Por Redação
22 de junho de 2026High-Protein e densidade nutricional: como a busca por mais proteína está transformando o consumo e redesenhando as gôndolas
Indústria e varejo aceleram inovações para atender uma demanda que já ultrapassa o universo esportivo e passa a influenciar diferentes ocasiões de consumo
A busca por alimentos com maior teor de proteína e densidade nutricional deixou de ser uma característica restrita ao público esportista e passou a ocupar espaço relevante nas decisões de compra de consumidores de diferentes perfis. O avanço da preocupação com saúde, bem-estar, longevidade e alimentação equilibrada tem impulsionado uma transformação nas gôndolas dos supermercados, estimulando o lançamento de produtos mais nutritivos, funcionais e convenientes. Para a indústria, o movimento representa uma mudança estrutural no comportamento de consumo, enquanto para o varejo abre oportunidades para ampliar categorias, desenvolver novas exposições e atender uma demanda cada vez mais diversificada.
De acordo com Carolina Furlan, gerente executiva de Inovação da MBRF a proteína passou por uma transformação importante na percepção do consumidor brasileiro. “Deixou de ser associada apenas ao universo de performance nutricional e passou a ocupar um papel mais amplo na rotina alimentar, relacionada a fatores como saciedade, equilíbrio nutricional, bem-estar e qualidade de vida”, afirma Furlan.
Na visão de Willian Freitas, diretor da DaColônia houve uma evolução importante do consumidor brasileiro de hoje, que passou a ler rótulos, comparar ingredientes e buscar entender o valor nutricional dos produtos antes da compra. “A proteína ganhou protagonismo porque está associada a benefícios percebidos como saciedade, recuperação muscular e manutenção de uma rotina mais saudável”, destaca Freitas.
Proteína deixa de ser nicho e amplia alcance
Segundo Beatriz Loureiro, gerente de produtos do Grupo Piracanjuba, o crescimento da categoria também está relacionado à ampliação do conhecimento do consumidor sobre nutrição e às novas necessidades que surgem dentro de uma rotina cada vez mais orientada pela saúde. “Inicialmente a categoria de alta proteína era muito associada a ‘Whey’, como sinônimo de produtos com alto percentual de proteína. Com a evolução do conhecimento do consumidor e da categoria de alta proteína, o consumidor já compreende melhor que há outras proteínas além do Whey para consumo e vai além, buscando BCAA, outras fontes de proteína como caseína, colágeno, entre outras para escolha na hora da compra”, explica Loureiro.
Para a gerente executiva de Inovação da MBRF, o público interessado em proteína tornou-se muito mais abrangente. “Hoje vemos um consumidor muito mais amplo. A proteína passou a fazer parte da rotina de famílias, pessoas com agendas mais corridas, consumidores interessados em saúde e aqueles que buscam refeições mais completas e equilibradas”, observa Furlan.
O diretor da DaColônia destaca que a busca por proteína está associada a um conjunto mais amplo de expectativas. “O consumidor atual busca soluções completas. A proteína continua sendo importante, mas ela vem acompanhada da procura por ingredientes naturais, menos aditivos, conveniência e experiências de consumo agradáveis”, avalia Freitas.
Inovação acompanha novas demandas
Com o fortalecimento da tendência High-Protein, fabricantes passaram a desenvolver produtos capazes de unir valor nutricional, praticidade e sabor, ampliando as ocasiões de consumo e o alcance das categorias, de acordo com Carolina Furlan. “A inovação hoje precisa partir de uma necessidade real do consumidor. Não basta oferecer um produto proteico, é preciso resolver uma situação concreta da rotina. O consumidor quer solução completa, não um ingrediente isolado”, analisa Furlan.
De acordo com Beatriz Loureiro, a estratégia de desenvolvimento acompanha diferentes necessidades nutricionais. “Para o portfólio do Grupo Piracanjuba, há um olhar para que cada marca ocupe um espaço diferente entre públicos e necessidades específicas. Sendo assim, a estratégia de inovação e desenvolvimento de novos produtos vai sempre ao encontro das tendências que observamos no mercado”, afirma Loureiro.
Willian Freitas destaca que o avanço da categoria estimula o desenvolvimento de novas propostas de consumo. “A principal oportunidade está na ampliação das ocasiões de consumo. Hoje, alimentos ricos em proteína e nutrientes estão presentes no café da manhã, nos lanches intermediários, no pré e pós-treino e até em momentos de indulgência”, aponta o diretor da DaColônia.
Oportunidades para o varejo alimentar
Para Carolina Furlan, o avanço da densidade nutricional como atributo valorizado pelo consumidor também cria novos desafios para a organização das categorias dentro dos supermercados. “Essa tendência está mudando a forma como o consumidor enxerga a categoria. A proteína deixou de ser um atributo de nicho e passou a ser um critério relevante na decisão de compra”, destaca a gerente executiva de Inovação da MBRF.
De acordo com Willian Freitas, o varejo tem espaço para explorar melhor esse movimento. “Para os supermercados, existe a possibilidade de desenvolver exposições temáticas, ampliar categorias de conveniência e explorar melhor produtos voltados ao mercado wellness”, salienta.
Beatriz Loureiro entende que a expansão da categoria já é perceptível dentro e fora das gôndolas do varejo. “Atualmente esses produtos já deixaram de ser nicho e já começam a ganhar maior representatividade, tanto nas gôndolas, como no dia a dia da vida dos consumidores em diversas faixas etárias”, observa a executiva.
O futuro da alimentação funcional
A consolidação da proteína como parte da alimentação cotidiana aponta para um cenário em que funcionalidade, conveniência e personalização devem ganhar ainda mais relevância nos próximos anos. Na visão de Beatriz Loureiro, do Grupo Piracanjuba, ainda existe espaço para expansão da categoria. “Atualmente o consumidor já possui muitas opções de produtos proteicos e com a massificação da proteína como parte de um estilo de vida, ainda há uma oportunidade de crescer em diferentes públicos e ocasiões de consumo”, analisa.
Segundo Carolina Furlan, as próximas evoluções estarão ligadas à adaptação das soluções às necessidades individuais dos consumidores. “Acreditamos que veremos movimentos como personalização, conveniência e busca por equilíbrio ganhando força. Isso significa produtos que combinam sabor, praticidade de preparo, embalagens diferenciadas e atributos nutricionais claros”, afirma a executiva de Inovação da MBRF.
O diretor da DaColônia acredita que a busca por benefícios específicos continuará moldando o mercado. “Acreditamos que três fatores terão grande influência: a busca por alimentos com ingredientes mais naturais, a valorização da funcionalidade nutricional e a necessidade de praticidade no dia a dia. Também veremos uma personalização cada vez maior do consumo, com pessoas buscando produtos alinhados aos seus objetivos individuais”, conclui Freitas.
