Por Redação
22 de maio de 2026IFPA aponta rotas para FFLV virar motor de valor no supermercado
Encontro discutiu como tecnologia, dados e estratégia podem elevar eficiência, margem e conexão com o consumidor
O setor de frutas, flores, legumes e verduras ganhou protagonismo na APAS SHOW 2026 com a realização do Fórum de FFLV para Supermercados, promovido pela International Fresh Produce Association (IFPA), no dia 20 de maio. Com o tema “As Rotas do FFLV de Resultado: Da Inteligência Operacional à Paixão que Gera Valor”, o encontro reuniu lideranças do varejo, fornecedores e especialistas para discutir caminhos capazes de destravar valor em uma categoria estratégica para os supermercados brasileiros.
A proposta do Fórum foi reposicionar o setor de FFLV como um ativo de competitividade, e não apenas como uma área sensível a perdas e custos operacionais. A categoria responde por até 40% do faturamento dos supermercados brasileiros e pode gerar até 15% mais lucro em lojas com maior participação de produtos frescos.
Alinhado ao tema “Coração Supermercadista: Paixão que transforma o Varejo”, o encontro destacou o papel dos alimentos frescos como elo direto com o consumidor, reunindo atributos como frescor, saudabilidade e experiência de compra.
Segundo Valeska de Oliveira Ciré, country manager da IFPA no Brasil e moderadora do Fórum, o setor vive uma transformação. “Estamos diante de uma grande oportunidade de reposicionar o FFLV como uma categoria verdadeiramente estratégica dentro do varejo. O Fórum traz uma visão prática e integrada de como capturar valor em toda a cadeia, conectando inteligência, comunicação e colaboração. É sobre transformar potencial em resultado concreto”, disse.
A programação foi estruturada em três rotas complementares. A primeira, “Rota da Inteligência: Da Compra Estratégica à Exposição que vende”, abordou o uso de dados e inteligência artificial na tomada de decisão, com foco em eficiência operacional, redução de perdas e aumento de margem. O painel teve moderação de Nilson Gasconi, da GS1 Brasil, e contou com Marco Perlman, da Aravita, Giampaolo Buso, da Paripassu, e Christiano Sanguinetti, da Cencosud.
Na visão de Christiano Sanguinetti, diretor Comercial de Perecíveis da Cencosud, o FFLV tem papel fundamental para gerar tração e recorrência nos supermercados. Ele destacou que a categoria é importante para a continuidade do varejo, mas ainda enfrenta desafios relevantes relacionados à quebra, à gestão e à pressão sobre margens. “A tecnologia deve ser vista como aliada para desenvolver a categoria, especialmente em um cenário de transformação do mercado e de desafios de mão de obra”, apontou.
Giampaolo Buso, diretor executivo e sócio fundador da Paripassu e membro da diretoria de Rastreabilidade da GS1 Brasil, reforçou a importância da tecnologia da informação para gerar eficiência em FFLV. Em sua abordagem, ele destacou que a alta perecibilidade dos produtos exige acompanhamento rigoroso de compra, estoque, perda e qualidade recebida. Sem esse controle, o varejo perde clareza sobre o resultado do negócio e sobre os pontos em que precisa agir para melhorar a performance.
O executivo também chamou atenção para a necessidade de identificar produtos com maior índice de perda, avaliar a sazonalidade e compreender diferenças entre lojas com melhor ou pior gestão. Para ele, o mercado segue desafiador, como ocorre há mais de 20 anos, mas o cenário também abre espaço para profissionalização. A combinação entre margem apertada, conjuntura macroeconômica exigente e atenção aos detalhes impõe ao varejo uma gestão “na ponta do lápis”, com mais método e precisão.
“Rota do Valor: Da Comunicação Estratégica à Conquista do Shopper de FFLV”, tratou da dificuldade histórica do setor em comunicar valor além do preço. O painel teve moderação de Fernanda Dalben, da Dalben Supermercados, e participação de Guilherme Armanhe, da Label Rouge; Simone van Oene, da Joost Kalanchoe; e José Eduardo Carmagnani, da Zespri Brasil. A discussão explorou temas como storytelling, microssegmentação, saudabilidade e estratégias para ampliar a conexão com o consumidor.
Para Guilherme Armanhe, diretor de Operações da Label Rouge, o desafio é mostrar ao shopper os diferenciais dos produtos e fugir da guerra de preços. Segundo ele, agregar valor exige três pilares: qualidade, inovação e comunicação. “Não adianta a gente trazer uma narrativa maravilhosa se a gente não sustentar isso na hora do produto, no ponto de venda”, falou. O executivo também destacou a importância das redes sociais como ferramenta de comunicação em massa e afirmou que o mercado está sólido, com crescimento consistente e conquista de novos consumidores.
Já “Rota da Colaboração: Fornecedores e Supermercados Construindo Juntos o FFLV que Gera Resultado”, discutiu modelos colaborativos entre indústria e varejo. Com moderação de Valeska, o painel reuniu Rafaela Fava, da Bananas Fava; Felipe Turcheto, da Verdureira; e Marcel Hiroi, do Sam’s Club. O foco esteve no compartilhamento de dados, na construção de metas conjuntas e em estratégias de trade marketing capazes de gerar eficiência e rentabilidade para toda a cadeia.
Ao reunir varejistas, fornecedores e especialistas, o Fórum da IFPA se consolidou como um espaço estratégico para discutir o futuro dos alimentos frescos no Brasil. A mensagem central do encontro foi que o FFLV pode ganhar novo patamar no varejo alimentar quando inteligência operacional, comunicação de valor e colaboração deixam de ser iniciativas isoladas e passam a orientar a gestão da categoria. Nesse movimento, a conexão com o consumidor se fortalece e os supermercados ampliam sua capacidade de transformar frescor, qualidade e experiência em resultado concreto.