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Por Redação
5 de maio de 2026

Da alternativa econômica à escolha de confiança nas gôndolas

Investimento em qualidade, fornecedores reconhecidos e estratégia de fidelização fazem supermercados transformar marcas exclusivas em ativos de valor junto ao consumidor

Durante muitos anos, as marcas próprias ocuparam um espaço quase automático na mente do consumidor brasileiro: eram vistas como a opção de menor preço para momentos de orçamento apertado. Hoje, porém, esse cenário mudou de forma significativa. Nos supermercados, esses produtos deixaram de ser apenas uma alternativa econômica e passaram a representar uma escolha associada à qualidade, conveniência e confiança.

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Esse movimento acompanha a maturidade do varejo alimentar brasileiro. À medida que o setor cresceu e as redes passaram a entender melhor os diferentes perfis de consumo, abriu-se espaço para desenvolver linhas exclusivas inspiradas em mercados em que a marca própria já era consolidada, como Inglaterra, Itália e Estados Unidos. Segundo Neide Montesano, presidente da ABMAPRO (Associação Brasileira de Marcas Próprias e Terceirização), a evolução do segmento está ligada justamente à capacidade de o varejo oferecer ao shopper uma equação mais equilibrada entre custo e benefício, com produtos que aliam preço competitivo e qualidade percebida.

Para Leandro Rampazzo, fundador e CEO da Godiva Propaganda, a transformação das marcas próprias no Brasil só foi possível porque o varejo deixou de tratá-las como produto de oportunidade, passando a enxergá-las como estratégia de reputação. “O consumidor entende que o varejista não colocará sua imagem em risco com um item inferior. A marca da rede funciona como um selo de qualidade, e isso aumenta diretamente a consideração e a confiança na compra”, afirma.

Segundo ele, três fatores têm sido decisivos nesse processo: qualidade, preço competitivo e transparência. A qualidade ganhou protagonismo e ajudou a romper o antigo estigma de produto inferior. O preço segue como importante gatilho de atração, sobretudo em um cenário de orçamento pressionado, mas já não atua sozinho. Soma-se a isso a transparência, com consumidores cada vez mais atentos à origem, aos ingredientes e às informações de rastreabilidade.

“Contar a história do produto e detalhar sua composição gera lealdade porque reduz a sensação de risco”, explica Rampazzo. Essa redução de risco é central para quebrar um hábito histórico: a preferência automática pelas marcas líderes da indústria. Para isso, não basta estar na gôndola, é preciso estar visível e validado.

Rampazzo destaca ainda que o posicionamento estratégico dos itens, em áreas nobres e próximos às marcas líderes, aumenta a percepção de confiança, enquanto ações de degustação e sampling funcionam como incentivo decisivo para a primeira experimentação. “Quando o varejista assume o risco da primeira compra, seja por demonstração, degustação ou garantia de satisfação, ele encurta a distância entre curiosidade e recompra”, resume.

Em um cenário de renda pressionada, mas de exigência crescente por qualidade, as marcas próprias avançam porque entregam algo que vai além da economia: oferecem segurança de escolha. E no varejo confiança continua sendo o ativo mais difícil de conquistar — e o mais valioso de se manter.

Acesse o Especial do Mês de maio e confira todas as matérias sobre: Marcas próprias como diferencial competitivo

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