégias maiores são sempre discutidas em reuniões mensais entre os quatro sócios e os filhos”, explica Silva.

A loja 3 funciona como a matriz do grupo e concentra as áreas comercial, compras, marketing e relacionamento humano, enquanto o financeiro é conduzido de forma individual por cada irmão. Nos últimos anos, o foco tem sido menos a abertura acelerada de novas unidades e mais o fortalecimento das operações existentes, com aquisição de prédios próprios, ampliação de áreas de venda, melhorias em estacionamentos e reformas estruturais. “Como cerca de 80% das lojas são prédios próprios, a ideia é sempre reforçar, ampliar e fortalecer essas unidades”, destaca o CMO.

Sucessão, cultura organizacional e gestão sem pressa

Na avaliação de Silva, o momento atual do Nevada é de solidez. As lojas estão consolidadas nos bairros onde atuam e a empresa vive uma fase de maior aproximação entre pais e filhos no processo de gestão. “Estamos passando por um momento muito bacana, em que o engajamento entre pai e filhos está se tornando mais presente, e a cultura organizacional e a governança familiar começaram a tomar um novo espaço”, afirma.

Entre os principais aprendizados na condução do negócio, ele destaca a importância de respeitar o tempo das decisões. “O principal aprendizado, sem sombra de dúvidas, foi não ter pressa. Saber agir com velocidade é diferente de ter pressa para fazer as coisas”, diz. A postura discreta dos fundadores também é apontada como um valor essencial para a construção da cultura da empresa. “Eles nunca buscaram holofotes e sempre trabalharam firmes nos bastidores para o Nevada se tornar o que é hoje”, complementa.

Esse cuidado com a cultura se reflete na relação com os colaboradores, muitos deles com décadas de casa. Para o executivo, ouvir essas equipes é fundamental para manter a identidade da rede. “Tem funcionário que tem mais tempo de Nevada do que eu tenho de vida, e extrair o máximo desse conhecimento no dia a dia é de grande valia”, afirma. O reconhecimento positivo dos colaboradores mais antigos é visto como um indicativo de que os valores da empresa seguem bem estabelecidos.

Conciliar tradição familiar e profissionalização da gestão, no entanto, é um dos maiores desafios. “O ‘sempre foi assim e deu certo’ é positivo, mas é preciso cuidado, porque o shopper está mudando e a tecnologia hoje é um ponto de extrema importância para o presente e o futuro”, avalia Silva. Segundo ele, a profissionalização das áreas é necessária, mas deve acontecer ouvindo quem está na operação. “É fundamental entender as dores de quem está ali no dia a dia para solucionar com novos processos e padrões”, afirma.

Atendimento humanizado, tecnologia e planos para 2026

O atendimento próximo e personalizado é um dos pilares do Nevada e aparece como principal diferencial frente a outras redes de bairro e grandes grupos. A empresa reforça esse posicionamento em slogans como “Somos do bairro, você conhece!” e “O atendimento que vem do coração!”. Na prática, isso significa empacotar compras, chamar clientes pelo nome, acompanhá-los até os produtos e ouvir sugestões e reclamações. “O cliente sabe que no Nevada terá boa recepção, respeito e atenção às suas necessidades”, diz Silva.

Esse modelo exige investimento constante em pessoas e treinamento, o que torna o desafio ainda maior em um cenário de escassez de mão de obra. “Levar esse atendimento ao pé da letra não é fácil, mas com treinamentos, ações institucionais e engajamento, os colaboradores entendem que o Nevada leva isso a sério”, afirma. A empresa também investe em capacitação, reconhecimento por desempenho e tempo de casa, além de ações sociais e projetos comunitários nos bairros onde atua.

No campo da tecnologia, a estratégia é avançar de forma gradual. “Migrar inúmeros processos de uma vez não é fácil e pode atrapalhar o desenvolvimento da profissionalização”, explica o CMO. A rede já adotou soluções ligadas ao WhatsApp, com uso de automação, inteligência artificial, chatbot e disparo de ofertas, além da migração de processos de retaguarda para a nuvem e do fortalecimento do ERP. Os próximos passos incluem a estruturação de um CRM e, em um horizonte mais longo, a entrada no e-commerce.

Para 2026, a expectativa é de um ano focado em processos internos, desenvolvimento das equipes e avanço planejado do projeto da sexta loja. “O foco principal é sempre ter uma boa equipe, união entre todos e seguir desenvolvendo as nossas lojas com respeito, humildade e sabedoria”, afirma Silva. Segundo ele, a sucessão seguirá acontecendo de forma gradual. “A sucessão não acontece da noite para o dia; pode levar 10, 15 ou até 20 anos, e o mais importante é manter o respeito por quem construiu mais de 40 anos de história.”

Sobre a atuação institucional, Silva também destaca o papel como diretor da Regional ABC da APAS (Associação Paulista de Supermercados), ressaltando que conciliar as duas funções amplia sua visão sobre o setor. “Meu foco principal sempre será o Nevada e o legado da nossa família, mas estar na APAS me permite aprender, trocar experiências com varejistas de diferentes realidades e contribuir para o desenvolvimento do setor no ABC e no estado”, afirma.

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