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Varejo
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Por Redação
16 de janeiro de 2026

Escala 5x2 é a solução?!

Adoção do formato de trabalho é possível no comércio, mas na prática, para compensar as 44 horas trabalhadas previstas em lei, funcionários acabarão por ter um aumento na carga diária de trabalho, ao mesmo tempo que, do lado das empresas, serão necessários investimentos para que a produtividade e empregos não corram riscos

Ganhou destaque em 2025 a discussão sobre o fim da escala 6x1 e a adesão da escala 5x2 pelo comércio, que na prática, é um modelo de jornada de trabalho no qual o colaborador trabalha cinco dias e folga dois. No final do ano passado, a Comissão de Constituição e Justiça do Senado aprovou proposta de emenda constitucional (PEC) que possibilita esse formato de trabalho, e que para virar lei, ainda precisa passar por diversas etapas, como aprovação no plenário do Senado, trâmite na Câmara dos Deputados e veto ou sanção do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

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Atualmente existem alguns textos diferentes que buscam alterar a jornada de trabalho, todos em tramitação no Congresso Nacional. Em resumo, todos esses projetos têm um só objetivo: alterar a legislação trabalhista para reduzir a jornada semanal e tornar obrigatória a concessão de dois dias de descanso, mudança que deverá impactar diretamente a atual organização das escalas no varejo alimentar.

O formato 5x2 já é amplamente utilizado por empresas que seguem a jornada tradicional de segunda a sexta-feira, com folgas fixas aos sábados e domingos, e a escala pode ser aplicada também em setores que funcionam todos os dias da semana, como hospitais, indústrias e o comércio de modo geral, o que inclui os supermercados, onde as folgas podem ser em dias alternados. Mas a pergunta que fica é: será que adotar a escala 5x2 realmente será saudável para empresas e trabalhadores?

Consequências à vista

Se por um lado, trabalhadores desejam uma jornada de trabalho reduzida sem redução de salários e benefícios, mas que lhes proporcionará mais tempo para atividades de lazer, família, estudos, etc, por outro, sofrerão um aumento de trabalho na carga horária diária para atingir as 44 horas semanais previstas em lei. Dessa forma, o coerente seria também, não somente adotar o 5x2, mas reduzir também a necessidade de se trabalhar 44 horas semanais?

Nesse sentido, empresários e especialistas questionam as consequências financeiras, como o provável aumento de custos para os empregadores, bem como a queda de produtividade em alguns setores.

Outro ponto importante e que deve ser considerado nessa discussão, é que muitos trabalhadores, em consequência da redução da jornada, deverão buscar por recursos extras para se sustentar. Ou seja, o “discurso” da redução da jornada poderá ser usado para que se opte por um trabalho alternativo naquele horário tido como “livre” para complementar a renda.

O fato é que, na prática, adotar a escala 5x2 poderá impactar também o bolso do trabalhador assim como a atividade econômica do comércio. E as consequências serão diversas, como o aumento dos preços, dos produtos e serviços, o que poderá gerar inflação e diminuir ainda mais o poder de compra do trabalhador. Todo esse cenário poderá levar a uma crescente nas demissões, bem como aumento da informalidade no país.

Dessa forma, se por um lado o trabalhador terá os mesmos benefícios trabalhando menos e recebendo o mesmo salário, por outro, viverá “sob o risco” de perder a segurança trabalhista, uma vez que a empresa poderá não conseguir honrar seus compromissos financeiros. Todo esse cenário precisará ser avaliado e para que realmente dê certo, deverão ser necessários investimentos para melhorar questões como crédito, inovação, educação e modernização dos processos.

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