Por Redação
21 de maio de 2026Supermercados ampliam atuação para além da venda de produtos
Especialistas destacaram retail media, experiência do consumidor e marcas próprias como pilares do futuro do setor, no auditório Visão que Pulsa
O terceiro dia do Congresso APAS trouxe, ao auditório Visão que Pulsa, discussões sobre os novos papéis do supermercado. Com o tema “Supermercados Além da Venda de Produtos”, especialistas e líderes do varejo abordaram tendências ligadas à monetização de ativos, marcas próprias e às perspectivas para o futuro do setor supermercadista em um cenário cada vez mais conectado, competitivo e orientado à experiência do consumidor.
Abrindo a programação, Alberto Serrentino, fundador da Varese Retail, destacou o avanço do retail media como uma das agendas mais relevantes do varejo global. O especialista explicou como supermercados podem transformar ativos já existentes - como lojas, canais digitais, tráfego, dados e relacionamento com clientes - em novas oportunidades de receita e monetização.
“Trata-se da capacidade de monetizar ativos existentes nos negócios de varejo, como lojas, canais digitais, tráfego, base de clientes, dados e capacidade de ativação, gerando receitas incrementais de alta margem potencial”, afirmou Serrentino durante o painel.
O executivo explica ainda que o crescimento do retail media exige qualidade dos ativos, domínio das ferramentas de ativação e conversão, além da construção de plataformas capazes de estruturar produtos de mídia para a indústria e parceiros comerciais. Com mais de 35 anos de atuação no setor, Serrentino ressaltou que o movimento já vem transformando grandes redes internacionais e tende a ganhar ainda mais espaço no varejo alimentar brasileiro.
Na sequência, Neide Montesano, CEO da Montesano Negócios e presidente da ABMAPRO (Associação Brasileira de Marcas Próprias), abordou o avanço das marcas próprias como ferramenta estratégica de diferenciação e fidelização dos consumidores. “Os supermercados vêm ampliando o investimento em produtos exclusivos para fortalecer identidade, competitividade e margem”, falou.
Durante a apresentação, Neide reforçou que o desenvolvimento de marcas próprias exige visão integrada entre fornecedor, varejo e consumidor, além de planejamento estruturado e atenção às demandas de qualidade, sustentabilidade e posicionamento de mercado. A especialista também compartilhou experiências relacionadas à construção de negócios no segmento e apontou que as marcas próprias deixaram de ser apenas alternativas de preço para ocupar espaço relevante na estratégia comercial das redes supermercadistas.
Encerrando o evento, a discussão “Perspectivas para o Varejo Alimentar do Futuro” reuniu grandes lideranças do setor para debater expansão, transformação operacional, proximidade com o consumidor e os desafios do crescimento sustentável. A mediação foi conduzida por Jorge Herzog, membro do Conselho de Administração das Lojas Quero-Quero e da empresa de tecnologia Mob2Com, que trouxe reflexões sobre a evolução dos formatos supermercadistas e a necessidade de adaptação constante do setor.
Entre os painelistas, Pablo Lorenzo, CEO do Grupo Carrefour Brasil, Diretor Executivo Latam e membro do Comitê Executivo do Grupo Carrefour, destacou os movimentos de transformação do varejo alimentar, impulsionados por digitalização, novos formatos de proximidade e integração de serviços. O executivo, que também atua como diretor-executivo Latam do Grupo Carrefour, compartilhou experiências relacionadas à expansão de operações e à adaptação do setor às novas demandas de consumo.
Já Belmiro Gomes, CEO do Assaí Atacadista, abordou o crescimento do atacarejo e a consolidação do formato como um dos motores do varejo alimentar brasileiro. À frente do Assaí Atacadista desde 2011, o executivo ressaltou os desafios ligados à expansão, eficiência operacional e fortalecimento da experiência de compra em um ambiente de forte competitividade.
Ao longo do terceiro dia do auditório Visão que Pulsa, o Congresso APAS SHOW reforçou que o supermercado do futuro passa por múltiplas transformações, incluindo novas fontes de receita, fortalecimento de marcas próprias, uso estratégico de dados e maior integração entre experiência, conveniência e relacionamento com os consumidores.