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Varejo
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Por Redação
12 de março de 2026

A nova lógica da gôndola: produtos pensados para Air Fryer

Com até 44% de penetração nos lares, o equipamento cria um ecossistema de inovação que fortalece congelados, porcionados e soluções semiprontas no varejo

A Air Fryer, eletrodoméstico cada vez mais presente nos lares brasileiros, deixou de ser apenas um fenômeno para se tornar um vetor estratégico de inovação na indústria de alimentos. De acordo com a Kantar, ele integra 44% das casas brasileiras e passou a influenciar diretamente o desenvolvimento de portfólio, a comunicação das marcas e a forma como o varejo alimentar organiza suas categorias.

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Na MBRF, dona das marcas Sadia e Perdigão, a revisão foi estrutural. “Em 2021 começamos um processo de revisão de todo o nosso portfólio sob a ótica de performance em Air Fryer”, afirma Luiz Franco, diretor de Marketing e Inovação da companhia. A estratégia incluiu aperfeiçoamento de empanamentos, que estão mais leves, crocantes e estáveis ao preparo sem óleo, além de ajustes em cortes, gramaturas e formatos que favorecem rapidez, uniformidade e textura final.

O movimento também resultou em lançamentos específicos. Um exemplo foi o Empanado de Chester da Perdigão, lançado no Natal, desenvolvido para ficar pronto em até 10 minutos no equipamento, mantendo crocância e sabor. Segundo Franco, categorias como empanados, aves em cortes porcionados, linguiças, hambúrgueres e pratos prontos congelados apresentam maior aderência ao preparo sem óleo, especialmente por combinarem rapidez e experiência sensorial satisfatória. A Sadia, por sua vez, lançou a Linha Pop, composta por nuggets, hambúrguer, batata frita fininha e salsicha, com conceito inspirado na experiência de lanchonete adaptada ao preparo doméstico.

Na Seara, o movimento também foi estratégico. “A Air Fryer deixou de ser apenas um eletrodoméstico e passou a influenciar diretamente a forma como pensamos inovação e desenvolvimento de portfólio”, afirma Michele Srour, diretora de marketing de alimentos congelados da companhia. A empresa lançou a linha Seara Air Fryer, desenvolvida especificamente para o equipamento, com produtos desenhados desde a origem para essa performance. “A comunicação clara reduz barreiras de compra e funciona como um atalho de escolha na gôndola”, destaca.

A Bem Brasil também estruturou seu portfólio a partir dessa tendência. “A consolidação da Air Fryer como protagonista na rotina alimentar foi determinante para nossos lançamentos”, afirma Gustavo Amaral, head de Marketing da empresa. A companhia desenvolveu a linha Batata Air Fryer (700g e 1,2kg), com tecnologia voltada à máxima crocância em menor tempo.

Além disso, a fabricante ampliou formatos e gramaturas, alinhando-se à mudança demográfica apontada pela Kantar IBOPE Media, que indica que 34% dos lares brasileiros possuem apenas um ou dois moradores. Entre os lançamentos recentes estão Polenta (300g), Anel de Cebola e a linha Resenha de Dadinhos de Batata em três versões. Segundo Amaral, os produtos específicos para Air Fryer apresentam crescimento superior a dois dígitos ao ano dentro da categoria.

Para o professor de MBAs da FGV, José Mauro Nunes, a Air Fryer passou a funcionar como um “novo padrão” da cozinha contemporânea. “Quando um equipamento se populariza dessa forma, ele reorganiza toda a lógica de desenvolvimento de produtos alimentícios, e as empresas passam a pensar não só no sabor, mas na performance naquele modo específico de preparo”, analisa.

Gôndola orientada por solução

No ponto de venda, a organização também evolui. A Seara observa cada vez mais a estruturação por ocasião de consumo e forma de preparo, com espaços dedicados ou sinalizados para produtos ideais para Air Fryer. A companhia apoia o varejo com planogramas, materiais de PDV, ilhas temáticas e projetos de trade e retail media.

A MBRF, por sua vez, atua com comunicação temática, ativações e conteúdos educativos sobre formas de preparo e receitas, buscando facilitar a jornada do consumidor e aumentar a conversão. “Nosso objetivo é criar pontos de contato claros que conectem necessidade e solução”, afirma Luiz Franco.

Já a Bem Brasil investe em estratégia 360º, com ativações de mídia, MPDVs específicos e orientação para que os produtos ocupem espaços de destaque nos planogramas. “A gôndola deixou de ser apenas um espaço de exposição para se tornar um ambiente de soluções”, defende Amaral.

O avanço da categoria não se limita à conveniência básica. Para Nunes, a próxima fase é marcada pela premiumização. “O consumidor quer praticidade, mas também qualidade, sabor e, cada vez mais, atenção à composição do produto”, afirma. Marinadas mais elaboradas, empanamentos diferenciados e melhor acabamento visual passam a compor a proposta de valor.

Segundo ele, o crescimento já entrou em fase de maturação, formando um ecossistema ao redor do equipamento. “Quanto mais o equipamento se difunde, mais a indústria investe em produtos compatíveis; quanto mais produtos disponíveis, mais o hábito se reforça”, conclui.

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