Por Redação
6 de março de 2026Mulheres: avanços e desafios no varejo supermercadista
Mesmo com a presença feminina crescendo em cargos estratégicos, elas ainda enfrentam desafios para alcançar posições de liderança
O varejo supermercadista é um dos setores que mais empregam mulheres no Brasil, especialmente nas operações de loja. Ainda assim, quando se observa a estrutura de comando das empresas, a presença feminina em cargos de liderança continua sendo menor do que a masculina. Em meio a esse cenário, a construção de carreiras e o fortalecimento de novas lideranças femininas têm ganhado cada vez mais atenção no setor.
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Para muitas profissionais, a trajetória rumo à liderança começa justamente na rotina intensa das lojas. Foi o que aconteceu com Dayana Primarano, sócia-proprietária da rede de Supermercados Vanessa. Criada dentro do negócio da família, ela acompanhou desde cedo o funcionamento do varejo e foi assumindo responsabilidades ao longo do tempo.
Segundo Dayana, ocupar um cargo de liderança exige mais do que proximidade com o negócio. “Assumir uma posição de liderança não acontece simplesmente por fazer parte da família. No varejo, a gente aprende muito no dia a dia da operação, lidando com equipe, fornecedor, cliente e tomando decisões o tempo todo”, afirma. “Liderar um negócio no varejo exige presença, visão e muita capacidade de resolver problemas todos os dias”, ressalta.
A executiva destaca que o setor é marcado por uma dinâmica intensa e altamente operacional, o que já representa um desafio natural para qualquer profissional. No caso das mulheres, porém, muitas vezes ainda existe a necessidade de comprovar constantemente a própria capacidade.
“O varejo é um setor muito intenso e operacional. Para muitas mulheres, ainda existe o desafio de provar constantemente a própria capacidade, principalmente em ambientes que historicamente tiveram mais liderança masculina”, explica. “Mas quando a mulher assume um espaço de liderança e mostra resultado na prática, esse reconhecimento acaba acontecendo de forma natural; no varejo, resultado fala muito alto”.
Apesar das barreiras, o setor vem registrando avanços nos últimos anos. A presença feminina em cargos estratégicos tem se tornado mais frequente, ainda que de forma gradual. Para Dayana, essa evolução está ligada tanto à mudança cultural nas empresas quanto à valorização da experiência prática.
“Hoje é mais comum encontrar mulheres ocupando posições de liderança no varejo do que alguns anos atrás, mas ainda vemos muitas profissionais concentradas na operação do dia a dia da loja”, comemora Dayana. “Elas fazem a empresa acontecer, resolvem problemas e lideram equipes, mas nem sempre conseguem dar o passo seguinte para posições de gestão e decisão”, observa.
Capacitação
Nesse contexto, investir em caminhos claros de desenvolvimento dentro das empresas aparece como um fator fundamental para ampliar a presença feminina na liderança. Programas de capacitação, oportunidades de crescimento interno e incentivo à formação de lideranças são apontados como iniciativas importantes. “Quando as empresas estimulam desenvolvimento, capacitação e oportunidades reais para que essas profissionais assumam responsabilidades maiores, naturalmente mais mulheres passam a ocupar esses espaços”, afirma a executiva.
Além de promover equidade de oportunidades, a diversidade de gênero na liderança também pode trazer impactos positivos para a cultura organizacional e para os resultados das empresas. No varejo, onde a gestão de pessoas e o relacionamento com o consumidor são centrais, diferentes perspectivas podem contribuir para decisões mais equilibradas.
“Equipes diversas trazem visões diferentes para dentro do negócio, e isso é muito positivo, pois quando existem diferentes experiências e olhares dentro da liderança, as decisões tendem a ser mais equilibradas e mais próximas da realidade do cliente e da equipe”, avalia a executiva. “Isso se reflete em uma cultura mais aberta, colaborativa e com maior capacidade de adaptação.”
Para que esse movimento continue avançando, ela acredita que o compromisso da alta gestão é essencial, já que o estímulo ao desenvolvimento de novas lideranças precisa partir do topo das organizações. “Criar oportunidades para que mais mulheres avancem para cargos de gestão não é apenas uma pauta de diversidade, é também uma forma de fortalecer o negócio com diferentes visões e experiências”, alerta.
Para as mulheres que desejam construir carreira no setor, Dayana deixa um conselho direto: conhecer profundamente a operação é um diferencial decisivo. “No varejo, é na operação que a gente aprende de verdade como o negócio funciona. Entender a loja, o cliente, a equipe e os desafios do dia a dia constrói uma base muito forte para qualquer liderança”, afirma. “Liderança não vem apenas com o cargo, ela se constrói com atitude, preparo e consistência ao longo do tempo”, finaliza.
