Entrevista 02:45 - 25 de março de 2019

Nos jardins da PUC, diz que vê com preocupação a economia liberal do superministro Paulo Guedes. Fez ressalvas ao pente-fino do INSS, que pode prejudicar os mais pobres. Sobre a reforma da Previdência, teme por mudanças tímidas e profundamente injustas. Segundo ele, é preciso atacar os problemas principais nesse campo.

Como o senhor vê os primeiros dias do governo Bolsonaro?

Um governo um tanto complicado, primeiro porque o fato de Bolsonaro não ter participado dos debates na época eleitoral não deixou suficientemente claro quais as suas propostas e a profundidade delas. Foi um início conturbado com nomeação de ministros bastante polêmicos. Vejo com preocupação aquilo que se refere à minha área, economia e relações internacionais, porque a ideia de uma economia ultraliberal do governo já é vista com ressalvas na comunidade internacional. Quer dizer, as grandes escolas internacionais estão fazendo uma revisão do liberalismo, algo que o ministro Paulo Guedes e sua equipe trazem sem uma autocrítica para o Brasil. Fala-se muito numa necessidade de autocrítica dos governos de esquerda, eu até concordo, mas é preciso que haja uma reavaliação daqueles que sempre defenderam o liberalismo, a privatização, a desregulamentação no Brasil.

Baseado em que o senhor faz essa afirmação?

No governo Collor e no Fernando Henrique, grande parte desses axiomas, como estado mínimo, abertura comercial e privatização, foi praticada, e, a meu ver, de forma trágica, porque na verdade eles foram implantados e conduzidos de maneira equivocada, com uma abertura apressada da economia, o que gerou um processo de desindustrialização ao longo das últimas décadas. Outro erro: utilizar a política cambial como instrumento de combate à inflação de curto prazo e não de incentivo ao investimento e à produção. Isso é o que está sendo anunciado agora no Brasil, sem uma autocrítica.

Por que atingimos recordes diários na Bolsa de Valores no começo do governo Bolsonaro?

A Bolsa de Valores reage à precificação dos ativos, ou seja, a quanto valem as empresas. Existem vários aspectos que são movidos por expectativa. Essa euforia se dá com perspectiva de privatização, de abertura da economia, porém, nem sempre o que é melhor para a Bolsa e para o mercado é bom para o cidadão, para a sociedade, para a nação. É claro que o mercado tende a antecipar algumas tendências, mas ele vive muito de oscilações, ou seja, ao mesmo tempo em que a Bolsa está subindo, pode cair. É um mercado muito volátil, que tem pouca relação, especialmente no Brasil, com a chamada economia real. Por exemplo, se a gente olha a produção industrial, ela está há anos em crise. A crise na indústria é muito significativa, porque há fatores estruturais que impedem um bom desempenho da produção. Isso só para fazer um contraponto com a euforia que ocorre na Bolsa.

Aponte três erros na economia liberal.

Como economista crítico de origem mais heterodoxa, a gente vê com muita preocupação a ideia da abertura da economia facilitando a importação, supostamente para gerar mais concorrência e beneficiar o consumidor.

Mas os governos Collor e FHC também fizeram isso.

Bom, os liberais brasileiros só foram até a página 2 do manual, fizeram a abertura da economia com a redução dos impostos de importação, mas não ofereceram um ambiente à produção e ao trabalhador compatível com as práticas internacionais. Como consequência disso, houve invasão de produtos importados, o que, num primeiro momento, gera uma euforia no consumidor. Todo mundo gosta de ir ao mercado comprar produtos das mais diferentes origens a preços mais baixos. Só que isso não se sustenta em longo prazo, porque o ideal é fazer uma concorrência leal para que os produtores locais possam também participar. Mas, por que eu tenho que proteger a indústria local? Muito simples: porque aqui são gerados os empregos, a renda, e aqui se pagam os impostos. E o Estado vive do pagamento de impostos.

E quanto aos erros?

Primeiro, a abertura da economia deve ser vista com muito cuidado. Segundo, as privatizações – o melhor exemplo vem dos anos 1990, das telecomunicações e da informática, a meu ver uma tragédia. Estamos melhor do que há 25 anos, mas temos os serviços mais caros do mundo com um tratamento péssimo. Toda privatização pressupõe a transferência da atividade do setor público para o setor privado, mas ela prescinde de uma ação do Estado que ele não pode delegar a ninguém, que é o poder de polícia, o poder de fiscalização e supervisão de todo o processo.

Esse também foi o erro do setor elétrico?

Com certeza, um exemplo trágico de privatização, que resultou no apagão que ocorreu em 2001, porque não houve a contrapartida das empresas privatizadas, dos novos investidores, no aumento dos investimentos. Então, privatizar? Privatizar para quê? Só para gerar caixa para o governo? O que é gerado de privatização como receita se esvai muito rapidamente. É mais ou menos como vender os móveis da sala para pagar a conta do supermercado. Por alguns meses dá, mas o dinheiro acaba e você fica sem nada. Por fim, o terceiro erro, e o mais importante: num país tão desigual, com disparidades regionais tão imensas, desativar o aparato social que se tem é muito grave, porque as pessoas dependem muito disso. Há bons programas como o Bolsa Família e outros, que são excelentemente avaliados pela relação custo-benefício e pelo resultado que trazem. Isso evidentemente prejudica a população mais pobre, justamente a que tem menos voz dentro do processo.

O senhor acha correto o pente-fino que estão fazendo na Previdência Social?

O pente-fino é correto, mas só que tem que ser justo. O que ele chama de pente-fino é prejudicar o mais pobre porque vai exigir que ele “prove” que está deficiente ou com uma doença muito grave, a fim de cortar o benefício. A gestão sempre tem que ser feita com recursos públicos, agora, suspensão pura e simples parece ser uma grande irresponsabilidade, além de ser injusto socialmente. Muitas vezes, uma pessoa de 70 anos em São Paulo nem sequer tem conhecimento ou acesso à internet, tornando-se, portanto, um excluído digital. A realidade brasileira é muito diferente. Se você vai para o interior do Brasil, lá não tem internet, nem sequer tratamento de esgoto. E esse pessoal não tem voz, dá voto, mas não é ouvido.

Falando da reforma da Previdência, o novo governo aposta todas as cartas agora em fevereiro a que preço?

Previdência é uma das pernas do sistema de seguridade social, que inclui os programas assistenciais e saúde. O que eles estão chamando de reforma, na realidade é uma contrarreforma e na verdade não atua sobre os temas principais. Há a questão atual, ligada ao aumento da expectativa de vida, que é uma questão internacional. É um problema, com as pessoas vivendo mais e demandando mais recursos da Previdência, mas não posso pôr tudo isso em um bolo só e chamar de reforma o que na verdade é uma tentativa de cobrar duas vezes aquilo que o cidadão já pagou.

Afinal, a Previdência é um sistema contributivo.

Isso mesmo, e não é nenhum favor do Estado para com o cidadão. Primeiro, você, ao longo da vida útil de trabalho, recolheu de 8% a 11% a título de contribuição para sua futura aposentadoria, assim como seu empregador. A parte do Estado que estava prevista quando se instituiu a Previdência jamais foi colocada. Então temos problema aí. Segundo, se todo esse dinheiro que foi arrecadado tivesse sido bem gerido, o governo teria mais condições de atender aos benefícios hoje, o que não ocorreu. Terceiro, houve uma mistura de contas, como a renda mínima rural, que é um programa assistencial que está no capítulo da seguridade social, mas não pode ser misturado com as contas da Previdência. Então é uma série de distorções e a meu ver essa pressa na aprovação não passa de euforia no mercado. Trata-se de uma reforma tímida, porque não ataca os problemas principais, e profundamente injusta.

Se entrarem os militares na reforma, melhora um pouquinho?

O que eu ouço é exatamente o contrário, a todo momento eles dizem que não vão entrar. Acho que diminui uma das distorções, mas não é a questão total. Uma reforma para valer deveria abarcar todos esses pontos e isso está longe da proposta colocada.

Acabou a crise? Hoje o comércio já reavalia suas metas para 2019. Estamos engatinhando rumo ao crescimento?

No contexto geral, não saímos da crise. A economia está crescendo, mas ela não se recuperou do nível pré-crise. Traduzindo isso em números, havia um determinado nível no PIB anterior à crise, e ele caiu 7% em 2015 e 2016, cresceu 1% em 2017 e 1% em 2018. Então, o nível atual da economia, em média, é 5% inferior ao anterior à crise. O nível do investimento hoje é 25% inferior ao pré-crise. Assim, estamos começando a sair da crise.

O parque produtivo ainda está muito ocioso?

Há muita ociosidade na indústria, há carências evidentes na área de infraestrutura que a gente observa a todo momento. A meu ver, para solidificar esse crescimento, é preciso voltar a atenção para alguns aspectos que têm uma influência muito grande na área do comércio, de bens duráveis, como automóveis, eletrodomésticos, que são atividades que de uma forma geral são muito sensíveis ao crédito. A taxa de juro básica, que é a Selic, caiu de 14,25% em 2015, ao nível atual, que vale desde março passado, que é de 6,5%. Historicamente, é um nível baixo, ainda elevado para padrões internacionais e, pior ainda, a diferença no Brasil entre a taxa de juro básica e aquela que o tomador final – o empresário, o consumidor – vai obter no banco ou no crediário é absurdamente elevada.

Essa variação é cruel?

É claro, a gente convive com essa grande distorção no Brasil. Há uma ganância muito grande do setor financeiro em geral com a prática de juros muito elevados ao tomador final, que não respondem à queda da taxa de juros básica e que é um limitador. Segundo limitador, o nível de desemprego ainda muito elevado: são mais de 12 milhões de pessoas que oficialmente estão no desemprego, mas, em um conceito mais amplo, o próprio IBGE reconhece a existência de 27 milhões de desempregados. Para uma recuperação mais firme, mais sólida da economia, é preciso resolver esses gargalos. Necessitamos de mais investimentos do Estado e da atividade econômica, mais financiamentos, atacar a questão do desemprego e da renda das pessoas, e tudo isso só se faz com mais atividade econômica.

Falar de financiamento ao consumidor é complicado... Não podemos repetir o que houve dez,15 anos atrás, quando as pessoas tiveram uma corda para se enforcar e a inadimplência atingiu índices estratosféricos?

Sim, por isso é que o primeiro item de que falei é a cobrança da taxa de juros, em que você tem que oferecer financiamento a taxas civilizadas. O Brasil não as tem, precisamos contar com a contribuição do setor financeiro, que passou incólume pela crise. Lucro não é pecado, o problema é quando só um setor tem lucro em detrimento dos demais.

Qual a chance de isso acontecer?

Essa não é uma questão econômica e, sim, política. Então, se as pessoas não veem isso como problema, não exigem dos seus dirigentes, na eleição, por exemplo, uma proposta para isso e simplesmente entregam quase que um cheque em branco. Se não há uma pressão da sociedade, provavelmente isso não vai ser resolvido, não apenas pelas forças de mercado. O aprimoramento da democracia no Brasil passa por maior participação dos cidadãos, das entidades representativas, porque é um absurdo num país como o Brasil, uma das dez maiores economias do mundo, 210 milhões de potenciais consumidores conviverem com atrofia de crédito. Isso não é de agora, é de muitos anos.

Para o segmento de supermercado, qual deve ser o comportamento nos próximos dois anos?

Eu vejo nesse setor um esforço de diminuição de custos operacionais, de ampliação e diversificação da oferta, apresentando novas marcas, alternativas de pagamento e financiamento para o consumidor, o que me parece muito positivo. Tudo isso é uma dinâmica muito interessante, no entanto, a expansão do setor vai custar a aparecer pelas questões macroeconômicas citadas anteriormente. Ou seja, o desemprego ainda está muito alto entre a população. Com o orçamento restrito, o crédito e o financiamento permanecem caros e escassos. Todos esses fatores vão impedir uma maior expansão, mas certamente 2019 terá um crescimento superior ao que tivemos no ano passado.

Para você, a educação é a chave de tudo. Qual a decisão certeira que pode mudar a história?

A decisão certeira é aprofundarmos a democracia brasileira. A meu ver, nós acabamos de ter um exemplo de antidemocracia, um candidato que acabou sendo eleito e se recusou a debater com a sociedade. Não foi só com seu oponente que ele não debateu, ele não debateu com a sociedade brasileira. Então nós precisamos aprofundar o debate das grandes questões nacionais, a sociedade brasileira precisa ser mais participativa no sentido de exigir dos seus governantes, apesar de já eleitos. A apresentação de propostas para os graves problemas nacionais vale tanto para o Executivo como para o Legislativo.

Até quando vai a lua de mel do governo com a sociedade e o mercado?

Vai se esvair rapidamente. É muito difícil estabelecer uma data, mas em geral não dura muito para nenhum governo. E num governo tão atrapalhado como o atual, que tem feito grandes erros, a lua de mel será mais curta. Isso é um risco para o país? É um risco economicamente falando porque se cria uma euforia, refletida muito no comportamento dos mercados, que tende a não se confirmar, pelo menos não com essa intensidade. Na prática, isso sim representa um risco, e a economia pode desandar ao longo desse processo.

O governo Bolsonaro trabalha sem estratégias claras?

Esse é o maior erro da nova gestão. Como não houve debate, ocorre um improviso muito grande. Há quatro focos de poder dentro do governo. Primeiro, o núcleo político, comandado pelos políticos tradicionais. Segundo, o núcleo da Justiça, com essa visão correta do combate à corrupção, mas isso não pode impedir e atravancar as outras áreas. Terceiro, o núcleo militar: nunca tivemos tantos militares quanto agora em termos de ministérios e órgãos importantes, e um quarto, que é o Superministério da Economia, que por si só já no nome traz um problema, porque se com quatro ministérios nessa área – Fazenda, Planejamento, Ciência e Tecnologia, Indústria e Comércio Exterior – já era difícil conduzir todos os órgãos, imagine com tudo isso junto. Tenho muita dúvida se isso de fato vai funcionar e são essas as questões que se apresentam. O tempo dirá se elas responderão a esses desafios brasileiros.

De que forma o crime organizado pode afugentar investidores? Hoje o que se vê é a perda do controle por parte das autoridades.

Exatamente, a questão da segurança de uma forma geral é um fator considerado na análise de risco dos investidores, não apenas as questões econômicas, políticas e sociais. Então, não há como separar o risco da criminalidade e da insegurança das decisões da economia.

A presença do capital estrangeiro no país resolve todos os nossos problemas?

Estudo há muitos anos o papel do capital estrangeiro nas economias nacionais. Mesmo nos casos conhecidos, em que o investidor estrangeiro tem um papel muito relevante, do total dos investimentos realizados em infraestrutura, construção civil, máquinas e equipamentos, ou seja, a formação bruta de capital, historicamente o investimento estrangeiro nunca passa de 15%. Então, 85% do investimento é local. Isso é muito importante a gente ter em mente quando olha o Brasil. ‘Ah, o investimento estrangeiro colabora.’ Colabora se ele for bem utilizado, mas ele será apenas complementar. Se nós não recuperarmos a capacidade de investimento do Estado brasileiro e do setor privado, não vamos construir as bases para um crescimento de longo prazo. O investidor estrangeiro olha os riscos. Por força da minha profissão – além de professor tenho uma consultoria –, convivo muito com consultoria na área econômica e com investidores. O investidor, não o especulador, que quer ficar 20 anos olha todos esses riscos, mas vê também as oportunidades.

E por aqui temos muitas, não é?

No Brasil há uma carência enorme de todas as áreas, como transporte, energia, mas o país é uma potência energética, tanto em termos de energia fóssil com o pré-sal quanto de energia renovável. Existem enormes oportunidades. Evidentemente, olhando para o futuro e pensando nos impactos para o setor do varejo, especialmente o supermercadista, apresentamos um cenário para os próximos anos muito alvissareiro, principalmente se as grandes questões econômicas e sociais forem resolvidas. Mas isso não ocorrerá só com o discurso que está presente no governo Bolsonaro nem com o do Paulo Guedes, que é tudo via mercado. O Estado vai ter que conduzir esse processo. Vamos precisar de políticas públicas, políticas industriais, políticas de financiamento. Eu noto que há muita bravata sendo dita sem o necessário aprofundamento da questão como com o papel dos bancos estatais e regionais.

Em relação à desaceleração das grandes potências – fala-se em recessão nos EUA já em 2020, a China está muito preocupada com o consumo – nós vamos na contramão delas, quando começamos a sair da crise...

Normalmente, o Brasil, com alguma defasagem, é muito dependente dos ciclos da economia internacional. Então, de fato, estamos no início de um processo de recuperação que pode ser abortado também por questões internacionais, porque há hoje uma disputa muito grande entre as grandes potências. A Europa enfrenta os próprios problemas de formação da Comunidade Europeia, da região do euro e tudo isso pode, sim, impactar negativamente no crescimento do Brasil. Então, uma desaceleração global com uma queda de preço das commodities, que são os produtos exportáveis pelo Brasil, e uma carência de recursos, de financiamento e investimento estrangeiro vão dificultar muito o crescimento brasileiro.

Falta vontade política para pôr esse Brasil de pé como a gente merece?

Eu acho que sim, mas o que é vontade política? Vontade política não deve vir só do governo e do Legislativo. Ela deve vir da gente também, dos cidadãos. Eu vejo que somos pouco exigentes com relação aos nossos governantes e representantes do Legislativo, e em geral participamos pouco, exercemos pouco a cidadania.

Isso tende a piorar daqui em diante?

Não sei, o futuro é incerto e não sabido. A gente é muito instado, como economista, a projetar o futuro, mas o que o economista honesto faz é desenvolver prognósticos com base na escolha de variáveis e possíveis tendências. Então hoje educação é um problema que não depende só da escola. A escola vai formar as pessoas em termos humanos e profissionais, mas a educação para valer vem do berço. Eu estava falando da sociedade brasileira, e, só para lembrar, uma das dicotomias da sociedade brasileira é que ela valoriza o fator educação, mas não o pratica.

Qual o maior desafio do governo Bolsonaro?

Apresentar à sociedade brasileira a sua estratégia e as ações que propõe para resolver os graves problemas brasileiros.

A Pontifícia Universidade Católica (PUC-SP) é a casa do paulistano Antonio Corrêa de Lacerda. Formado em Economia pela instituição, só saiu para fazer o doutorado na Unicamp, retornando em seguida para obter o título de professor-doutor na PUC. Hoje é o diretor da Faculdade de Economia e Administração da universidade. Ele atua no Conselho de duas renomadas entidades: Fiesp e CNI. É sócio-diretor da ACLacerda Consultores Associados. Autor de 12 livros, entre eles Economia Brasileira, Lacerda já ganhou o Prêmio Jabuti da Câmara Brasileira do Livro com o título Desnacionalização. O professor recebeu a reportagem da SuperVarejo para falar dos primeiros dias do governo Bolsonaro, que ainda vive uma lua de mel. 


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