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Especial
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Por Redação
15 de maio de 2026

Como posicionar marcas próprias para além da “guerra” do desconto

Com consumidor mais exigente e menos fiel às marcas tradicionais, varejo descobre que precificação inteligente e experiência de compra são decisivas para transformar marcas exclusivas em preferência.

Durante muito tempo, a estratégia de marca própria no varejo esteve associada a uma fórmula quase automática: oferecer um produto semelhante ao da indústria, porém com preço menor. A lógica funcionou como porta de entrada para a experimentação, mas já não sustenta sozinha o crescimento do segmento.

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À medida que o consumidor se mostra mais aberto a testar novas opções, a disputa deixa de acontecer apenas no campo do desconto e passa a ser travada na esfera do valor percebido.

Para Priscila Guskuma, especialista em negócios e fundadora da G&G Treinamentos, o paradigma da marca própria como mera opção barata ficou para trás. “Hoje vivemos a era da marca própria estratégica. Ela não deve ser vista apenas como substituto de baixo custo, mas como ferramenta de fidelização e diferenciação. Quando entrega qualidade igual ou superior à marca líder, com posicionamento exclusivo, passa a ser uma escolha por confiança e conveniência”, afirma.

Essa construção começa antes mesmo do uso do produto. Segundo Priscila, um dos pilares centrais está no branding de impacto. Embalagens mais refinadas, identidade visual consistente e informações claras funcionam como sinais imediatos de valor na gôndola. “A estética comunica qualidade antes da experiência de consumo. Se a apresentação remete a cuidado e sofisticação, o consumidor reduz a resistência de experimentação”, explica.

O segundo eixo está no posicionamento dentro da loja. Marcas próprias ainda sofrem, em muitas operações, com exposição secundária e tratamento visual inferior. Para reverter esse quadro, o varejo precisa colocá-las em áreas de destaque, criar ilhas de experiência e estimular demonstrações práticas que validem a autoridade do produto.

Já o terceiro pilar é a padronização. Sem consistência de qualidade, qualquer esforço de branding se perde rapidamente. Auditorias rigorosas, controle de processos e manutenção do mesmo padrão em todas as unidades são o que sustentam a promessa feita ao shopper. “Quando o cliente percebe que a excelência é constante, a barreira do preço cai e a lealdade à marca do varejista se consolida”, reforça Priscila.

Esse movimento muda também a lógica da rentabilidade. Em vez de operar apenas como item de entrada para compor a cesta econômica, a marca própria passa a ocupar diferentes faixas de posicionamento — da opção básica à premium — ampliando margem e reduzindo dependência de comparações diretas com a indústria.

Em um ambiente em que a guerra por centavos tende a ser infinita, o varejista que conseguir precificar com inteligência e comunicar valor terá uma vantagem difícil de replicar: vender não apenas um produto mais barato, mas uma marca em que o consumidor acredita.

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