Por Redação
11 de maio de 2026Varejo alimentar fecha abril em estabilidade com desaceleração de preços e queda menor no volume vendido
Levantamento aponta alta de 1,5% no faturamento acumulado do ano, avanço das bebidas e pressão da deflação sobre itens básicos da mercearia
O varejo alimentar encerrou abril em estabilidade, em um cenário marcado pela desaceleração da inflação em itens de consumo e por mudanças no comportamento de compra do consumidor, segundo dados do Radar Scanntech. No acumulado de 2026, o setor registrou crescimento de 1,5% no faturamento em relação ao mesmo período do ano anterior, impulsionado principalmente pela alta de preços de 3,3%, enquanto o volume vendido recuou 1,8%.
De acordo com o levantamento, o avanço dos preços foi influenciado tanto pela elevação de 1,1% no preço por volume quanto pelo aumento de 2,2% no tamanho médio das embalagens, movimento que reflete a busca da indústria e do varejo por maior valor agregado nas vendas.
Considerando apenas o mês de abril, a retração nas unidades vendidas foi menor do que a observada nos meses anteriores, indicando um ambiente mais favorável ao consumo. O preço por volume caiu 0,5% no período, reduzindo o ritmo de alta do preço por unidade para 2,4%, abaixo dos níveis registrados em março e fevereiro.
As temperaturas mais elevadas favoreceram categorias ligadas ao consumo coletivo e impulsionaram o desempenho das bebidas, que cresceram 7,6% em faturamento. Entre os destaques aparecem energéticos, cervejas e refrigerantes. A categoria de perecíveis frescos também apresentou avanço, puxada principalmente por carnes bovinas in natura, iogurtes, queijos e legumes.
Por outro lado, o efeito calendário da Páscoa pressionou o desempenho da mercearia em abril. Como parte do consumo sazonal foi antecipada para março, a cesta de Páscoa recuou 20,6% no mês, impactando negativamente a categoria. Além disso, itens básicos continuaram sofrendo os efeitos da deflação, com quedas expressivas em categorias como arroz, açúcar, café, ovos e farinha.
“Tivemos um mês marcado por forças opostas. Abril apresentou desempenho positivo em categorias ligadas a ocasiões de celebração e consumo coletivo, impulsionadas por temperaturas mais altas do que em 2025, favorecendo especialmente bebidas e itens naturais e in natura. Por outro lado, o efeito calendário da Páscoa impactou negativamente a cesta de mercearia”, afirma Felipe Passarelli, Head de Inteligência de Mercado da Scanntech.
O estudo também aponta diferenças relevantes entre regiões e formatos de loja. Norte (2,7%) e Centro-Oeste (1,9%) lideraram o crescimento em faturamento no acumulado do ano, enquanto o Sudeste apresentou desempenho mais fraco, com retração de -0,4% em Minas Gerais, Rio de Janeiro e Espírito Santo e leve alta de 0,1% em São Paulo. Entre os canais, o atacarejo foi o único a registrar retração no período (0,8%), enquanto supermercados de pequeno e médio porte mostraram crescimento mais consistente, com alta de 2,6% nas lojas de até quatro checkouts e 2,7% nas unidades de cinco a nove checkouts, impulsionados principalmente pela estratégia de preços.
