Por Redação
26 de março de 2026Guerra no Oriente Médio eleva risco de ruptura de até 10% e pressiona estoques no varejo
Setor revisa logística, trabalha com estoques de 30 a 45 dias e reage à alta potencial de custos de energia, frete e insumos
A intensificação do conflito no Oriente Médio já acende um sinal de alerta no varejo alimentar brasileiro e começa a influenciar decisões estratégicas de abastecimento, mesmo sem impacto imediato nas gôndolas. Análise da Scanntech indica que a combinação entre possível alta dos combustíveis, encarecimento de insumos derivados do petróleo e riscos logísticos globais tem levado empresas a revisar estoques, custos e planejamento operacional.
Diante desse cenário, empresas do setor operam em modo preventivo, revisando orçamentos, custos logísticos e estratégias de abastecimento. A principal reação tem sido a recalibração dos níveis de estoque, buscando equilibrar proteção contra a alta de preços e o risco de desabastecimento. “Não observamos ainda impacto direto nas prateleiras, mas já vemos varejo e indústria revisando níveis de estoque, replanejando logística e negociando com fornecedores, especialmente fora do Brasil”, afirma Daniel Portela, diretor de Produtos para Supply da Scanntech.
A tendência predominante é elevar estoques como mecanismo de defesa diante de dois riscos simultâneos: aumento de custos e possíveis rupturas na cadeia. Dados da Scanntech apontam que muitas indústrias já operam com níveis de ruptura entre 5% e 10% nas principais redes varejistas, índice que pode avançar com gargalos logísticos ou impasses no repasse de preços.
Produtos não perecíveis oferecem maior margem de manobra, com estoques médios entre 30 e 45 dias, permitindo ajustes mais graduais. Já itens perecíveis, especialmente os dependentes de fertilizantes e energia, apresentam maior sensibilidade e tendem a refletir oscilações de custo de forma mais rápida ao consumidor. O histórico recente reforça esse comportamento: meses após o início do conflito entre Rússia e Ucrânia, em 2022, o preço do leite chegou a dobrar no Brasil, pressionado pelos custos agrícolas.
O impacto potencial também se estende ao transporte e às embalagens, diretamente influenciados pela variação do petróleo, além dos fertilizantes, que afetam toda a cadeia agrícola. Categorias essenciais como arroz, feijão e leite, de baixa elasticidade de demanda, mantêm o consumo mesmo diante de reajustes, o que reduz a capacidade de absorção de custos ao longo da cadeia, especialmente em segmentos de menor margem.
“Momentos de instabilidade exigem monitoramento diário e integração maior entre varejo, indústria e transportadoras. O dado passa a ser essencial para calibrar decisões, evitar excessos de estoque e garantir o abastecimento em um ambiente de alta volatilidade”, afirma Priscila Ariani, diretora de Marketing e Estudos da Scanntech.
