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Varejo
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Por Redação
13 de agosto de 2026

Supermercados reinventam as escalas de trabalho para atrair talentos e reduzir a rotatividade

Redes do setor ampliam os testes com jornadas mais flexíveis, como 5x2 e modelos alternados de folga, em busca de maior retenção de profissionais, redução do absenteísmo e ganhos de produtividade

A dificuldade para contratar e manter profissionais tem levado supermercados de diferentes regiões do país a rever um dos pilares da operação: a jornada de trabalho. Enquanto o debate sobre a escala 6x1 ganha espaço, empresas do setor já começam a testar modelos mais flexíveis, como a jornada 5x2 e escalas alternadas com mais dias de descanso, buscando equilibrar as necessidades operacionais com as expectativas dos trabalhadores. Um dos exemplos mais recentes é o da rede mineira Verdemar, que implantou, para parte das equipes operacionais, um sistema que reduz a carga horária mensal de 220 para 180 horas e sem redução salarial. Para viabilizar o modelo, a empresa ampliou seu quadro de funcionários entre 15% e 20%, conforme a área.

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Escala 5x2 é a solução?

No ABC Paulista, o Mercado Pronto também faz parte desse movimento. Atualmente, a rede trabalha com diferentes escalas, entre elas 5x2, 6x1 e jornadas flexíveis em áreas específicas. Segundo Daiana Dos Santos Alves, coordenadora de RH da empresa, a decisão de revisar os modelos de trabalho foi motivada por fatores que vão além da operação. "A adoção de novos modelos de trabalho teve como principal objetivo aumentar a eficiência operacional, melhorar a qualidade de vida dos colaboradores e fortalecer a atração e retenção de talentos", salienta.

A definição das novas escalas levou em consideração indicadores operacionais, demandas das equipes e a legislação trabalhista. O projeto começou pelas áreas de reposição, separação de mercadorias, inventário, conferência e logística, onde há maior necessidade de flexibilidade e cobertura dos horários. "O envolvimento das lideranças e a escuta dos colaboradores foram fundamentais para o sucesso da implantação, permitindo ajustes rápidos e garantindo que o novo modelo atendesse tanto às necessidades da empresa quanto das equipes", afirma Daiana.

Os resultados observados pela rede incluem redução do turnover e do absenteísmo, aumento da satisfação dos colaboradores, maior produtividade, diminuição das horas extras e melhor organização das operações. A implementação também exigiu revisão dos processos internos, adequação do controle de jornada e capacitação das lideranças para administrar o novo formato.

Na avaliação da ABRH Brasil (Associação Brasileira de Recursos Humanos), a mudança nas jornadas reflete uma transformação mais ampla no mercado de trabalho. Segundo Marcia Constantini, diretora de Diálogo Social e Relações do Trabalho da entidade, os profissionais passaram a atribuir maior valor ao equilíbrio entre vida pessoal e carreira. "Hoje, as pessoas valorizam muito mais qualidade de vida, equilíbrio entre trabalho e vida pessoal e horários mais previsíveis. Por isso, modelos tradicionais do varejo, como a escala 6x1, passaram a ser cada vez mais questionados."

Para a especialista, a jornada de trabalho deixou de ser apenas uma questão operacional e passou a influenciar diretamente a competitividade das empresas na disputa por mão de obra. "A flexibilidade deixou de ser apenas um diferencial e passou a ser um fator importante na escolha de uma vaga. Muitos profissionais consideram a jornada de trabalho tão relevante quanto salário e benefícios", destaca.

Embora a escala 6x1 ainda seja amplamente utilizada por garantir cobertura em operações que funcionam diariamente, modelos como o 5x2 vêm ganhando espaço, especialmente em mercados mais competitivos. Também existem experiências com jornadas 12x36 e escalas alternadas em setores específicos, sempre adaptadas às características de cada operação. Especialistas apontam que não existe um formato único para todo o varejo, mas uma tendência de maior flexibilização das jornadas para conciliar eficiência operacional, qualidade de vida e capacidade de atração e retenção de talentos.

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