Por Redação
21 de abril de 2026Automação no ponto de venda: como robôs, IA e sensores estão redefinindo a operação dos supermercados
Integração de tecnologias como inteligência artificial, RPA, digital signage e robótica acelera decisões, reduz perdas e transforma a loja física em um ambiente mais eficiente, conectado e orientado por dados
A transformação digital do varejo alimentar avança para uma nova etapa, em que tecnologias como robôs de loja, inteligência artificial para atendimento, digital signage interativo e sensores deixam de atuar de forma isolada e passam a compor um ecossistema integrado dentro do ponto de venda. O movimento indica uma mudança estrutural na operação dos supermercados, com foco em eficiência, tomada de decisão em tempo real e melhoria da experiência do consumidor. Nesse cenário, dados, automação e inteligência passam a operar como base estratégica do varejo alimentar.
Segundo João Giaccomassi, diretor de produtos para supermercados da TOTVS, a integração tecnológica é o principal pilar para viabilizar esse novo modelo operacional. “A base de tudo é um ERP especializado, que centraliza as informações e serve como fundação para a integração de novas tecnologias. A tecnologia de automação, seja por meio de sensores (IoT) para controle de estoque ou IA para precificação dinâmica, é conectada a esse ecossistema, garantindo que a tecnologia não funcione de forma isolada, mas sim como parte de uma engrenagem coesa e eficiente”, afirma o diretor.
De acordo com Ismael Borges Batista, Head de RevOps da Agence, o papel da automação de processos é justamente conectar essas diferentes camadas tecnológicas e transformar dados em ação. “O RPA funciona como o sistema nervoso que conecta tecnologias que, de forma isolada, geram dados mas não necessariamente geram ação. Ele coleta os outputs dessas tecnologias, processa as informações com base em regras de negócio e dispara as ações necessárias”, explica o executivo.
Na visão de Batista, essa integração é determinante em operações de alta complexidade como o varejo alimentar. “Sem automação de processos, essa informação fica fragmentada e depende de intervenção humana constante para ser interpretada e virar decisão. Na prática, isso significa atraso e perda de eficiência”, analisa.
Eficiência operacional e redução de perdas no centro da estratégia
Para João Giaccomassi, os ganhos operacionais são diretos e impactam a rentabilidade das redes supermercadistas. “O principal deles é a redução de perdas e a otimização do estoque. A inteligência artificial combate dois grandes vilões: a quebra operacional e a perda de vendas por ruptura. Ao prever a demanda com base em dados históricos e sazonais, a IA ajuda o supermercadista a comprar melhor e a manter o produto certo na gôndola”, afirma o diretor.
De acordo com o executivo da TOTVS, a eficiência também se traduz na otimização de processos internos. “Processos que antes levavam dias, como a auditoria completa de uma loja, hoje podem ser feitos em uma fração do tempo, liberando a equipe para se dedicar ao atendimento ao cliente”, destaca Giaccomassi.
Na avaliação de Ismael Borges Batista, os ganhos já são mensuráveis em diferentes frentes dentro do ponto de venda. “Implementamos modelos de IA para analisar câmeras em tempo real e validamos 53% dos itens de um checklist de qualidade de forma totalmente automatizada. Isso significa monitorar ruptura de gôndola, conformidade de preços e organização continuamente, em todas as lojas ao mesmo tempo”, afirma o executivo.
Segundo o head da Agence, a automação também impacta diretamente a experiência do consumidor. “Conseguimos analisar 10% de todos os atendimentos realizados em loja de forma automatizada, com 85% de precisão na avaliação da qualidade. O impacto é direto na satisfação do cliente, redução de reclamações e aumento de conversão”, aponta Batista.
Dados em tempo real e decisões automatizadas no PDV
Para João Giaccomassi, o uso de dados em tempo real representa uma mudança de paradigma na gestão do varejo. “Os dados em tempo real transformam uma gestão reativa em uma gestão proativa e inteligente. Um pico de vendas pode acionar um alerta automático para a reposição antes que a prateleira fique vazia”, explica o diretor.
O executivo da TOTVS entende que a automação direciona a atuação das equipes com maior precisão. “O próprio sistema direciona os colaboradores para as atividades mais urgentes, seja repor um produto, verificar uma validade ou ajustar um preço, substituindo o ‘achismo’ por decisões orientadas por dados”, afirma Giaccomassi.
Na visão de Ismael Batista, o principal desafio atual não é mais a coleta de dados, mas a velocidade de resposta. “O grande gargalo das operações de varejo modernas não é mais a falta de dados. É a velocidade de transformar dados em ação. Sem automação, essa informação chega fragmentada e ainda depende de um ser humano para virar decisão”, analisa. Ainda segundo o head da Agence, a automação elimina esse atraso e reduz perdas operacionais. “Um sensor detecta variação de temperatura e a equipe é notificada antes que o produto seja comprometido. Um robô identifica a ruptura e a reposição é acionada automaticamente. O que antes levava semanas hoje acontece em minutos”, explica Batista.
Desafios estruturais ainda limitam a digitalização completa
Apesar dos avanços, a digitalização das lojas físicas ainda enfrenta barreiras relevantes. Para João Giaccomassi, o principal obstáculo é cultural. “Muitas vezes, a tecnologia é implementada, mas os processos antigos continuam. Ainda existe a prática de ‘tapar o buraco’ na gôndola, o que compromete a eficiência dos sistemas”, afirma o diretor.
De acordo com o executivo da TOTVS, a integração de sistemas também é um desafio importante. “A integração de sistemas legados pode ser complexa e custosa, além da escassez de mão de obra qualificada para operar essas ferramentas”, destaca Giaccomassi. Na avaliação do head da Agence, a fragmentação de dados é uma das principais barreiras técnicas. “Os sistemas legados foram construídos em épocas diferentes e com estruturas incompatíveis. Sem dados consistentes, a IA não funciona corretamente”, explica Batista.
Para o executivo, fatores como cultura organizacional e infraestrutura também impactam a adoção. “A resistência das equipes, a necessidade de conformidade com a LGPD e limitações de conectividade em algumas lojas exigem planejamento técnico e gestão de mudança”, aponta Batista.
O futuro da loja: automação, personalização e experiência
Para João Giaccomassi, o supermercado do futuro será marcado pela integração total das tecnologias. “Automações como robôs de reposição e totens de self-checkout serão cada vez mais comuns, criando uma jornada de compra sem fricção”, afirma o diretor.
O executivo da TOTVS afirma que a inteligência artificial terá papel central na operação. “A IA será a grande orquestradora da eficiência, desde a cadeia de suprimentos até a personalização de ofertas e definição do layout da loja”, destaca Giaccomassi. A evolução aponta para um ambiente de loja cada vez mais autônomo. Robôs de inventário, IA multimodal no atendimento e digital signage hiperpersonalizado vão criar um ciclo de decisão automatizado, com respostas em tempo real”, emenda o head da Agence.
Segundo Ismael Batista, a convergência entre automação e inteligência artificial deve redefinir o varejo alimentar. “A integração de RPA com IA generativa permitirá sistemas que aprendem com o comportamento da loja e ajustam automaticamente a operação, desde a comunicação no PDV até os gatilhos de reposição”, afirma. “Ao liberar as equipes de tarefas repetitivas, a tecnologia permitirá que elas se concentrem em oferecer um atendimento mais consultivo e criar conexões genuínas com os clientes”, conclui o diretor da TOTVS.
