Newsletter
Receba novidades, direto no seu email.
Assinar
Economia
...
Por Redação
4 de novembro de 2026

Consumo em supermercados após a proibição das bets cresce até 10,6% em regiões do Brasil

Consumo em supermercados após a proibição das bets cresce 6,5% na primeira semana analisada e 6,3% na seguinte, segundo a ABRAS

O consumo em supermercados após a proibição das bets apresentou crescimento em diferentes regiões brasileiras nas primeiras semanas de outubro de 2026, segundo estudos da Associação Brasileira de Supermercados (ABRAS). O movimento ganhou destaque após a publicação da Medida Provisória 1.394/2026, em 25 de setembro, e foi acompanhado pelo avanço nas vendas de alimentos essenciais, como arroz, óleo, macarrão e café. Os resultados levantam uma questão relevante para o varejo alimentar: em que medida as mudanças no comportamento financeiro dos consumidores podem estar relacionadas ao desempenho das compras nos supermercados?

LEIA TAMBÉM
Como os supermercados podem transformar a reforma tributária vantagem competitiva 
Split payment aperta o caixa dos supermercados 

Confira os principais pontos desta matéria:

  • Crescimento do varejo alimentar após a medida;
  • Diferenças regionais no desempenho das vendas;
  • Produtos essenciais entre os destaques do consumo;
  • Redução das transações via Pix e sua possível relação com as compras;
  • O que os números indicam para o setor supermercadista.
Consumo em supermercados após a proibição das bets mantém alta em outubro

Na semana de 5 a 11 de outubro, o varejo alimentar brasileiro registrou crescimento de 6,5% em relação ao mesmo período do ano anterior. Na semana seguinte, entre 12 e 18 de outubro, o avanço foi de 6,3%, também na comparação anual. Os números divulgados pela ABRAS mostram que o desempenho positivo se manteve nas duas semanas analisadas, embora tenha ocorrido uma pequena desaceleração na variação nacional.

De acordo com a entidade, o aumento do consumo foi observado em diferentes canais do varejo alimentar, incluindo supermercados, atacarejos, mercearias e outros formatos. Além disso, o movimento teve destaque na cesta de produtos essenciais, indicando que itens de abastecimento cotidiano estiveram entre os segmentos associados ao avanço identificado.

A sequência de resultados positivos coloca em evidência o comportamento das compras dos brasileiros em um período posterior à publicação da medida provisória. Entretanto, para interpretar os números adequadamente, é necessário considerar tanto as diferenças regionais quanto os limites das informações disponíveis sobre as causas do crescimento.

Consumo em supermercados após a proibição das bets apresenta diferenças regionais

Na primeira semana analisada, o maior crescimento regional foi registrado no Sul e na área que compreende Minas Gerais, Espírito Santo e interior do Rio de Janeiro. Ambas apresentaram alta de 10,6% em relação ao mesmo período do ano anterior, resultado superior ao avanço nacional de 6,5%.

O Nordeste também teve desempenho expressivo, com crescimento de 6,5%, seguido pelo interior de São Paulo, que registrou alta de 5,6%. Na Grande Rio de Janeiro, o avanço foi de 4%, enquanto o Centro-Oeste apresentou crescimento de 3,6%. A Grande São Paulo teve a menor variação entre as regiões listadas, com alta de 1,2%.

Na semana de 12 a 18 de outubro, o Sul permaneceu na liderança, embora o crescimento tenha recuado de 10,6% para 9%. A região que reúne Minas Gerais, Espírito Santo e interior do Rio de Janeiro também continuou entre os destaques, com avanço de 7,1%. Já a Grande Rio de Janeiro registrou alta de 6%. O interior de São Paulo manteve crescimento de 5,6%, enquanto a Grande São Paulo avançou de 1,2% para 5,5%. Nordeste e Centro-Oeste apresentaram altas de 4,5% e 3,5%, respectivamente.

Os resultados mostram que o desempenho não foi uniforme. Portanto, a leitura nacional precisa considerar as particularidades regionais: enquanto algumas áreas apresentaram desaceleração entre as duas semanas, outras registraram aceleração, como ocorreu na Grande São Paulo.

Produtos essenciais ganham destaque no consumo do varejo alimentar

A ABRAS identificou crescimento especialmente na cesta de produtos essenciais, que inclui arroz, óleo, macarrão e café. Esses itens fazem parte das compras recorrentes dos consumidores e ajudam a dimensionar o movimento observado no abastecimento doméstico.

A entidade também informou que o avanço alcançou diferentes formatos de varejo alimentar. Dessa maneira, os resultados não ficaram restritos aos supermercados tradicionais, abrangendo também atacarejos e mercearias. Para o setor supermercadista, acompanhar a evolução dessas categorias é importante para compreender como o consumo se distribui entre os canais e as regiões. Os dados apresentados, contudo, não detalham o desempenho individual de cada produto, nem informam quanto cada categoria contribuiu para o crescimento total.

Assim, embora os alimentos essenciais apareçam como destaque nos estudos, os números disponíveis não permitem estabelecer quais itens tiveram maior contribuição para o resultado nem dimensionar eventuais mudanças no volume comprado por família.

Consumo em supermercados após a proibição das bets e as transações via Pix

Outro dado apresentado pela ABRAS diz respeito às transações realizadas por Pix. Segundo a associação, informações públicas do Banco Central indicam uma redução imediata de 10% no número de transações após a proibição das bets. Atualmente, a queda apontada seria de 7%. A entidade relaciona esse comportamento financeiro ao aumento do consumo nos lares brasileiros. A hipótese é relevante porque aproxima duas movimentações observadas no período: a redução das transações via Pix mencionada pela associação e o crescimento das vendas no varejo alimentar.

Entretanto, a coincidência temporal entre os acontecimentos não comprova, isoladamente, que a proibição das apostas tenha provocado o aumento das compras nos supermercados. Os dados apresentados não demonstram que os valores anteriormente destinados às apostas tenham sido transferidos diretamente para a aquisição de alimentos, tampouco quantificam essa possível realocação de recursos.

Também não foram apresentados, no material divulgado, indicadores que permitam separar a influência da medida de outros fatores que podem afetar o consumo. Por isso, a relação deve ser interpretada como uma associação apontada pela entidade, e não como uma causalidade comprovada.

O que os resultados indicam para o setor supermercadista

As duas semanas analisadas pela ABRAS mostram crescimento do varejo alimentar brasileiro em comparação com os mesmos períodos do ano anterior. A alta nacional foi de 6,5% entre 5 e 11 de outubro e de 6,3% entre 12 e 18 de outubro, com diferenças importantes entre as regiões. O avanço nas vendas de produtos essenciais e a abrangência do movimento entre diferentes formatos de varejo colocam o comportamento do consumo no centro da discussão.

Ao mesmo tempo, os dados sobre as transações via Pix acrescentam uma variável à análise sobre a relação entre decisões financeiras das famílias e compras de abastecimento. Para gestores supermercadistas, os resultados reforçam a importância de acompanhar a evolução regional das vendas e o desempenho das categorias essenciais. A continuidade desse movimento, porém, dependerá dos resultados dos períodos seguintes e de informações capazes de esclarecer os fatores associados à variação do consumo.

Por enquanto, os números sustentam a constatação de que houve crescimento nas vendas do varejo alimentar nas semanas posteriores à publicação da medida provisória. A dimensão da influência da proibição das bets sobre esse desempenho permanece uma questão em aberto, que exige evidências adicionais para ser determinada.

Deixe seu comentário