Notícia 18:00 - 12 de julho de 2019

Startup que nasceu no estado do Espírito Santo, Zaitt chega a São Paulo e mostra que as lojas autônomas já são realidade no Brasil. Inovador, modelo de operação sem checkout instiga varejo supermercadista a se reinventar

De olho nas tendências do varejo, a startup Zaitt dá início às primeiras lojas autônomas do país. Sem colaboradores no atendimento ao cliente e nem a presença de checkouts, esse formato de negócio disruptivo vem com a proposta de dispensar tanto as filas como a passagem pelo checkout para efetivar as compras, de modo a facilitar o processo de compras dos clientes.

“A novidade desse modelo é uma experiência com ainda menos atrito chamada ‘just go’ (apenas vá, em tradução livre)”, diz o CEO da Zaitt, Adalberto Calonego. O modelo de loja estreou em 2018, no Espírito Santo, e chegou, em março deste ano, à capital paulista, contando com funcionamento 24 horas por dia, sete dias por semana.

Atuando no formato de conveniência, a loja de São Paulo, com 70 metros quadrados de área de vendas, coloca à disposição dos clientes 1.000 SKUs de diferentes categorias de produtos. Diante dessa proposta, é possível encontrar soluções que atendem às rápidas refeições do dia, com destaque para os refrigeradores, que oferecem bebidas, sanduíches (industrializados) e até mesmo kits de sushi.

Para a unidade paulistana, a Zaitt conta com a parceria do Carrefour, que oferece suporte logístico e de abastecimento. Desse modo, parte do sortimento de produtos fica a cargo do grupo francês.

A ação do Carrefour junto a Zaitt se justifica pelas oportunidades identificadas nas tendências de mercado. Na visão do gigante varejista, é por meio dessas empresas jovens e inovadoras que é possível entender as demandas do consumidor atual, o que irá contribuir para o desenvolvimento de soluções a fim de atendê-lo da melhor forma, da maneira que ele deseja.

“O cliente de hoje é conectado, exigente, ele quer ser atendido rápido e na hora. Quando falamos em transformação digital, precisamos de algoritmos, de conteúdos e serviços, de entrega rápida, de pagamentos digitais. E o Carrefour E-Business vai acelerar isso como proposta de valor por meio das startups”, explicou a CEO dessa divisão da empresa, Paula Cardoso, em evento realizado com os acionistas da companhia, dias após a inauguração da unidade paulistana da Zaitt.

Como é a compra na loja autônoma

A reportagem visitou a unidade de São Paulo em 30 de março, alguns dias após a inauguração, para conhecer mais sobre o espaço. A tecnologia é a grande aliada da proposta, uma vez que o smartphone é o recurso utilizado em toda a experiência de compra. É por meio do aplicativo desenvolvido pela startup que o cliente entra na loja, efetiva o pagamento e sai do local.

Falar que o uso do app é fundamental para acessar e deixar a loja não é exagero. A entrada ao espaço não ocorre como um supermercado tradicional: para acessá-lo, é indispensável baixar o aplicativo. Após o download do app, o cliente tem de fazer o preenchimento dos dados pessoais (o que inclui cartão de crédito para relacionar o pagamento das compras), como, também, fazer uma selfie.

Uma vez que o app está devidamente “em ordem”, o cliente finalmente aponta em qual das duas lojas (Zaitt Store Itaim, em São Paulo ou Zaitt Store Praia do Canto, no Espírito Santo) seguirá com a entrada.

São duas portas sequenciais de acesso ao local, considerando a necessidade de fazer a leitura do QR Code na primeira e, na segunda, o reconhecimento facial do shopper. Tudo certo, entrada liberada.

A loja, semelhante a uma versão reduzida de um Carrefour Express ou de um Minuto Pão de Açúcar (formatos de conveniência das grandes redes em ascensão pelo país nos últimos anos, principalmente nas grandes capitais), conta com três corredores, divididos por seções, como qualquer autosserviço que atue nesse modelo de negócio.

São duas as formas de pagamento que a Zaitt utiliza atualmente. Assim como a unidade capixaba, a loja de São Paulo conta com o sistema Scan&Go, ou seja, todo produto que o shopper seleciona para comprar, ele faz a leitura pelo celular do QR Code encontrado em cada item, para lançá-lo no carrinho virtual.

Mas, o que a operação paulistana traz de diferente para o pagamento das compras é o sistema de RFID (como é conhecida, na sigla em inglês, a tecnologia de identificação por radiofrequência). Com o recurso, ao deixar a loja, na porta de saída, o sistema identifica, utilizando as etiquetas, quais são os itens que o cliente está levando, dispensando, assim, a leitura dos QR Codes de cada produto.

As câmeras estão por toda a parte da loja, e, atualmente, entre suas responsabilidades, está o apoio  para desenvolver as estratégias a serem criadas para impulsionar as vendas. “Por meio das câmeras, identificamos os movimentos dentro do espaço e sabemos por onde as pessoas caminham. Ou seja, conseguimos constatar os pontos quentes e frios do local e, nos frios, identificamos oportunidades para focar em ações para determinadas seções”, explica o diretor de marketing da Zaitt, Christian Abramson.

A segurança é outro ponto que fica a cargo das câmeras, como descreve o profissional. “Contamos com filmagens 24/7 e as câmeras identificam movimentos fora do padrão. Se a pessoa entrou quatro vezes e não comprou nada, essa ação acende um alerta, observamos nas câmeras e, se ela não digitalizou nada e saiu sem nenhum produto, a contatamos. Tentamos minimizar esse tipo de furto com a utilização da tecnologia”, detalha o diretor de marketing.

Entre os desafios da operação, pelo menos nesse início de atividades na loja, em São Paulo, a ruptura é uma das questões a serem trabalhadas. Segundo o que foi notado pela reportagem no dia da visita ao local, existiam muitas gôndolas com falta de produtos, além de itens indisponíveis à venda, pelo fato de não estar devidamente etiquetados.

A respeito da falta de itens, Abramson diz que a Zaitt está aprendendo e agindo sobre o erro. “Ruptura é assunto de grande importância no varejo. A nossa diferença é porque temos poucas semanas de existência e ainda não sabemos qual é o fluxo normal da loja, o que inclui curiosos. Então, não temos claro o giro médio por categoria e, até mesmo, por item”, enfatiza.

Uma vez escolhidos os produtos, é hora de deixar a loja. Na porta de saída, outra tela indica os produtos que se encontram na cesta virtual do cliente (digitalizados pelo sistema Scan&Go ou, automaticamente, incluídos pelo RFID). O shopper confirma as aquisições e pronto, o valor é cobrado diretamente do cartão de crédito cadastrado no app e a saída é liberada.

A proposta da iniciativa é não ter filas, mas, dependendo da quantidade de pessoas dentro do local, a questão não está totalmente descartada, pois existe, apenas, um único sistema de checagem das compras na saída, por onde passa um cliente por vez.

Sem divulgar detalhes de fluxo na unidade da capital paulista, Abramson diz que, nesse primeiro mês da operação, a startup registrou dez vezes mais cadastros (o que significa quem fez o download e foi até o final do preenchimento dos dados) que durante um mês regular, em Vitória, onde a empresa opera a outra loja há mais de um ano, o que já demonstra a boa aceitação da iniciativa na cidade.

A projeção da startup é encerrar 2019 com 20 pontos de venda, o que não está restrito apenas às lojas Zaitt. “A maioria dessas unidades será de terceiros e a nossa proposta é oferecer a solução tecnológica que dispomos a outras empresas. Já existem muitas conversas com a indústria, pelo fato de que há companhias com a ideia de criar loja própria, mas não temos acordo fechado ainda”, esclarece o diretor de marketing, adiantando que, em breve, São Paulo receberá a segunda unidade da Zaitt.

Importante destacar que a novidade que acabou de chegar em São Paulo está movimentando o número 382 da Rua João Cachoeira. Saber como funcionam as primeiras lojas sem checkouts do país aguça a curiosidade do público e instiga o varejo supermercadista a se reinventar. 

por Nathalie Gutierres


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