Por Redação
10 de julho de 2026Proteger dados é essencial para garantir a confiança do consumidor
Com o aumento da digitalização das operações, supermercados precisam reforçar a segurança da informação para manter a continuidade dos negócios
A transformação digital trouxe mais eficiência para o varejo alimentar, mas também ampliou a exposição das empresas a ameaças cibernéticas. Com operações cada vez mais conectadas, programas de fidelidade, pagamentos eletrônicos, e-commerce e aplicativos, os supermercados passaram a concentrar um grande volume de informações estratégicas e dados pessoais, tornando-se alvos frequentes de ataques virtuais.
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Além dos prejuízos financeiros, incidentes de segurança podem interromper operações, comprometer a confiança dos consumidores e gerar impactos jurídicos decorrentes da exposição de informações sensíveis. Nesse cenário, investir em cibersegurança deixou de ser uma preocupação exclusiva da área de tecnologia para se tornar uma prioridade de toda a gestão.
Segundo Felipe Carteiro Moreira, sócio de Direito Digital do escritório Rayes e Fagundes, os supermercados e o varejo alimentar representam alvos atrativos para cibercriminosos. “Isso acontece devido à grande volume de transações, dados sensíveis de clientes (como informações de pagamento, preferências de consumo e dados de fidelidade) e à dependência crescente de sistemas digitais”, explica.
Entre as principais ameaças enfrentadas pelo setor estão os ataques de ransomware, nos quais criminosos criptografam sistemas e exigem pagamento para restabelecer o acesso às informações. Além de interromper atividades essenciais, esse tipo de ataque pode afetar o controle de estoques, as entregas, as vendas e o atendimento aos consumidores. Também merecem atenção as fraudes envolvendo meios de pagamento, que podem causar prejuízos tanto para as empresas quanto para seus clientes.
A proteção das informações, no entanto, vai além da adoção de ferramentas tecnológicas. A forma como os dados são coletados, armazenados e utilizados também precisa estar alinhada às exigências da legislação brasileira, especialmente à Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD).
Nesse contexto, Moreira destaca que "O equilíbrio entre a coleta de dados e a proteção da privacidade exige a adoção de princípios de privacy by design e minimização de dados, alinhados à LGPD."
Na prática, isso significa que os supermercados devem coletar apenas as informações necessárias para cada finalidade, estabelecer bases legais adequadas para o tratamento dos dados e evitar o armazenamento excessivo ou por tempo indeterminado. Também é recomendável definir previamente os objetivos da coleta e adotar políticas de governança que reforcem a segurança da informação em todas as etapas da operação.