Por Redação
17 de julho de 2026Quais bebidas destiladas estão em alta no inverno?
Whisky segue como protagonista da estação, enquanto rótulos premium, RTDs e experiências de consumo impulsionam as estratégias do varejo supermercadista
Com a chegada do inverno, os destilados voltam a ganhar espaço nas gôndolas dos supermercados. O whisky mantém a liderança entre as bebidas mais procuradas, mas a temporada também reforça tendências como a premiumização, o consumo voltado à experiência e a busca por praticidade. De acordo com especialistas, a oportunidade para o varejo alimentar está menos no aumento do volume vendido e mais na oferta de produtos de maior valor agregado e em estratégias capazes de inspirar novas ocasiões de consumo.
Na avaliação de Aliandre Avanzo, gerente de Mercearia, Não Alimentar e Bazar da Coop, o whisky continua sendo o principal beneficiado pelo frio, acompanhado por licores, conhaques, amaros e cachaças premium envelhecidas. "O inverno continua favorecendo whisky e destilados envelhecidos, mas o principal movimento recente é a valorização da qualidade e não necessariamente do volume", afirma.
O executivo destaca que o consumidor passou a priorizar produtos diferenciados. "Mesmo em um cenário de maior seletividade de consumo, o shopper está disposto a pagar mais por produtos que ofereçam diferenciação, qualidade e experiência", ressalta.
Para Fátima Merlin, fundadora e CEO da Connect Shopper, o consumo está cada vez mais relacionado ao momento de confraternização e conforto. "O whisky é um dos principais protagonistas, especialmente em ocasiões de consumo em casa. Rum e conhaque também ganham espaço, impulsionados por coquetéis clássicos e pelo consumo puro", explica.
A especialista observa ainda uma mudança no comportamento de compra. "O consumidor busca cada vez mais experiências, e não apenas bebidas. Ele valoriza produtos com história, origem, tradição e autenticidade", afirma.
O movimento também é percebido por Heckel Pedreira, diretor-presidente e fundador da Icatu Brasil. Segundo ele, a categoria passa por uma transformação estrutural, na qual o consumidor reduz o volume consumido, mas investe em rótulos de maior qualidade. "Menos, melhor e com prova. Menos, porque o volume caiu. Melhor, porque o consumidor quer saber a origem, o processo e a história por trás do rótulo. E com prova, porque passou a prestar muito mais atenção à procedência e ao canal de compra", destaca.
Entre as categorias que mais se sobressaem, Pedreira aponta a diversificação das ocasiões de consumo. "Os destilados de inverno que crescem são justamente os que têm essa cara mais premium, como whisky bourbon e irlandês, além do gin em versões quentes e dos coquetéis prontos premium (RTDs), que avançam impulsionados pela busca por praticidade", diz.
Os dados de mercado reforçam esse cenário. Renata Gonzalez, diretora comercial da Shopping Brasil, avisa que o volume de ofertas de destilados em junho deste ano cresceu cerca de 24% em relação ao mesmo período de 2024. "O principal destaque continua sendo o whisky, que ampliou seu volume de ofertas em 42% e passou a representar 31% de toda a presença promocional dos destilados", afirma.
A executiva observa que a disputa pela preferência do consumidor também mudou de perfil. "O inverno de 2026 mostra que a competição nos destilados está ficando mais sofisticada. Não basta identificar quais categorias crescem, é preciso entender como o ad share está sendo redistribuído entre regiões, canais e fabricantes", conclui.
5 estratégias para impulsionar a venda de destilados no inverno
- Organize a exposição por ocasião de consumo, com espaços temáticos como "Noite de Inverno" ou "Drinks em Casa"
- Aposte em cross merchandising, aproximando destilados de chocolates, cafés, queijos, snacks, mixers, frutas desidratadas e especiarias
- Invista em materiais no PDV com sugestões de harmonização, receitas e preparo de drinques, incluindo QR Codes quando possível
- Trabalhe diferentes faixas de preço e kits presenteáveis para estimular upgrades e aumentar o tíquete médio
- Adapte promoções e exposições ao perfil da loja, da região e às condições climáticas, utilizando também as redes sociais para ampliar o alcance das ofertas