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Economia
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Por Redação
16 de janeiro de 2026

Varejo alimentar registrou maior retração de unidades comercializadas, com queda de 5,5%

O resultado foi impulsionado pela redução do fluxo em loja

O varejo alimentar brasileiro encerrou dezembro registrando a maior retração de unidades comercializadas de todo o ano, com queda de 5,5%, de acordo com dados da Scanntech. O resultado reflete a intensificação da desaceleração observada ao longo dos meses anteriores e foi impulsionado, principalmente, pela redução do fluxo em loja, que recuou 4,1% no período.

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Além da queda de volume, o repasse de preços atingiu o menor patamar de 2025, com alta de 3,2%, o que ampliou a pressão sobre o desempenho do setor. Como consequência, dezembro foi o único mês do ano a registrar retração também no faturamento, com queda de 2,5%.

As cestas de mercearia e bebidas alcoólicas responderam por 55% da retração em unidades, enquanto mercearia básica e perecíveis concentraram 92% da queda de faturamento. Em sentido oposto, bebidas não alcoólicas foi a única cesta a apresentar contribuição positiva para o resultado mensal.

“Com temperaturas mais amenas em relação a 2024 e o avanço de tendências ligadas à saudabilidade e a bebidas refrescantes, categorias tradicionalmente associadas ao consumo no calor e à indulgência, como chocolates, biscoitos e açúcar, apresentaram contribuição negativa relevante. Do recuo total de -2,1% no período, pode ser atribuído a essas categorias”, afirma Felipe Passarelli, head de Inteligência de Mercado da Scanntech.

Em dezembro, a cesta básica registrou queda de 6,4% nos preços, o que resultou em retração de 13,5% no faturamento. Dentro da mercearia, categorias como chocolates e biscoitos também puxaram o desempenho para baixo. Em contrapartida, produtos ligados à saudabilidade continuaram ganhando espaço, ainda que insuficientes para compensar a queda das categorias tradicionais. Os suplementos para academia cresceram 45,7% em relação ao mesmo período do ano passado.

Outro destaque negativo foi a cesta de perecíveis, que registrou queda pela primeira vez no ano em dezembro, após ter sido uma das principais responsáveis por sustentar o desempenho do setor ao longo de 2025. “O que se observa ao longo do ano é um crescimento sustentado quase exclusivamente pelo aumento do preço médio, acompanhado de retração nas unidades comercializadas. Em dezembro, com a desaceleração dos repasses de preços, o impacto direto sobre o faturamento torna-se evidente, revelando um nível de consumo ainda fragilizado, especialmente nos meses finais do ano.”, explica Passarelli.

Na comparação entre dezembro e novembro de 2025, o desempenho apresentou crescimento de 9,2% no faturamento e de 4,4% nas unidades. Ainda assim, a expansão foi inferior à registrada no mesmo intervalo de 2024, quando os avanços haviam sido de 12,6% e 6,8%, respectivamente.

No recorte regional, a retração foi mais intensa no Norte do país. O Sul manteve-se como a região com a menor queda em unidades, embora tenha apresentado desaceleração relevante no aumento de preços, passando de uma média anual próxima de 6% para 1,2% em dezembro. Já o Nordeste, que vinha apresentando desempenho semelhante ao do Sul, registrou retração de 7,7% nas unidades, a segunda pior performance regional no mês.

O período natalino, entre 23 e 25 de dezembro, foi o único intervalo do mês a apresentar crescimento de faturamento na comparação entre 2025 e 2024, além de registrar a menor retração de unidades. O dia 25 de dezembro, apesar do baixo volume absoluto, comercializou 60% mais unidades do que na mesma data do ano anterior.

No consolidado de 2025, o varejo alimentar encerrou o ano com crescimento de 4,1% no faturamento, sustentado principalmente pelo aumento de 6,3% no preço por unidade. O resultado foi alcançado apesar da retração de 2,1% nas unidades comercializadas, influenciada pela redução tanto das unidades por tíquete quanto do fluxo em loja.

No recorte por cestas, apenas perecíveis, pet e tabaco apresentaram crescimento em unidades ao longo do ano. Em termos de faturamento, somente perecíveis e tabaco avançaram acima da inflação do período. Na análise por canal, os supermercados apresentaram desempenho superior ao do atacarejo em base de mesmas lojas. O canal supermercadista cresceu 5,0% em faturamento, apoiado por aumento de preços de 6,3% e por uma retração menor em unidades, de 1,2%. Já o atacarejo registrou queda de 3,4% nas unidades vendidas, o que limitou o crescimento do faturamento a 2,6%, abaixo da inflação.

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