Por Redação
6 de agosto de 2026Bazar em alta: como supermercados podem transformar a categoria em destino de compras
Categoria ganha protagonismo ao combinar rentabilidade, conveniência e soluções para ampliar o tíquete médio e fidelizar consumidores
Durante muito tempo, o bazar ocupou um papel secundário nos supermercados, reunindo produtos complementares e pouco integrados à estratégia comercial das redes. Esse cenário, porém, vem mudando. Com consumidores em busca de praticidade, soluções para o dia a dia e compras cada vez mais concentradas em um único local, a categoria passou a ser vista como uma oportunidade para elevar margens, aumentar o valor da cesta e fortalecer a fidelização. Para especialistas, indústria e varejo, o desafio agora é transformar o bazar em um verdadeiro destino de compras.
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Segundo Fátima Merlin, fundadora e CEO da Connect Shopper, o bazar deixou de ser apenas uma seção complementar, muitas vezes composta por produtos escolhidos pela oportunidade comercial, e passou a ter potencial para atuar como gerador de margem, conveniência e diferenciação. “Essa evolução ocorre porque o consumidor não pensa em departamentos, mas em resolver necessidades. Assim, quem vai ao supermercado comprar ingredientes para uma refeição pode aproveitar a visita para adquirir uma assadeira, um pote hermético, utensílios de cozinha ou organizadores para a casa”, explica.
Essa mudança também exige uma nova forma de gerir a categoria. “O bazar precisa deixar de ser um agrupamento de produtos e passar a ser gerido como um portfólio de soluções”, define Fátima. Para ela, a definição do papel que a seção desempenhará dentro da estratégia da rede — seja conveniência, sazonalidade, destino ou rotina — deve orientar decisões sobre sortimento, exposição, calendário promocional e espaço em loja.
Essa visão acompanha um consumidor mais criterioso, que busca compras capazes de entregar valor real. Tendências como organização dos ambientes, preparo de refeições em casa, otimização de espaços, sustentabilidade, praticidade e bem-estar doméstico vêm influenciando a composição do mix. Ao mesmo tempo, ferramentas como inteligência artificial e análise das cestas de compra permitem construir sortimentos mais aderentes ao perfil de cada loja e às diferentes ocasiões de consumo.
A força da indústria
"O varejo alimentar é um canal estratégico para Havaianas, tanto por sua capilaridade quanto pela frequência de contato com o consumidor, permitindo ampliar o acesso à marca e fortalecer sua presença nas compras do dia a dia”, salienta Sabrina Moneta, vice-presidente comercial do canal alimentar da Havaianas no Brasil.
Segundo a executiva, o trabalho passa por oferecer um mix adequado a cada rede, aliado a soluções de exposição que favoreçam a jornada de compra. Na prática, isso significa combinar produtos consolidados com lançamentos. “Os supermercados têm buscado produtos de alta rotatividade e forte reconhecimento de marca, mantendo modelos clássicos como base do sortimento, mas incorporando novas cores, estampas e coleções sazonais para estimular o giro e ampliar as opções para o consumidor”, comenta.
A Nadir também identifica um grande potencial de crescimento no varejo alimentar. Segundo Mario Junior Pinto, diretor comercial e de marketing da empresa, "o varejo alimentar é um dos canais mais estratégicos para a Nadir", responsável por uma fatia significativa das vendas da companhia em utilidades domésticas de vidro. O executivo destaca ainda que a estratégia da empresa está baseada em ampliar a presença da categoria de bazar, que pode gerar rentabilidade até quatro vezes superior à de itens de altíssimo giro, com menor complexidade operacional para os supermercados. Para apoiar esse crescimento, a empresa investe em regionalização da atuação comercial, proximidade com os varejistas e uso intensivo de dados de sell-out.
Oportunidade a explorar no PDV
Além do sortimento, a exposição dos produtos continua sendo decisiva para transformar o bazar em um destino de compras. Na Coop, categorias como utilidades domésticas, brinquedos, chuveiros, livraria e descartáveis para preparo de alimentos estão entre as que apresentam melhor desempenho.
Segundo Aliandre Avanzo, gerente de Mercearia, Não Alimentar e Bazar da rede, "cada linha tem sua particularidade, logo a estratégia é adaptada para oferecer uma melhor experiência para o cliente, de acordo com o perfil da categoria". As ações incluem ilhas, pontas de gôndola, check-outs e cross merchandising, sempre priorizando produtos com maior competitividade e disponibilidade em estoque para aumentar a conversão.
Para a executiva da Coop, ainda há oportunidades pouco exploradas. Aliandre acredita que é possível explorar melhor as datas comemorativas e trabalhar mais com exposições temáticas, gerando um encantamento maior para os clientes. Ela observa que o desenvolvimento da categoria também passa pela oferta de soluções completas para cada ocasião de compra, tornando o bazar uma extensão natural da jornada do consumidor dentro do supermercado.
Em um cenário em que o shopper procura resolver múltiplas necessidades em uma única visita, a categoria deixa de ser apenas um complemento da loja para assumir um papel estratégico na geração de valor. Com gestão baseada em dados, sortimento alinhado às ocasiões de consumo e experiências mais inspiradoras no ponto de venda, o bazar tem potencial para se consolidar como um importante diferencial competitivo para o varejo alimentar.