Por Redação
12 de janeiro de 2026Case internacional: Coreana CU transforma a conveniência em experiência
Loja mostra que pode ser mais do que ponto de passagem e esse conceito já impacta supermercados e atacarejos
A inauguração da loja de conveniência CU, em outubro de 2024, no bairro da Liberdade, em São Paulo, foi mais do que a chegada de uma marca estrangeira ao país. O formato combina cultura pop, gastronomia rápida e um mix diferenciado de produtos, em um momento em que as lojas de conveniência ganham cada vez mais relevância no cotidiano urbano.
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A unidade, inaugurada na Galeria Imperial, rapidamente se tornou um ponto de grande fluxo, com filas frequentes nos fins de semana e forte repercussão nas redes sociais. O desempenho não está ligado à lógica tradicional da compra de abastecimento, mas à capacidade da loja de se posicionar como destino de consumo, combinando alimentação imediata, ambientação temática e produtos de forte apelo cultural.
Diferentemente das lojas de conveniência clássicas no Brasil, historicamente focadas em reposição rápida e consumo por impulso, a CU opera em outra lógica. O destaque não está no preço baixo nem na amplitude do sortimento, mas na experiência integrada. Lamens preparados na hora, snacks e bebidas importadas e um ambiente inspirado na cultura pop sul-coreana transformam a visita à loja em parte do entretenimento do consumidor.
Para o varejo alimentar, o aprendizado é direto: o consumidor aceita pagar mais e se deslocar quando a proposta de valor é clara. A CU mostra que conveniência não precisa ser apenas funcional; ela pode ser sensorial, cultural e aspiracional, algo especialmente relevante em grandes centros urbanos.
Embora a CU ainda opere como unidade única e em caráter experimental no País, seu desempenho conversa com tendências que supermercadistas e atacarejos já vivenciam. A busca por compras menores e mais frequentes, o crescimento do consumo imediato, a valorização de perecíveis, além da oferta de food service que são movimentos estruturais do setor.
Nesse sentido, a CU reforça algo que redes brasileiras já vêm testando: lojas compactas, áreas de consumo rápido, padarias assistidas, rotisserias e soluções prontas para consumo. A diferença está no grau de narrativa e identidade. Enquanto muitos formatos ainda operam sob a lógica de eficiência pura, a CU mostra como storytelling, ambientação e curadoria podem elevar o ticket médio e a recorrência.
Para supermercadistas e atacarejistas, o movimento funciona como um termômetro claro das transformações em curso no varejo de proximidade, onde conveniência, experiência e identidade passam a pesar tanto quanto preço e sortimento.
O especialista em varejo, Valcir Brito, afirma que em um cenário de polarização entre atacarejo e proximidade, formatos que não entregam nem preço nem experiência tendem a perder relevância. “Os atacarejos encontram no exemplo da CU um contraponto interessante: mesmo com foco em eficiência, há espaço para zonas de maior margem, como food service, indulgência e consumo imediato”, explica.
A CU atrai pelo diferencial cultural e conceito por trás dela: conveniência com valor percebido, o que, segundo Brito, é totalmente aplicável ao varejo alimentar brasileiro. “Ela funciona como um sinal claro de mudança de expectativa do consumidor, que já não enxerga a loja apenas como ponto de compra, mas como parte da sua rotina e do seu estilo de vida”, pondera o especialista.
Operando como um laboratório de mercado, sem anúncio de expansão acelerada no Brasil, seu impacto vai além do tamanho da operação e mostra que a experiência deixou de ser acessório, e sim um fator cada vez mais relevante no consumo, incorporando elementos de cultura, gastronomia e tecnologia para se manter relevante.