O Dia da Consciência Negra acontece no dia 20 de novembro e o case de Jandaraci Araújo é um relato importante no para o setor varejista. Com início de carreira no Grupo Sendas — que hoje faz parte do Grupo Pão de Açúcar —, Jandaraci Araújo nasceu na Bahia, é co-fundadora do Conselheira 101 (programa de incentivo à presença de mulheres negras em conselhos de administração), foi subsecretária de empreendedorismo, pequenas e médias empresas do Estado de São Paulo e ex-diretora executiva do Banco do Povo, sendo a primeira mulher negra a ocupar um cargo de tamanho destaque desde a criação da instituição, em 1997.

“Foi vendendo salgados que consegui minha primeira oportunidade. Um professor que sempre comprava comigo um dia perguntou sobre minha história e conversamos. No dia seguinte, ele me deu seu cartão e pediu que procurasse uma de suas gerentes. Cinco dias depois, comecei a trabalhar em uma das maiores redes do varejo. Anos depois soube que a vaga não existia, eu fiz minha carreira lá. Fui transferida para São Paulo em 2003. Trabalhei durante muito tempo nessa empresa e, segui minha carreira no varejo”, conta Jandaraci.

Após isso, Jandaraci também trabalhou no próprio Grupo Pão de Açúcar e na Polishop. Também integrou a equipe do Grupo MGB, a FARMA, e as atingas Drograria Onofre e SOS Farma. Hoje, ela é conselheira emérita do Capitalismo Consciente Brasil, e também é palestrante, professora de Finanças Corporativas de pós-graduação e consultora.

“Sou chamada pelos amigos Janda. Sou mulher, preta e nordestina e na minha vida sempre tive que batalhar para proporcionar um futuro melhor às minhas filhas. Por conta disso, me reinventei várias vezes e fiz de tudo, consertei eixo de caminhão e tive uma pequena serralheria conde cortava, moldava e soldava ferro. Tenho muito orgulho da minha trajetória, principalmente, das dificuldades por conta das minhas grandes paixões: minhas filhas. Olhando para trás, vejo que valeu muito a pena. Hoje, a mais velha é formada em Direito Tributário e a outra gratuitos ou não, busquei bolsas de estudo ou patrocínio das empresas onde trabalhei. Vergonha zero pedir descontos, propor parcerias e pedir conselhos. A educação é transformadora, acredite”, aconselha.