Por Redação
1 de maio de 2026Snacks e alimentação natural elevam a categoria pet e redes ajustam estratégia para capturar valor
Com avanço da humanização dos pets e demanda por produtos mais funcionais, varejo e indústria redesenham portfólio, exposição e comunicação para responder a um consumidor mais informado e exigente
A categoria pet vive uma mudança estrutural impulsionada pela combinação entre premiunização, busca por naturalidade e maior valor agregado. Mais do que ampliar sortimento, varejistas e indústrias estão revisando a lógica de construção da categoria, da curadoria de produtos à comunicação no ponto de venda, em um movimento que reposiciona snacks, alimentação natural e itens funcionais como vetores de crescimento. Nesse cenário, a evolução não passa apenas por tendências de consumo, mas pela capacidade de traduzir saudabilidade, conveniência e rentabilidade em estratégias que ampliem relevância e conversão no varejo.
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Segundo Ricardo Silva, gerente comercial da Rede Plus, na visão do varejo, o crescimento da categoria passa por ajustes estratégicos e graduais. “Não promovemos uma ruptura no sortimento. O que fizemos foi uma evolução consistente com foco na ampliação de snacks, principalmente os funcionais e com apelo natural, assim como brinquedos e acessórios naturais que funcionam como porta de entrada para produtos de maior valor agregado. Priorizamos a entrada de produtos com melhor percepção de valor, mantendo acessibilidade, ao mesmo tempo em que reduzimos SKUs de baixo giro dentro do básico”, afirma.
Para a indústria, a expansão dos snacks acompanha uma mudança mais ampla na relação dos tutores com alimentação animal, de acordo com Bernardo Peirão, sócio-diretor da Chef Bob. “Não faz mais sentido apenas alimentar os nossos pets; é preciso cuidar com propósito. Quem não quer ter seu cão saudável e vivendo por mais tempo? É exatamente nesse lugar que buscamos estar: trazendo saúde e longevidade para os pets”, destaca Peirão.
Na leitura de Daniela David, sócia da Cook Pet Snack., esse movimento também se traduz em demanda por soluções mais completas. “Acreditamos que o acesso à informação sobre os benefícios de uma alimentação saudável ultrapassou a necessidade humana e chegou à saúde dos pets. Saber interpretar um rótulo e entender os aditivos, os ingredientes, o que contém aquele alimento é uma grande ferramenta de escolha”, observa.
Naturalidade e transparência se consolidam como critérios de escolha
Para o executivo da Rede Plus, o avanço da alimentação natural também pressiona a evolução dos critérios comerciais e da relação com fornecedores. “A seleção de produtos exige equilíbrio entre valor percebido e eficiência. Buscamos produtos com ingredientes claros, reconhecíveis e com redução de aditivos artificiais, além de benefícios funcionais evidentes. Priorizamos fornecedores que apresentam origem definida das matérias-primas, rotulagem objetiva e comunicação confiável. Para nós, não basta ser natural, o produto precisa entregar resultado em venda, giro e rentabilidade”, analisa Silva.
Na indústria, esse posicionamento se conecta diretamente ao desenvolvimento de portfólio e Bernardo Peirão entende que o compromisso com autenticidade é central na expansão da categoria. “Existe espaço para novos produtos, mas não queremos lançar novidades apenas para ocupar a prateleira ou seguir modismos. Esses produtos precisam estar completamente alinhados ao nosso posicionamento. O fato de ser 100% natural continua sendo a nossa maior preocupação”, salienta o sócio-diretor da Chef Bob.
Bruna Higino, sócia da Cook Pet Snack explica que a transparência também aparece como eixo de comunicação e confiança. “No nosso rótulo o cliente pode identificar todo o ingrediente utilizado nesse processo, além de ter também acesso à tabela nutricional. Acreditamos tanto quanto o tutor em uma alimentação mais limpa, com ingredientes saudáveis, portanto, lidamos com os tutores com transparência principalmente”, explica o executivo.
Comunicação e experiência de compra passam a induzir valor
À medida que o consumidor se torna mais criterioso, a comunicação e a exposição deixam de ser suporte e passam a ser parte da estratégia comercial. Na visão de Ricardo Silva, essa adaptação vem ocorrendo tanto em loja quanto nos canais digitais. “Ajustamos nossa comunicação para ser simples e objetiva, focada em benefícios práticos como saúde, digestão e bem-estar. Nosso foco é traduzir valor de forma acessível, facilitando a decisão de compra”, aponta Silva.
Na Chef Bob, o avanço do consumidor mais informado também exige uma comunicação menos promocional e mais educativa. “O consumidor em 2026 busca, acima de tudo, transparência. Ele não quer promessas milagrosas nem uma tentativa de venda a qualquer custo. Estamos evoluindo de forma consistente, inclusive no papel de educar o cliente sobre o mercado e sobre o produto”, avalia Peirão.
Essa construção também aparece na jornada de compra dentro do varejo. “Utilizamos estratégias de Cross merchandising para estimular compras complementares, com snacks posicionados próximos à ração, produtos naturais próximos às linhas premium e comunicação direta de benefícios. Nosso objetivo é estimular o cliente a evoluir no consumo de forma natural, sem ruptura no padrão de compra”, diz Silva.
Desafios operacionais e oportunidades impulsionam nova fase da categoria
Embora o avanço seja consistente, a escalada da categoria ainda passa por desafios operacionais e de maturidade do canal. Segundo Ricardo Silva, a gestão do crescimento exige disciplina. “Os principais desafios são sensibilidade a preço, giro inicial mais lento de novos produtos, maior complexidade operacional e necessidade de capacitação da equipe. Nossa atuação é baseada em um princípio claro: crescer a categoria com controle, mantendo eficiência operacional e foco em resultado sustentável”, afirma Silva.
No caso da indústria, a consolidação dos alimentos naturais em supermercados ainda é vista como oportunidade em construção. “Os supermercados ainda estão em processo de adaptação e de compreensão do real potencial da alimentação natural e dos produtos premium para pets. Estamos nos movimentando de forma estratégica para, em breve, estar ao lado dos grandes supermercados, reforçando posicionamento e não apenas ganhando espaço de prateleira”, explica Bernardo Peirão, da Chef Bob.
De acordo com Daniela David, sócia da Cook Pet Snack, apesar dos desafios, a expansão é sustentada por novas frentes de inovação. “Nossas próximas apostas estão centradas em suplementação funcional acessível, integração com a alimentação atual do pet e clean label real. Acreditamos que o futuro do mercado não está apenas na substituição da alimentação tradicional, mas na evolução dela com soluções que complementam, potencializam e personalizam a nutrição de forma prática e eficiente”, finaliza.
