Por Redação
28 de abril de 2026Sucessão planejada é chave para a longevidade das empresas familiares
Preparação antecipada, profissionalização e equilíbrio nas relações são determinantes para preservar negócios e legados ao longo das gerações
As empresas familiares seguem como pilares da economia brasileira, especialmente no varejo alimentar, mas garantir sua continuidade ao longo das gerações ainda é um desafio. Embora muitas nasçam de iniciativas individuais, com o tempo passam a representar o sustento e a identidade de toda uma família. Para a estrategista Claudia Colnago, o principal entrave está no adiamento da sucessão. “Muitos fundadores têm 50, 60 anos, estão ativos, se sentem jovens e pensam: ‘ainda não é a hora’. Só que essa decisão, quando adiada, representa um risco enorme”, afirma.
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A especialista destaca que o preparo deve começar cedo e ir além do vínculo familiar. “É muito saudável que as crianças da família visitem a empresa, entendam que aquele negócio é responsável, em grande parte, pelo padrão de vida que elas têm”, diz. A formação prática e técnica dos herdeiros é essencial para garantir uma transição segura. Experiências mostram que assumir a gestão exige equilíbrio entre preservar a essência do negócio e promover inovação, em um processo que demanda responsabilidade, escuta e preparo contínuo.
Outro fator decisivo é a profissionalização da gestão. Modelos informais podem funcionar no início, mas tendem a limitar o crescimento. Estruturar funções, estabelecer critérios claros para a atuação de familiares e investir na qualificação dos sucessores são medidas fundamentais. “O objetivo é preparar esse membro da família para liderar como qualquer executivo preparado para o mercado”, explica Claudia. A definição de uma cultura organizacional sólida também se mostra estratégica, influenciando diretamente o desempenho e a percepção de clientes e colaboradores.
Além dos aspectos técnicos, as relações familiares impactam diretamente as decisões empresariais. A sobreposição de papéis pode gerar conflitos e dificultar a governança, exigindo maturidade e, em alguns casos, mediação externa. “A matemática da família nem sempre bate com a da empresa”, alerta Claudia, ao destacar os desafios na divisão de lucros e nos investimentos. Nesse contexto, organizar papéis e responsabilidades torna-se essencial. “É possível profissionalizar sem perder os valores familiares. A chave está em estruturar bem os papéis, definir responsabilidades e preparar as futuras gerações com seriedade e comprometimento”, conclui.
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