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Por Redação
20 de janeiro de 2026

Pós-NRF: quais tendências do varejo global fazem sentido para o supermercado brasileiro

Exposição orientada por dados, calendário comercial mais ágil e relações mais estratégicas com a indústria ganham protagonismo e apontam caminhos concretos para a evolução do varejo alimentar e modelos autônomos

O pós-NRF reforçou uma mensagem clara para o varejo global: tecnologia, dados e experiência só geram resultado quando estão integrados à execução no ponto de venda. Para o supermercado brasileiro, especialmente no contexto de lojas de proximidade e mercados autônomos, o desafio não é replicar tendências internacionais, mas adaptá-las à realidade operacional, ao espaço reduzido e ao comportamento local de consumo. Exposição inteligente, calendário comercial conectado a micro-momentos e um relacionamento mais profundo com a indústria surgem como pilares centrais desse novo ciclo.

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Segundo Eduardo Córdova, CEO do market4u, a exposição assume um papel ainda mais relevante em ambientes sem atendentes. “Sem atendentes, a disposição dos produtos precisa fazer o trabalho de um vendedor silencioso: itens de alta demanda ficam em pontos estratégicos, enquanto criamos zonas de descoberta para lançamentos de novos itens, produtos sazonais e itens que estimulam compra por impulso como snacks premium, bebidas diferenciadas, conveniência imediata”, diz o executivo.

De acordo com Guilherme Mauri, CEO e sócio-fundador da rede Minha Quitandinha, a NRF evidenciou que, em lojas pequenas, o layout deixa de ser apenas organização e passa a ser ferramenta de experiência. “Nos minimercados autônomos, a exposição precisa ser intuitiva e orientada à missão de compra. A NRF mostrou que layout inteligente aumenta a conversão e isso é ainda mais crítico em lojas pequenas”, afirma o executivo.

Para Mauri, essa lógica exige escolhas claras. “Para nós, faz sentido aplicar organização por ocasião, frentes reduzidas e bem sinalizadas, evitando excesso de opções, cross-merchandising inteligente e tecnologia para reposição automática, garantindo que o mix curado esteja sempre disponível”, observa o CEO do Minha Quitandinha.

Dados, tecnologia e execução no centro da operação

Córdova destaca que a última edição da NRF consolidou uma virada definitiva para o varejo orientado por dados. “A NRF 2026 reforçou que o varejo entrou na era da execução guiada por dados, onde a capacidade de transformar informação em ação rápida se tornou vantagem competitiva decisiva”, analisa o CEO do market4u.

De acordo com o executivo, no modelo de mercados autônomos essa integração acontece em múltiplas frentes. “No market4u, cada transação alimenta três frentes de otimização: sortimento dinâmico personalizado por condomínio, gestão de estoque preditiva com IA que antecipa reposição antes da ruptura, e exposição promocional estratégica”, afirma Córdova.

Para Guilherme Mauri, essa inteligência aplicada à exposição gera impacto direto na percepção do consumidor. “Quando organizamos a loja por missão de compra, simplificamos a jornada e estimulamos compras complementares”, diz o executivo. “Essa lógica reduz o tempo de decisão e reforça a percepção de curadoria inteligente, essencial para quem busca praticidade”, emenda o CEO do Minha Quitandinha.

Calendário comercial e micro-momentos de consumo

Segundo Eduardo Córdova, o conceito de micro-momentos, amplamente discutido na NRF, encontra terreno fértil nos mercados autônomos brasileiros. “Nos mercados autônomos, isso se traduz em estar presente no momento certo: o morador que esqueceu algo para o jantar, quem quer uma cerveja gelada durante o jogo, a mãe que precisa de leite para o café da manhã”, afirma o executivo.

De acordo com o CEO do market4u, operar 24 horas dentro dos condomínios amplia a capacidade de capturar esses picos. “Usamos dados para antecipar quando esses picos acontecem, como na sexta à noite que tem alta demanda por bebidas e snacks, segunda de manhã tem pico de itens básicos”, observa Córdova.

Mauri entende que essa evolução também redefine o calendário promocional tradicional do supermercado. “O calendário promocional está deixando de ser apenas sazonal e passando a ser data-driven. Isso significa usar dados de consumo real para criar microcampanhas hiperlocais, com promoções alinhadas ao clima, ofertas personalizadas via app e integração com eventos culturais e esportivos que façam sentido para o bairro”, explica o CEO do Minha Quitandinha.

Relacionamento com a indústria: de transação a estratégia

Para Córdova, a NRF 2026 deixou claro que a colaboração entre varejo e indústria é determinante para a inovação. “Nunca houve tanta colaboração entre indústria e varejo como nos últimos anos, e isso é extremamente positivo. Quando olhamos especificamente para os mercados autônomos, ainda existe uma jornada relevante a ser percorrida com a indústria”, analisa o CEO do market4u.

De acordo com o executivo, há três frentes prioritárias para essa evolução. “A co-criação de lançamentos e pilotos, usando o mercado autônomo como laboratório de testes rápidos; a integração da visibilidade no PDV com ativações no app e soluções de Ads; e uma atuação guiada por dados, objetivos claros e visão de médio prazo”, afirma Córdova.

Para Guilherme Mauri, no contexto das lojas autônomas, essa parceria é decisiva para a eficiência operacional. “Parceria com a indústria é vital para um mix otimizado, embalagens adaptadas, tecnologia integrada para compartilhar dados de giro e ações conjuntas, como campanhas digitais segmentadas para clientes próximos à loja”, aponta o CEO do Minha Quitandinha.

Evolução no supermercado brasileiro

Segundo Guilherme Mauri, algumas práticas globais já consolidadas ainda são pouco exploradas no Brasil. “Planogramas dinâmicos baseados em dados de consumo real, estratégia de exposição por ocasião em vez de categorias rígidas e integração total com apps para promoções personalizadas ainda não são utilizadas estrategicamente”, diz o executivo.

De acordo com Eduardo Córdova, o mesmo vale para o planejamento comercial e para a relação com a indústria. “No planejamento comercial, o canal exige ciclos mais curtos e maior flexibilidade. Pilotos, testes por clusters e ações com metas claras de sell-out, recompra e ROI permitem errar rápido, aprender rápido e escalar o que funciona”, analisa o CEO do market4u.

Para o executivo, a maturidade do varejo autônomo passa pela orquestração desses pilares. “Em resumo, a evolução do varejo autônomo no Brasil passa por exposição orientada por dados, planejamento ágil e parcerias profundas com a indústria”, afirma Córdova. “Quem conseguir orquestrar esses três pilares estará à frente na próxima etapa do varejo físico-digital”, conclui.

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