Por Redação
20 de julho de 2026Reinaugurações ganham força como estratégia para modernizar supermercados
Especialista em arquitetura comercial explica por que as reformas ganharam espaço nas estratégias de modernização dos supermercados
As reinaugurações de supermercados têm se tornado cada vez mais frequentes no varejo brasileiro. Em vez de investir na abertura de novas unidades, muitas redes optam por modernizar lojas já consolidadas, atualizando layout, operação e mix de produtos para acompanhar as mudanças no comportamento do consumidor e enfrentar um cenário de custos elevados. Para Kátia Bello, CEO da OpusDesign e especialista em arquitetura comercial e retail design, a estratégia reúne vantagens financeiras e operacionais. "Pelo cenário hoje de investimento com juros altos e dificuldade de mão de obra, é muito estratégico dar mais força, por meio da reforma, aos pontos que a rede já tem", afirma.
Segundo a arquiteta, além de reduzir investimentos em infraestrutura e facilitar a gestão de equipes, as reformas permitem reposicionar a loja diante de um ambiente competitivo. "À medida que a concorrência aumenta, há necessidade de oferecer melhores opções aos clientes, tanto para mantê-los quanto para conquistar novos consumidores. A reforma é o que propicia essa entrega no momento da compra", explica.
As mudanças vão muito além da renovação estética. O foco dos projetos está em eliminar pontos de atrito na jornada de compra e tornar a operação mais eficiente. Setores de perecíveis, como padaria, açougue e hortifrúti, costumam receber atenção especial por concentrarem diferenciais competitivos e exigirem maior interação entre clientes e colaboradores.
Nesse processo, arquitetura e operação caminham juntas. "A gente vai trabalhar não só a parte arquitetônica dos revestimentos e da proporção do edifício, mas olhar muito, e principalmente, a operação, porque é a operação como um todo que precisa melhorar por meio da arquitetura", destaca Kátia.
Mesmo com as obras acontecendo em lojas em funcionamento, a especialista afirma que o impacto para o consumidor pode ser minimizado com planejamento. Hoje, segundo ela, o fechamento temporário de unidades para reforma praticamente deixou de existir, dando lugar a cronogramas que permitem executar intervenções por etapas, muitas delas no período noturno.
Além da busca por eficiência, as tendências internacionais também influenciam os projetos brasileiros. Automação, integração entre layout, comunicação visual, iluminação e tecnologia embarcada já fazem parte da evolução do setor, sempre com foco na experiência do consumidor.
Para Kátia, a inovação precisa ser percebida mais pelo resultado do que pela tecnologia em si. "A tecnologia não está ali para ser exibida, mas para tornar a jornada do cliente melhor. Ela muitas vezes desaparece, mas constrói eficiência, disponibilidade de produto, conveniência e inteligência operacional", conclui.