Por Redação
20 de maio de 2026Varejo precisa acompanhar transformações no consumo e digitalização
Painel “Visão que Pulsa” reuniu especialistas para discutir o futuro dos supermercados e marketplaces B2B
O segundo dia do Congresso APAS teve como foco as transformações que devem moldar o varejo supermercadista nos próximos anos. No painel “Visão que Pulsa”, o evento trouxe debates sobre comportamento de consumo, digitalização da cadeia de abastecimento e os impactos do cenário econômico e regulatório sobre os supermercados. A programação destacou como mudanças tecnológicas, novos hábitos dos consumidores e a busca por eficiência operacional vêm exigindo adaptação constante das empresas do setor.
Leia também
Sucessão e governança ganham protagonismo no painel “Visão que Pulsa”
Tecnologia e uso estratégico de dados mudam realidade do varejo
Na palestra “Supermercados em 2050 e o Novo Padrão de Consumo”, o professor Artur Motta, CEO e Founder da ATTOM, provocou reflexões sobre o novo papel do varejo na vida das pessoas e como valores sociais e comportamentais devem influenciar a relação dos consumidores com supermercados e marcas nas próximas décadas. O especialista destacou tendências ligadas à inovação, experiência de compra e transformação dos modelos tradicionais de consumo, reforçando a necessidade de o varejo acompanhar as mudanças culturais e sociais para manter relevância no futuro.
A digitalização da cadeia de abastecimento foi tema da apresentação de Thaise Hagge, fundadora, Managing Director e CTO do Compra Agora, que abordou o crescimento dos marketplaces B2B como alternativa estratégica de compra para o varejo alimentar. Segundo a executiva, o modelo vem ganhando relevância ao conectar indústrias, distribuidores e varejistas em um ambiente mais eficiente e integrado.
“Os marketplaces B2B deixam de ser apenas uma tendência e passam a ocupar um papel estratégico, organizando a complexidade e aproximando indústrias, distribuidores e varejistas em um ambiente único, mais eficiente e conectado”, afirmou. Thaise também ressaltou que o formato amplia previsibilidade para a indústria, melhora a eficiência operacional dos distribuidores e aumenta a competitividade do pequeno e médio varejista.
O painel “Ambiente de Negócios e o Impacto nos Supermercados” encerrou a programação reunindo especialistas para discutir cenário econômico, governança, sucessão e estratégias de expansão no setor supermercadista. Mediado por Eduardo Ariel Grunewald, Diretor de Serviços aos Supermercados e Relações Institucionais da APAS (Associação Paulista de Supermercados), o debate contou com participações de Leonardo Tonelo, Sócio na VarejoConnect; Ricardo Meirelles de Faria, sócio-diretor e economista da Linus Galena Consultoria Econômica; e Marcos Cavicchiolli, Diretor Presidente do GSV (Grupo São Vicente).
Entre os temas discutidos estiveram os desafios do crescimento sustentável, a profissionalização das empresas familiares e o avanço das fusões e aquisições como estratégia de expansão diante do aumento da concorrência e dos custos operacionais.
Para Tonelo, o ambiente de negócios do varejo alimentar se tornou mais dinâmico e exigirá maior preparo estratégico dos supermercadistas. “A estratégia tradicional de crescimento orgânico apenas via abertura de novas lojas tem se demonstrado menos eficaz do que a expansão via M&A por diversos fatores, dentre eles juros elevados, dificuldade de contratação de colaboradores e rápido aumento da concorrência”, destacou.
Já Cavicchiolli compartilhou a experiência do Grupo São Vicente na profissionalização da gestão e na adoção de novos canais e formatos de negócio como pilares para garantir crescimento sustentável e aumento da competitividade no setor.