Se antes da turbulência econômica gerada pela pandemia, a média de pessoas que passavam fome no Brasil era de 12 milhões, hoje, de acordo com a Rede Brasileira de Pesquisa em Soberania e Segurança Alimentar e Nutricional (Rede PenSSAN), esse número saltou para 19 milhões. Diante disso, a responsabilidade do setor supermercadista com relação ao desperdício de alimentos aumenta ainda mais.

Segundo dados da Associação Brasileira de Supermercados (Abras), os principais motivos para os produtos perecíveis serem desperdiçados no varejo alimentar são: prazo de validade (36,9%), condições impróprias para venda (30%), avaria (18,2%), danos em equipamentos (4,8%), furto externo (19,8%) e erros de inventário (13,5%)

Uma boa interpretação dos índices demonstra que conseguir ter uma gestão de estoque dinâmica e precisa ainda é um desafio para grande parte das lojas, principalmente quando se trata das categorias de FLV.

Para cada desafio, um case

Hortimercado localizado em Campinas (SP), a Vila do Grão, ao buscar uma solução de delivery para seu e-commerce, encontrou também apoio para iniciar ações de combate ao desperdício. “Hoje, 70% da loja é de perecíveis; trabalhamos forte as frutas, legumes e verduras processadas, além da rotisserie, molhos e antepastos”, explica à SuperVarejo o diretor de Operações, Edson Toshime Okamura.

Depois de firmar parceria com o SuperOpa, marketplace que conecta distribuidores ao consumidor final, oferecendo produtos próximos da data de vencimento, em apenas três meses o diretor de Operações notou uma considerável redução nas perdas. “Com isso, conseguiremos reduzir os preços na ponta, ajudando, assim, quem precisa mais, que é o consumidor final.”

De acordo com o CEO do SuperOpa, Luis Borba, para o segmento do varejo conseguir diminuir o desperdício de alimentos, que, segundo o executivo, representa cerca de 1,89% do faturamento bruto do setor (aproximadamente R$ 6,7 bilhões), é preciso também investir em tecnologia.

“A Vila do Grão montou a aplicação de delivery no aplicativo e nós realizamos a integração com o app próprio, de forma que os produtos aparecem automaticamente dentro do SuperOpa quando estão próximos ao vencimento”, conta Borba. “O trabalho começou recentemente e nosso objetivo é que, em um período de seis a doze meses, consigamos reduzir em 80% o que eles têm de perda.”

O CEO destaca, ainda, que supermercados pequenos, médios e grandes podem se integrar ao marketplace, desde que tenham um sistema de ERP ao qual a startup consiga se integrar para ver produtos e atualizar dados do estoque e preços.