Por Redação
26 de janeiro de 2026Como implantar a IA na Reforma Tributária? Veja 10 dicas
Apuração assistida, novos tributos e alta complexidade exigem tecnologia para reduzir riscos e aumentar eficiência fiscal
A Receita Federal do Brasil lançou recentemente o Manual de Serviços da Reforma Tributária, que apresenta a Apuração Assistida (AA), sistema responsável por operacionalizar a não cumulatividade e a confissão de dívida da CBS, constituindo o crédito tributário. Apesar da automatização proposta, a experiência com a Declaração Pré-Preenchida do IRPF mostra que inconsistências podem ocorrer, exigindo mecanismos próprios de verificação e certificação das informações.
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Nesse contexto, a Inteligência Artificial surge como aliada relevante para empresas que precisam lidar com grande volume de dados fiscais, novas regras e riscos de conformidade. Para o varejo, a adoção de IA deve ser estratégica, estruturada e integrada às áreas fiscal, jurídica e de tecnologia. Confira 10 dicas essenciais para que esse processo aconteça de modo tranquilo e eficiente:
1. Use soluções de IA especializadas em tributos:
Ferramentas generalistas tendem a apresentar inconsistências ao lidar com números, normas e legislações. A recomendação é adotar soluções de IA desenvolvidas especificamente para a área fiscal, capazes de interpretar corretamente regras da Contribuição sobre Bens e Serviços (CBS), do Imposto sobre Bens e Serviços (IBS) e do novo sistema tributário.
2. Invista na qualidade e padronização dos dados fiscais
Dados são o combustível da IA. Cadastros de produtos, Nomenclatura Comum do Mercosul (NCM), notas fiscais e regras tributárias precisam estar corretos e organizados. Informações inconsistentes comprometem a apuração dos tributos e aumentam o risco de erros e autuações.
3. Defina regras de negócio e estratégia fiscal claras
A IA depende de escopo e instruções bem delimitadas. Sem regras de negócio definidas, a tecnologia não entrega bons resultados. Estratégia fiscal, parâmetros de análise e objetivos precisam estar claros antes da automação.
4. Automatize o processamento de dados históricos e futuros
A Reforma Tributária representa um processo longo e contínuo. Automatizar dados passados e integrar os que ainda serão gerados permite acompanhar as mudanças do sistema tributário e seus impactos ao longo do tempo.
5. Treine a equipe fiscal para o uso da IA
A aplicação de IA em tributos exige interação qualificada entre pessoas e tecnologia. Profissionais precisam compreender capacidades e limitações da ferramenta, interpretar resultados, validar premissas e garantir conformidade legal.
6. Use IA para mapear o impacto tributário real
A IA pode ler históricos de notas fiscais, contratos e operações para simular impactos da CBS, do IBS e do Imposto Seletivo por produto, canal e unidade federativa. Isso permite identificar aumentos, reduções ou mudanças no aproveitamento de créditos antes da implementação efetiva das regras.
7. Faça saneamento de cadastro com IA generativa
No varejo, a classificação incorreta de SKUs é um dos maiores riscos da reforma. Motores de IA podem auditar cadastros, ler descrições de produtos e sugerir NCM e Código Especificador da Substituição Tributária (Cest) corretos conforme a nova legislação, reduzindo erros e perdas de crédito.
8. Adote assistentes fiscais de linguagem natural
Os textos da reforma e das leis complementares são extensos e técnicos. Assistentes de IA treinados na legislação permitem consultas diretas e respostas fundamentadas, reduzindo o tempo gasto em pesquisas manuais.
9. Implemente auditoria digital preventiva
Com o uso crescente de IA pelo Fisco, as empresas precisam de sistemas capazes de realizar auditorias diárias em notas fiscais emitidas e recebidas. A tecnologia identifica inconsistências e padrões anômalos antes do envio das obrigações acessórias.
10. Simule cenários de preço e margem com IA
A reforma transforma preço em variável estratégica. A IA permite simular impactos no fluxo de caixa, efeitos do split payment e ajustes de margem por canal, apoiando decisões comerciais e financeiras durante a transição. Ao integrar IA aos processos fiscais, o varejo ganha previsibilidade, reduz riscos e aumenta competitividade em um ambiente tributário mais complexo e dinâmico.
