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Varejo
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Por Redação
8 de abril de 2026

Varejo alimentar fecha trimestre com crescimento de 1,4% em faturamento

Dados indicam avanço da premiunização e retração de itens básicos; resultado fica abaixo da inflação e é sustentado pela alta de 3,6% no preço médio

O varejo alimentar brasileiro encerrou o primeiro trimestre com crescimento nominal de 1,4% no faturamento, mas com retração nas vendas em volume, segundo dados do Radar Scanntech. O desempenho ficou abaixo da inflação do período e foi sustentado exclusivamente pela alta de 3,6% no preço médio, enquanto as unidades vendidas caíram 2,1%, evidenciando um consumo mais contido.

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O movimento indica uma mudança no comportamento do consumidor, que passou a comprar menos itens por visita. O tamanho médio do carrinho recuou 2,5%, enquanto o fluxo nas lojas permaneceu praticamente estável, com leve alta de 0,2%. Na prática, isso reflete um consumidor mais seletivo, que prioriza qualidade ou categorias de maior valor agregado em detrimento de itens básicos.

De acordo com a Scanntech, esse cenário reforça o avanço da premiunização no varejo alimentar. Categorias premium apresentaram crescimento, enquanto produtos essenciais recuaram, pressionados por fatores como a reorganização da renda das classes mais baixas e mudanças na disponibilidade financeira da classe média.

O mês de março concentrou os maiores desafios do trimestre. Apesar do impacto positivo da Páscoa, que neste ano começou ainda no fim do mês, o período foi marcado por queda expressiva em categorias como bebidas, que registraram retração de 13,3% em unidades vendidas e 6,7% em faturamento, influenciadas principalmente pelo efeito calendário. Em 2025, o Carnaval ocorreu em março, impulsionando as vendas, o que não se repetiu em 2026.

Na mercearia básica, o cenário também foi pressionado. Mesmo com leve alta de 1,6% no volume, o faturamento caiu 7,3%, impactado pela deflação de itens essenciais como arroz, açúcar, óleo e café. Por outro lado, a sazonalidade da Páscoa impulsionou categorias específicas, com destaque para ovos de Páscoa, que cresceram mais de 360%, e chocolates, com alta superior a 50%.

O desempenho do período também evidencia pressões no canal atacarejo, que apresentou queda de 0,8% no faturamento e de 3,5% no volume em março. No acumulado do trimestre, as retrações chegam a 1% em faturamento e 3,8% em unidades vendidas, indicando perda de tração em um formato tradicionalmente associado ao consumo mais sensível a preço.

Regionalmente, o comportamento do varejo foi desigual. O Nordeste liderou o crescimento, com alta de 2,3% no faturamento, enquanto regiões como São Paulo e o eixo Rio de Janeiro, Minas Gerais e Espírito Santo registraram as maiores retrações, refletindo um cenário de consumo mais pressionado nesses mercados.

O resultado do trimestre reforça um varejo que cresce menos por volume e mais por preço, em um ambiente de consumo mais seletivo e sensível às mudanças de renda e calendário.

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