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Varejo
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Por Redação
29 de agosto de 2025

Produtos do Oriente Médio ganham espaço nos supermercados brasileiros

Busca por alimentação saudável, diversidade cultural e tradição gastronômica impulsionam expansão de itens típicos da região nas gôndolas do varejo nacional

A presença de produtos do Oriente Médio nos supermercados brasileiros tem crescido de forma consistente, acompanhando mudanças significativas no comportamento do consumidor e nas estratégias comerciais do varejo. Grãos, castanhas, azeites, tâmaras e pastas tradicionais conquistam cada vez mais espaço nas gôndolas, refletindo não apenas uma valorização da alimentação saudável, mas também o interesse crescente pela diversidade cultural e culinária. Para especialistas e executivos do setor, trata-se de um movimento que deve se consolidar nos próximos anos, apesar dos desafios logísticos e da necessidade de adaptação ao paladar brasileiro.

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Segundo Claudio Felisoni, presidente do IBEVAR e professor da FIA Business School, a transformação nos hábitos de consumo tem um papel central nesse processo. “Existe uma tendência global de valorização de produtos naturais e uma preocupação crescente com saúde. Se antes tínhamos uma proporção muito maior de fumantes, hoje esse hábito vem diminuindo, enquanto práticas como a ginástica ganham espaço. Nesse contexto, produtos do Oriente Médio, como grãos, mel e castanhas, se destacam como opções associadas ao bem-estar, o que abre caminho para sua expansão no mercado”, diz.

Na mesma linha, Joseph Abou Sleiman, CEO da Taybe Foods Brasil, observa que fatores culturais e comportamentais impulsionam essa expansão. “Sim, está crescendo por dois motivos: o consumidor final, hoje em dia, busca produtos diferenciados e, ao mesmo tempo, a culinária árabe tem ganhado destaque no Brasil, especialmente nos últimos cinco anos, com um crescimento expressivo”, afirma.

Alimentação saudável e diversidade cultural em alta

O movimento que fortalece a presença de produtos do Oriente Médio está diretamente ligado à busca por uma alimentação mais equilibrada e Claudio Felisoni destaca que essa demanda se soma à valorização da diversidade e à maior abertura comercial. “Em primeiro lugar, há a busca por produtos mais saudáveis. Em segundo, observa-se a tendência à maior diversidade, favorecida pelo aumento da renda real ao longo das últimas décadas. Por fim, há também a busca por ampliar relações comerciais com outros países, especialmente diante da política americana de tarifação, que reforçou essa necessidade”, aponta.

Essa combinação de fatores favorece a entrada e o fortalecimento de marcas importadas, mas também desafia os supermercados a repensarem suas estratégias de exposição e precificação. “Além da procura por produtos do Oriente Médio, há um interesse crescente pela culinária étnica. Os supermercados podem aproveitar esse movimento criando seções específicas e experiências diferenciadas. Mas é essencial equilibrar o sortimento e a precificação, já que esses itens costumam ter custo mais elevado. O desafio é atrair o consumidor sem comprometer a margem de operação”, ressalta Felisoni.

Para Joseph Abou Sleiman, parte desse desafio envolve a educação do consumidor e a construção de confiança em relação à categoria. “Lançamos uma campanha de 12 meses com degustações em pontos de venda, permitindo que o consumidor experimente o produto antes de comprar. Os resultados foram extremamente positivos, tanto em vendas quanto em percepção de marca. Essa ação ajudou a quebrar barreiras em relação a produtos ainda pouco conhecidos pelo público brasileiro, além de gerar maior confiança e proximidade com os consumidores”, explica o CEO da Taybe Foods Brasil.

Estratégias de mercado e oportunidades para o varejo

Se por um lado o interesse do consumidor cresce, por outro as empresas especializadas trabalham para garantir variedade, qualidade e acessibilidade. A Taybe Foods, por exemplo, aposta em parcerias internacionais e em uma curadoria cuidadosa para atender diferentes perfis de clientes. “Como mencionado anteriormente, a Taybe identificou essa carência no mercado brasileiro, tanto em relação a produtos diferenciados quanto à qualidade. Por isso, buscamos as melhores marcas do Oriente Médio para trazer às prateleiras do Brasil”, explica Sleiman.

Esse cuidado se conecta diretamente ao conceito de autenticidade, um atributo cada vez mais valorizado no varejo alimentar e, segundo Sleiman, para equilibrar tradição e adaptação ao mercado, a Taybe tem apostado em curadorias que respeitam a origem dos produtos sem deixar de lado a acessibilidade. “Com parcerias com os principais fabricantes do mundo árabe, nosso foco é oferecer produtos de alta qualidade com preços competitivos na prateleira. Isso nos permite atender diferentes perfis de consumidores, das classes A, B e C, com uma curadoria que equilibra tradição, autenticidade e acessibilidade. Ao importar diretamente das origens, conseguimos manter o padrão dos produtos e torná-los mais presentes no dia a dia dos brasileiros, seja em lares, restaurantes ou empórios especializados”, destaca o executivo.

Desafios logísticos e perspectivas futuras

De acordo com o CEO da Taybe, o alinhamento com tendências globais de saúde e bem-estar também reforça a atratividade desses itens. “A culinária árabe oferece uma grande variedade de produtos, e um dos principais destaques é a linha de produtos veganos. Além disso, muitos itens são naturalmente saudáveis, feitos com ingredientes simples, integrais e sem aditivos artificiais, como conservas, pastas à base de grão-de-bico, azeites e temperos tradicionais. Isso torna os produtos árabes uma excelente opção para quem busca uma alimentação mais equilibrada e nutritiva no dia a dia”, completa Sleiman.

Apesar do cenário promissor, ainda existem barreiras importantes para o avanço da categoria e, segundo Claudio Felisoni, os gargalos de infraestrutura são um dos principais obstáculos. “Os principais desafios estão ligados à infraestrutura, especialmente em transporte e armazenagem. Muitos desses produtos são perecíveis e, como dependem do trânsito internacional, as dificuldades logísticas se tornam ainda mais complexas”, afirma o presidente do IBEVAR.

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