Por Redação
28 de agosto de 2026PL Connection aproxima indústria e varejo e evidencia avanço das marcas próprias no Brasil
Expositores e varejistas destacam evolução da feira, qualificação dos leads e fortalecimento das relações comerciais durante o evento
O avanço das marcas próprias no Brasil ganhou espaço nas conversas entre indústria e varejo durante o PL Connection. Para empresas que atuam no desenvolvimento e na fabricação de produtos para marcas de terceiros, o evento se consolidou como uma oportunidade não apenas para gerar novos negócios, mas também para estreitar relações com parceiros e acompanhar a evolução de um mercado que ainda tem amplo espaço para crescer.
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Entre os expositores, a Cottonbaby levou ao evento duas décadas de experiência no segmento. Segundo Leandro Nelson Silveira, CEO da empresa, a companhia atua com marcas próprias há cerca de 20 anos e passou por uma transformação interna para estruturar essa frente de negócios. “Em determinado momento, entendemos que era importante separar a operação industrial das marcas do grupo e passar a enxergar também as nossas próprias marcas dentro da lógica de atendimento ao varejo. Essa mudança de visão ajudou a criar internamente um ambiente mais preparado para identificar oportunidades e construir novos negócios”, afirma.
Para o executivo, o mercado brasileiro ainda está nos primeiros capítulos dessa trajetória. Atualmente, as marcas próprias representam cerca de 2% do mercado brasileiro, percentual que, na avaliação de Leandro, pode crescer significativamente nos próximos anos. “Duas décadas depois, podemos dizer que estamos muito mais preparados, mas ainda ocupamos a cadeira de aprendizes. Se o percentual das marcas próprias dobrar, por exemplo,, acredito que haverá um impacto importante sobre a indústria”, destaca.
A experiência da Cottonbaby também mostra como a inovação pode ser incorporada ao desenvolvimento de produtos para o varejo. A empresa utiliza produtos previamente testados e validados em suas próprias marcas como referência para novos projetos de private label. “Tudo o que funciona e é validado em nossas marcas pode, posteriormente, ser disponibilizado ao varejo para o desenvolvimento de suas marcas próprias”, explica Leandro.
Feira como vitrine e ponto de relacionamento
Especialista em Private Label da Cottonbaby, Fabiane Santos participou pela quarta vez do PL Connection e percebeu uma evolução significativa na estrutura e no perfil dos visitantes. “Esse é o meu quarto ano de PL Connection. Até brinquei ontem que estou me sentindo expert no negócio”, comenta.
Segundo Fabiane, a edição deste ano apresentou uma mudança importante na qualidade das oportunidades comerciais. “A gente sentiu uma mudança muito grande na estrutura, nos leads, que estão muito mais qualificados, e na procura. A evolução que a feira teve, de 2023 para cá, foi gigantesca.” Para ela, além da geração de negócios, o evento funciona como uma espécie de vitrine para empresas que já mantêm relações comerciais. “A feira tem uma coisa muito bacana, que é a aproximação dos clientes que a gente já tem. Então acaba virando uma vitrine social muito boa. E amadurece o relacionamento.”
Varejo apresenta, na prática, sua estratégia de marca própria
Se, de um lado, a indústria apresentou sua capacidade de desenvolvimento e produção, de outro, o varejo utilizou o PL Connection para mostrar como a marca própria pode fazer parte da experiência do consumidor. Laís Moreira, assistente de Marca Própria da rede Krill, participou do evento e destacou a proposta de levar para a feira uma experiência próxima à de um supermercado. “Esse ano o diferencial foi esse stand. A gente quis mostrar para todos os parceiros como seria o mercado de marca própria. Então temos mais de 180 SKUs presentes em várias categorias”, explica.
O espaço reuniu produtos de categorias como limpeza, higiene, mercearia e FNV, além de recursos como self-checkout e degustação. A proposta, segundo Laís, foi aproximar fornecedores e outros varejistas da realidade da operação. “A gente trouxe realmente a vivência de um supermercado para cá. Estamos realmente vendendo os produtos, porque tem várias indústrias parceiras nossas que já trabalham com a gente há um bom tempo.” A estratégia também ajudou a fortalecer relacionamentos. Segundo Laís, muitos fornecedores foram até o espaço da rede, reduzindo a necessidade de o time do varejista circular pela feira em busca de parceiros.
“Estamos percebendo o tanto de gente que chega até nós. A gente quase não precisou sair do estande para conhecer os fornecedores. Eles vieram. A maioria veio até aqui.” Para ela, a construção de uma marca própria exige mais do que simplesmente colocar produtos com uma marca do varejista nas prateleiras. É necessário incorporar essa estratégia à cultura da empresa. “Não é só entrar, você precisa abraçar essa cultura de marca própria. Você precisa realmente mostrar para todo mundo como é legal fazer sua marca, como é legal divulgar, trazer a experimentação.”
A degustação, inclusive, permitiu obter respostas imediatas dos consumidores e transformar a participação no evento em uma experiência prática. “Tanta gente aqui experimentando o produto, a gente já tem um feedback na hora. E isso é muito especial.”
Um mercado em expansão
A visão de quem participa diretamente desse ecossistema também é compartilhada por Gabriëlle Van Meeteren-Kraan, diretora proprietária da Dutchwaffle Stroopwafels, empresa holandesa especializada na produção de stroopwafels, doce tradicional dos Países Baixos formado por duas finas camadas de waffle unidas por um recheio de caramelo. Com uma proposta que combina tradição e possibilidade de desenvolvimento de produtos para diferentes mercados, a companhia vê no Brasil uma oportunidade de ampliar sua atuação por meio de parcerias com varejistas e projetos de marca própria. Para a executiva, o cenário brasileiro oferece oportunidades para empresas interessadas em construir parcerias no segmento. “O Brasil está muito preparado para marcas próprias. É um mercado promissor e nós temos experiência e qualidade para trabalhar em parceria e desenvolver um ótimo relacionamento”, afirma.
Os depoimentos reunidos durante o PL Connection apontam, portanto, para um mercado que combina crescimento, profissionalização e maior aproximação entre seus diferentes elos.