Por Redação
27 de janeiro de 2026Mudança de hábito: consumidor de 2026 busca conveniência, preço e compras mais planejadas
Mais cauteloso e orientado a ofertas, shopper redefine estratégias de varejo, canais e investimentos promocionais
A mudança de hábito do consumidor brasileiro deixou de ser tendência e passou a ser uma realidade estrutural. Com renda pressionada, maior acesso à informação e mais opções de canais, o consumidor de 2026 compra de forma mais planejada, compara preços com mais intensidade e valoriza conveniência sem abrir mão da economia. Para o varejo alimentar e a indústria, esse novo comportamento exige ajustes profundos em estratégia comercial, comunicação e execução no ponto de venda.
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Dados da Shopping Brasil mostram que esse movimento está diretamente ligado ao aumento da competitividade no varejo. Em 2025, o setor atingiu um recorde histórico de intensidade promocional: o volume de ofertas cresceu 72% em relação a 2019, período pré-pandemia, e vem batendo novos patamares ano após ano. O número evidencia uma disputa cada vez mais acirrada entre supermercados, hipermercados e atacarejos pelo bolso de um consumidor mais seletivo e orientado a preço.
Para Renata Gonzalez, sócia e diretora Comercial da Shopping Brasil, esse cenário muda o papel das promoções. “A mudança de hábito do consumidor não é discurso, é reflexo direto de um ambiente mais competitivo, com renda pressionada e um consumidor muito mais cauteloso”, afirma. Segundo a executiva, ganha força a discussão sobre Ads Share, a participação das marcas nas ofertas. “Em um cenário de consumo mais planejado, estar presente em oferta deixou de ser apenas tático e passou a ser estratégico, porque existe uma correlação direta entre Ads Share e Market Share.”
Dentro dessa dinâmica, o atacarejo se consolida como o grande protagonista. Sua participação nas ofertas saltou de 14% em 2021 para 33% em 2025, crescendo inclusive em relação a 2024. O supermercado segue como principal canal em volume de ofertas, com 51% de share, enquanto o hipermercado perde relevância, caindo de 40% para 16% no mesmo período. “Isso muda o jogo para a indústria. O investimento em Ads Share precisa acompanhar o canal onde a decisão de compra está sendo influenciada”, explica Renata.
Outro movimento estrutural é a digitalização das ofertas. As redes sociais já concentram 57% do total de ofertas, levando o preço diretamente ao consumidor, em tempo real. A decisão começa no digital, mas a venda de alimentos e bebidas segue majoritariamente no ponto de venda físico, reforçando a importância da consistência entre presença promocional, canal e execução.
Nas categorias, cresce o foco em itens de recorrência e abastecimento. Perecíveis passaram de 29% para 34% das ofertas entre 2021 e 2025, enquanto a mercearia alcançou 38%, consolidando-se como principal bloco promocional. Além disso, 70% das ofertas com mecânica promocional em 2025 trouxeram preços diferenciados para clientes de programas de fidelidade, reforçando retenção e frequência.
Regionalmente, o crescimento das ofertas foi mais intenso no Sul (+22%) e no Nordeste (+12%), enquanto o Sudeste, mais saturado, apresentou leve retração, embora ainda concentre 40% das ofertas do país.
Para o mercado, o recado é claro: em um cenário de consumidor mais cauteloso, promoção sem estratégia vira apenas queima de margem. “Não se trata de promover mais, mas de garantir presença qualificada em oferta, alinhada aos canais, categorias e momentos certos”, conclui Renata.
