Notícia 16:57 - 05 de julho de 2019

A perda de faturamento líquido no varejo aumentou 7% entre 2017 e 2018, o que representa um prejuízo de aproximadamente R$ 21,46 bilhões, de acordo com a pesquisa realizada pela Associação Brasileira de Prevenção de Perdas (Abrappe). Dentre os 12 setores estudados, o supermercado é o mais “desafiador”, segundo o coordenador do estudo e presidente da associação, Carlos Eduardo Santos.

De maneira geral, o crescimento das perdas é atribuído a três fatores: o aumento de estoque, maior índice de furtos e menos funcionários. “Nós observamos um aumento no nível de investimento nos estoques, por conta do otimismo em relação ao novo governo e a economia. No entanto, as vendas não ocorreram de acordo com o esperado, resultando em aumento de perdas”, explica Santos. Outro fator que contribuiu para o resultado foi as perdas chamadas de “desconhecidas”, que acontecem quando o sistema, estoque teórico, indica a existência de um produto que não pode ser encontrado na contagem manual.

Esse tipo de perda é causado por furtos e falhas (quebras) operacionais, decorrentes de processos que envolvam a movimentação de mercadoria na loja – como quando um operador de caixa acidentalmente registra um produto diferente do que está sendo de fato vendido. A redução do número de funcionários nas lojas gerou um crescimento das falhas. “Com menos pessoas atuando no varejo, consequentemente o negócio está mais suscetível a falhas, ao erro”, diz.

Apesar de os supermercados terem ficado abaixo da média nas perdas (5,67%), esse setor apresenta uma dificuldade maior já que lida, principalmente, com produtos perecíveis, o que contribui para o alto índice de quebras. No atacarejo, este corresponde a praticamente 70% (69,33%), enquanto nos supermercados a porcentagem cai para 56%. "Isso porque o supermercado está mais suscetível a furtos do que o atacarejo, diminuindo o impacto das falhas”, afirma o executivo.

Soluções

Ainda segundo o presidente da Abrappe, atualmente existem soluções que permitem que o varejista tenha informações sobre as perdas através de várias visões: uma corporativa, por loja e uma por departamento, por setor.

Entre elas, o executivo cita softwares capazes de receber informações, de forma que, quando houver descarte de produtos - por exemplo - possa se identificar a sua causa e como fazer um tratamento melhor, e soluções que permitem fazer ajustes no estoque com base em receituários e rendimentos. Além disso, ele destaca o CFTV (circuito fechado de televisão) para poder monitorar a loja à distância.

Santos também comenta sobre a importância de investimentos nas torres de alarme para aplicar em produtos de alto risco, e sistemas de monitoramento de caixa, já que “praticamente 15% das perdas ocorre no checkout”.

Ele ainda fala de um bom programa de endomarketing, de conscientização para a importância de prevenir perdas, um processo padronizado para as funções diárias do varejo e treinamento dos colaboradores. “As ações de curto prazo estão relacionadas às quebras operacionais e as de médio e longo prazo estão relacionadas às perdas desconhecidas. É nessa parte que entra principalmente os investimentos", conclui.


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