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Especial
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Por Redação
30 de janeiro de 2026

O que o varejo alimentar pode esperar do ano eleitoral

Consumo tende a se manter, mas pressão sobre margens, custos e execução exige gestão mais estratégica do varejo

Ano eleitoral no Brasil vai além da disputa política e costuma trazer impactos diretos para a economia e para o consumo. Para o varejo alimentar, tradicionalmente resiliente em volume, o desafio central não está em vender mais, mas em proteger margens, controlar riscos e manter eficiência operacional em um ambiente mais volátil.

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Segundo Anderson Ozawa, consultor e especialista em varejo alimentar, a pergunta-chave não deve ser sobre crescimento de vendas, mas sobre rentabilidade. “Em ano eleitoral, o varejo alimentar tende a ser resiliente em volume. O problema muda de lugar: sai da venda e vai para margem, custos, promoções e capital de giro”, afirma.

A história recente reforça esse padrão. Em 2018, dados do IBGE apontaram crescimento de 3,8% no setor de supermercados, hipermercados e alimentos, em um segundo semestre marcado por alta do dólar e incertezas eleitorais. Já em 2022, outro ano de eleição, o comércio varejista teve alta mais modesta, de 1,4%, em um contexto de consumo altamente sensível à renda e aos preços.

Para Ozawa, o ambiente eleitoral costuma trazer custos mais voláteis e maior dificuldade de repasse. Fatores como câmbio, combustíveis e frete ganham ruído, enquanto o consumidor se torna ainda mais atento aos preços. “O risco é proteger volume destruindo margem”, alerta. Além disso, medidas fiscais pontuais, como desonerações ou mudanças tributárias temporárias, podem gerar efeitos colaterais relevantes, exigindo maior domínio do impacto por categoria.

Outro ponto crítico é o aumento da intensidade promocional. “Promoção vira guerra e muita gente vende prejuízo. Promoção boa não é a que vende mais, mas a que vende melhor”, destaca. Soma-se a isso o movimento de trade-down no carrinho, com maior busca por marcas de entrada, embalagens menores e marcas próprias, além de uma pressão operacional que eleva o risco de perdas.

Na avaliação do especialista, o ano eleitoral separa dois tipos de operação: as que correm atrás de volume para aparecer e as que protegem margem, caixa e execução para continuar existindo. “Varejo bom vende, varejo maduro lucra e varejo inteligente enxerga antes, com governança e gestão”, conclui.

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