Por Daniele Motta
24 de agosto de 2026Sem álcool no PDV: da tendência à execução
Confira o artigo exclusivo de Daniele Motta, VP de Trade e Shopper Marketing na SHOP!Br
Entender que o shopper sem álcool mudou é a parte fácil. O desafio real é execução: transformar um comportamento já comprovado em decisão de sortimento e ativação que converte na loja. E isso só funciona se o varejo parar de tratar "zero álcool" como uma categoria única, com um comprador padrão e uma ocasião padrão.
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Quem compra cerveja sem álcool depois de treino ou corrida responde a contexto de uso real e parceria com evento esportivo local e ponto extra próximo a isotonico. Quem alterna bebida alcoólica e zero na mesma ocasião social decide comparando na hora, e converte mais colocando a versão tradicional e a versão zero da mesma marca lado a lado.
Onde colocar o ponto extraDefinido o gatilho, a pergunta seguinte é física: onde esse ponto extra deveria estar. E aqui há um argumento adicional para não concentrar tudo dentro da seção tradicional de bebida alcoólica: o consumo de álcool no Brasil é desigual por gênero. Segundo o Datafolha, citado pela Abrasel, 58% dos homens brasileiros consomem bebida alcoólica, contra 42% das mulheres e, entre elas, 81% avaliam que bebem na medida adequada, um consumo predominantemente moderado.
Esse dado específico descreve consumo em bares e restaurantes, não tráfego dentro do supermercado, e vale essa ressalva antes de generalizar. Mas é razoável supor que menor consumo declarado de álcool também signifique menor frequência de visita ao corredor tradicional dessa seção. Se parte relevante do público consome mais bebida sem álcool no lar e em momentos sociais moderados, mas não circula pelo corredor de bebida alcoólica com a mesma frequência, concentrar o zero álcool só ali significa depender de uma visita que essa parcela do shopper simplesmente não faz.
Isso reforça o racional de multiplicar pontos de contato recriando as ocasiões de consumo, como recriar em casa uma experiência de bar, ou explorar as ocasiões diurnas bebendo com moderação, mas também a nova ocasião de bem-estar para quem associa a escolha zero. O corredor de bebida alcoólica vira um dos pontos de venda, não o único.
Quando ativarAtivação de zero álcool funciona melhor amarrada a picos de intenção do que como investimento fixo o ano todo. Janeiro concentra o maior volume de buscas por redução de consumo como um momento natural para ponto extra de entrada de categoria. Eventos esportivos são gatilho para o shopper de recuperação pós-esforço. E ocasiões no lar são perfeitos para combinar zero álcool com snacks de preparo rápido.
Antes de tirar o ponto extra da zona de álcool: validar, não presumirLevar o ponto extra de zero álcool para fora da seção tradicional é uma decisão de sortimento com implicação regulatória que precisa ser validada antes de virar padrão de rede. A classificação de bebidas com baixo teor alcoólico e as regras que se aplicam à exposição e comunicação desses produtos fora da seção de bebida alcoólica envolvem normas específicas que variam conforme o tipo de produto e a forma de comunicação usada no ponto de venda. Antes de aprovar a mudança de localização em escala, o caminho correto é levar a proposta para validação do jurídico da rede e não decidir isso apenas com base em racional comercial.
De qualquer forma separar bebidas alcóolicas de não alcóolicas na gondola é um caminho valioso.
O que ficaO movimento sem álcool já deixou de ser discussão de tendência e virou discussão de execução. Quem traduzir isso em ativação segmentada por gatilho de compra, com validação jurídica antes de escalar, converte primeiro e sem risco desnecessário.
Quem continuar tratando o shopper zero álcool como público único e o ponto extra como decisão só comercial, vai gastar verba de trade marketing em ação que não converte.
Fontes: Abrasel / Datafolha / Kantar — Consumo de cerveja segue como pilar do movimento em bares e restaurantes do país, agosto de 2026 Datafolha — pesquisa sobre redução do consumo de álcool no Brasil NielsenIQ (NIQ) — tendências de consumo para a Copa do Mundo 2026 Nutrola — Sober Curious: Relatório de Dados de Redução de Álcool de 80 mil Usuários, 2026 Revista VEJA — Um brinde à moderação: o crescimento do mercado de cervejas sem álcool, julho de 2026.