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Economia
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Por Redação
10 de agosto de 2026

Varejo alimentar cresce 1,8% em vendas no mês de julho, mas queda no volume mantém consumo pressionado

Alta do faturamento nas mesmas lojas foi sustentada pelo avanço de 4% nos preços, enquanto unidades vendidas recuaram 2,1%

O varejo alimentar manteve em julho a dinâmica observada ao longo de 2026: o faturamento segue avançando em meio à alta dos preços, enquanto o consumo permanece pressionado pela queda nas unidades vendidas. Segundo o Radar Scanntech, as vendas nas mesmas lojas cresceram 1,8% na comparação com julho de 2025, resultado sustentado pela alta de 4,0% no preço médio, enquanto as unidades recuaram 2,1%. Considerando a abertura de novas lojas, o faturamento total avançou 3,6%.

“O cenário de julho reforça o comportamento que acompanhamos ao longo de todo o ano. O faturamento continua crescendo sustentado pelos preços, enquanto as unidades vendidas seguem em retração e o volume passou a registrar queda no mês. Além disso, o calor atípico alterou a dinâmica sazonal de consumo, favorecendo categorias associadas ao consumo em temperaturas mais elevadas”, afirma Felipe Passarelli, Head de Inteligência de Mercado da Scanntech.

Entre os destaques do mês, Bebidas e Perecíveis registraram crescimento de 4,4% no faturamento, favorecidos pelas temperaturas acima da média. Em bebidas, água avançou 12,9% em unidades vendidas, enquanto energético e isotônico cresceram 27,3% e 21,4%, respectivamente. Refrigerantes, energéticos e cervejas também contribuíram para o desempenho da cesta.

Na direção oposta, Mercearia Básica foi a principal detratora, com queda de 7,8% no faturamento. A cesta foi a única a apresentar retração simultânea no preço médio, de 2,6%, e nas unidades vendidas, de 5,3%. O resultado foi influenciado pela queda dos preços de commodities, como café (-17%), arroz (-10%) e açúcar (-21%) em 12 meses.

O cenário de abastecimento também chama atenção. A ruptura caiu para 4,4%, menor nível da série histórica acompanhada pela Scanntech, enquanto a não venda chegou a 11,4% e os dias de estoque alcançaram 46. Os indicadores apontam que o desafio do varejo está menos relacionado à disponibilidade de produtos e mais à capacidade de adequar estoques, mix e preços ao ritmo efetivo de consumo.

“O cenário mostra que o desafio deixou de ser apenas garantir disponibilidade nas lojas. Com ruptura em mínimas históricas e estoques elevados, ganha importância a capacidade de ajustar mix, preço e abastecimento de acordo com a demanda real. É justamente nesse contexto que o uso de dados se torna decisivo para aumentar a eficiência das operações”, afirma Passarelli.

A pressão promocional também aumentou em julho. A participação das promoções chegou a 25,8% das vendas, acompanhada por ações mais longas e descontos mais profundos. No atacarejo, o peso promocional alcançou 31,6%, enquanto as vendas promocionadas cresceram 68,5%.

O Radar Scanntech também apresentou a nova Inflação Scanntech, indicador calculado a partir de 100% dos tickets registrados nos pontos de venda. Nos últimos 12 meses, o índice acumulou alta de 3,18%, acima da inflação de FMCG, de 2,40%. Na comparação entre julho e junho, houve queda de 0,3%, puxada principalmente pela redução dos preços de legumes (-19,3%), ovos (-6,2%) e bovino in natura (-1,2%).

No canal de perfumaria, o cenário permaneceu mais desafiador. O faturamento caiu 6,7% em julho, enquanto as unidades vendidas recuaram 13,4% e o preço médio subiu 7,7%. Eletroportáteis liderou a retração, com queda de 24,5% no faturamento, seguido por cosmética (-10,4%) e cuidado com a pele (-6,0%).

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