Não foi só a alimentação saudável para humanos que ganhou mais relevância entre os consumidores durante a pandemia. “Além dos cuidados necessários para evitar a infecção pelo vírus da Covid-19, os donos de pet também passaram a prestar mais atenção, interagir e cuidar melhor de seus animais”, compartilha com a SuperVarejo o presidente do Conselho Consultivo do Instituto Pet Brasil, Nelo Marraccini.

Não foi à toa que, mesmo com a retração econômica, os itens para a nutrição dos bichinhos se mantiveram na lista de compras do consumidor. E esse é um dado que não pode ser ignorado pelos supermercadistas. Afinal, dentro da categoria Pet como um todo, a previsão para o fim de 2021 era de que a segmentação de pet food representasse 53% do faturamento — ou seja, cerca de 27 bilhões de reais —, seguida pelas de venda de animais de estimação (11,3%), produtos veterinários (10,6%), serviços gerais (9,3%), serviços veterinários (12,9%) e pet care (5,6%).

Breve guia para supermercadistas

Mas, será que as comidas para animais de estimação vendidas nos supermercados são de fato saudáveis? “Apesar de passar por um processo industrial, o alimento completo atende todas as necessidades nutricionais dos animais de estimação, e é produzido de forma sustentável, com ingredientes como farinhas de cereais, grãos, farinhas de proteína animal, entre outros. A diferenciação ocorre principalmente entre as categorias standard, premium e super premium”, explica Marraccini. Existem produções de alimentos orgânicos para pets, mas elas ainda representam menos de 1% do total da indústria.

Para decidir em quais SKUs investir, é necessário que o gestor de compras mantenha o radar ligado nas tendências e demandas de seu cliente. “Também é possível pensar estratégias para atrair o consumidor e apresentar os produtos de forma a destacar alguns diferenciais, como montar gôndolas específicas para itens feitos com ingredientes naturais”, salienta o executivo do Instituto Pet Brasil.

Também vale frisar que, no mundo fora dos supermercados, as novidades para o segmento pet não param de surgir. É o caso das padarias pet e das bebidas especiais para cães (incluindo vinho e cerveja sem álcool). Por isso, vale fugir um pouco da zona de conforto e inovar. Quem sabe testando parcerias com fornecedores de porte menor também?

“As grandes indústrias colaboram com a possibilidade de escala e desenvolvimento com base em pesquisas robustas. Mas as companhias menores, por não lidarem com linhas de produção tão grandes, trazem mais inventividade e possibilidade maior de acertos e erros. O público que procura produtos pet gosta de novidades”, ensina Marraccini.