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Varejo
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Por Redação
20 de março de 2026

GPA aposta nas marcas próprias e em critérios socioambientais para liderar transição a produtos mais responsáveis

Objetivo do grupo é conectar bem-estar animal e engajamento da cadeia para gerar valor ao consumidor e ao negócio

Como ampliar a oferta de produtos éticos e sustentáveis sem perder competitividade? Esse é um dos desafios do varejo alimentar — e tem orientado movimentos estratégicos do GPA, que vem fortalecendo marcas próprias e exclusivas com atributos socioambientais. Em entrevista ao portal SuperVarejo, Renata Amaral, gerente de Sustentabilidade, Diversidade e Investimento Social do grupo, explica como a agenda ESG está conectada ao crescimento do negócio e à transformação da cadeia.

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SuperVarejo: Como a ampliação do portfólio com apelo ético e sustentável se conecta à estratégia de crescimento das marcas próprias do GPA?

Renata Amaral: A ampliação do portfólio com apelo ético e sustentável faz parte da estratégia de fortalecer as marcas próprias e exclusivas como plataformas de inovação, diferenciação e construção de valor para o cliente. Ao liderar movimentos como a transição para ovos livres de gaiolas, por exemplo, o GPA utiliza suas marcas para antecipar tendências, puxar a evolução da cadeia e transformar compromissos de sustentabilidade em produtos que estejam presentes no dia a dia das pessoas. A incorporação de atributos como bem-estar animal, orgânicos e origem responsável fortalece marcas como Pão de Açúcar, Taeq e Qualitá, alinhando o valor percebido pelo consumidor às metas de ESG e sustentando um crescimento consistente e com rentabilidade. Esse posicionamento reforça o papel das marcas próprias como alavancas de fidelização, recorrência e crescimento do negócio.

SV: Quais critérios socioambientais passaram a ser considerados no desenvolvimento e na seleção de produtos das marcas próprias e exclusivas?

RA: Hoje, os critérios socioambientais estão integrados desde a concepção dos produtos e suas respectivas embalagens, e mantidos durante todo o processo de comercialização. O GPA avalia fornecedores não apenas pela qualidade e segurança alimentar, mas também por condições trabalhistas, práticas socioambientais e aderência a políticas corporativas, como a de bem-estar animal e compras responsáveis. Além disso, os produtos passam por especificações técnicas rigorosas de composição, rotulagem e parâmetros de qualidade, garantindo que cheguem às gôndolas alinhados aos compromissos da companhia e às expectativas do consumidor.

SV: A meta de vender apenas ovos de galinhas livres de gaiolas até 2028, anunciada pela empresa, envolve também produtos de terceiros? Como o GPA está trabalhando com os fornecedores para viabilizar essa transição?

RA: Sim, envolve toda a cadeia. O GPA estruturou um plano de transição que, desde 2021, combina homologação de novas granjas, auditorias presenciais, acompanhamento técnico e planos de ação individualizados por fornecedor. Esse processo é integrado ao Programa Qualidade desde a Origem, que monitora rastreabilidade, auditorias, critérios de qualidade e evolução dos parceiros, além de parcerias com ONGs e especialistas. Na prática, isso permite preparar os fornecedores, ampliar a oferta e garantir que, de forma gradual e consistente, apenas ovos alinhados às diretrizes de bem-estar animal permaneçam no sistema de compras.

SV: Quais desafios operacionais e comerciais essa mudança representa para o varejo alimentar, especialmente em termos de custo, abastecimento e precificação?

RA: É uma mudança estrutural, que exige planejamento, escala e colaboração. No início, há desafios relacionados à ampliação da oferta, adaptação produtiva e eventuais pressões de custo. Por isso, o GPA trabalha com visão de longo prazo, engajando fornecedores, padronizando processos e buscando ganho de eficiência ao longo da cadeia. Ao mesmo tempo, investe em comunicação nas lojas e incentivos para estimular o consumo e acelerar a escala, o que ajuda a diluir custos e manter preços competitivos.

SV: O consumidor brasileiro já percebe valor nesses produtos mais responsáveis? Como isso tem se refletido nas vendas e na fidelização?

RA: Cada vez mais, o consumidor considera a origem e o impacto dos alimentos em suas decisões de compra. Esse movimento tem se refletido em maior interesse por produtos com atributos de responsabilidade socioambiental e em uma relação mais próxima com marcas que assumem compromissos claros. O GPA apoia esse processo com comunicação educativa nas lojas, nas redes sociais e no e-commerce, facilitando a identificação dos produtos e fortalecendo a confiança, o que contribui para fidelização.

SV: Além dos ovos, há outras categorias estratégicas em que o GPA pretende acelerar a transição para modelos mais sustentáveis?

RA: Sim. A agenda de bem-estar animal do GPA é mais ampla e inclui também frangos, suínos e bovinos. A companhia já avançou no engajamento de fornecedores de carne bovina e tem metas para que, até 2028, tanto a carne suína quanto os frangos de marcas próprias e exclusivas atendam integralmente às diretrizes de bem-estar animal. Isso reforça a visão de uma transição consistente e de ponta a ponta nas principais cadeias de proteínas.

SV: Quais aprendizados dessa jornada podem ser replicados por redes regionais e supermercadistas independentes que querem avançar na agenda ESG?

RA: Um dos principais aprendizados é que a transição precisa ser planejada, gradual e colaborativa. Definir metas claras, engajar fornecedores desde o início e de forma contínua, buscar apoio técnico, monitorar resultados e comunicar de forma transparente o consumidor fazem toda a diferença. Integrar a agenda ESG à estratégia de negócio também é fundamental para gerar impacto real e sustentável.

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