Notícia 11:14 - 17 de novembro de 2020

A experiência é um ponto-chave no varejo, segmento que, para encantar e fidelizar consumidores, precisa ir além da simples entrega de produtos ou serviços. Com a transformação digital, as tecnologias imersivas ganham projeção como recursos capazes de promover experiências em qualquer ambiente – seja ele o próprio ponto de vendas ou a residência do shopper. É o caso da realidade aumentada (RA), mecanismo que já vem sendo utilizado pelos supermercados há algum tempo, mas que cresce como tendência impulsionada pela expansão do omnichannel no setor.

“Realidade aumentada é a tecnologia que permite a criação de elementos virtuais sobre a realidade física, como se fosse um holograma muito real”, explica o head de XR da More Than Real, Marcos Trinca. “Através das câmeras e lentes, principalmente de nossos aparelhos celulares, podemos projetar um objeto, integrado ao ambiente físico onde os consumidores estão, de maneira super-realista”, acrescenta.

Trinca sublinha que esse mercado está em franca expansão. “De acordo com ReportsnReports, consultoria de pesquisas de mercado, a previsão de investimento em RA para 2023 é de R$ 247 bilhões, esse número é bastante interessante, pois demonstra o quanto os investidores acreditam que essa tecnologia trará soluções para diversas áreas da vida humana”, revela, assegurando que uma das áreas que mais deve investir em RA é o varejo.

Realidade aumentada x realidade virtual

Tanto a realidade aumentada quanto a realidade virtual são consideradas tecnologias imersivas, isto é, elas usam recursos digitais para colocar o usuário em um contexto diferente daquele em que se encontra no momento. Entretanto, são tecnologias distintas que promovem diferentes experiências de imersão.

“A realidade aumentada cria uma camada de informação virtual que se manifesta sobre o mundo físico”, descreve Trinca. Dessa forma, é possível criar interações digitais no próprio ambiente. Muitos aplicativos usam esse recurso para jogos, por exemplo, mas as possibilidades de aplicação da tecnologia são inúmeras.

“Já a realidade virtual tira o usuário completamente do mundo físico e o ‘teletransporta’ para um ambiente em que esta pessoa não está presente fisicamente. Esse ambiente virtual pode ser completamente criado em computadores, como um jogo, por exemplo, ou pode ser uma gravação com câmeras especiais que te permite, por exemplo, assistir a um show ao vivo em Paris, mesmo que teu corpo esteja em São Paulo.”

Jornada de compras imersivas     

A camada de informação virtual que a realidade aumentada consegue acrescentar ao ambiente é uma ferramenta extremamente poderosa quando usada pelo varejo. Ao adicionar novos elementos no momento decisivo da compra, as redes conseguem mostrar outras possibilidades interessantes e que façam sentido para o consumidor.

Para os supermercados, a principal vantagem da RA está na possibilidade de criar elementos ao redor dos produtos. “Imagine, por exemplo, que eu estou andando por um corredor cheio de cafeteiras e que posso apontar a câmera do meu celular para uma máquina de café. Imediatamente uma camada de informação visual surge ao redor desse produto, trazendo toda a variedade de bebidas que essa cafeteira pode fazer”, demonstra Trinca. Dessa forma, a loja está apresentando um argumento a mais que tem muito poder de influenciar a compra.

A realidade aumentada também tem aplicação em ações promocionais. “No ano passado fizemos uma ação de Páscoa dentro do Extra Supermercados que permitia aos usuários participar de uma ‘gincana’ para encontrar os ovos que estavam em promoção. Diversos ‘woblers’ foram espalhados pelo mercado e, ao apontar a câmera do celular para estas peças, um coelho de Páscoa pulava em frente ao consumidor, dançava e jogava na tela do celular uma cartela que poderia ter um desconto exclusivo para a compra de um produto.”

O jogo desenvolvido criou uma experiência única e divertida associada a ofertas exclusivas. Para participar, os clientes deveriam acessar o aplicativo do Extra e percorrer a loja. “Ao encontrar a tag, visível por meio da experiência de RA, o coelhinho da Páscoa Extra comemorava fazendo a dança floss e, caso essa experiência fosse a ‘premiada’ com desconto exclusivo, o coelhinho lançava um banner na tela do celular desse consumidor”, conta.

“A ação foi um sucesso, inclusive, dados revelam que mais de 50% das pessoas que usaram a realidade aumentada, de fato, realizaram a compra do produto e que isso gerou uma venda incremental de quase R$ 1 milhão. Esse é um exemplo de ação que pode ser feita no PDV, pensando no engajamento do consumidor.”

Além da jornada promocional, a realidade aumentada pode ser utilizada para permitir que o cliente consiga visualizar o tamanho real dos produtos que estão dentro das embalagens, projetando-os na sua frente. É possível, ainda, testar variedades de um mesmo item, como cores e formatos.

Experiência imersiva em casa

Neste ano de isolamento provocado pela pandemia de covid-19, a realidade aumentada está muito utilizada para promover experiências dentro de casa. No Shopping Center Norte, a tradicional visita ao Papai Noel não ocorrerá presencialmente, mas poderá ser feita de qualquer lugar para quem acessar o aplicativo ‘Natal Center Norte’. A assessoria de imprensa do grupo informa que o app permite, inclusive, que seja feita a foto com a família para guardar de recordação. Além disso, os usuários poderão se divertir com um game natalino.

A imersão tem sido um recurso para driblar as barreiras e permitir a aproximação das marcas com os consumidores. Para quem passou a fazer as compras online, essa tecnologia não é só uma ferramenta que permite a interação e a diversão, mas também tem aplicação prática. “É nessa hora que a realidade aumentada pode ser usada com muita maestria, principalmente, por permitir que os produtos sejam ‘materializados’ nas casas das pessoas”, evidencia Trinca.

Os exemplos para esse tipo de uso são inúmeros. A utilização mais simples está na possibilidade de ver a embalagem de um produto em tamanho real e de ler o seu rótulo, como se o comprador estivesse no PDV. Para itens decorativos ou que ocupam maior espaço no imóvel, é possível projetá-los no ambiente, como uma TV. Assim, o cliente consegue avaliar se o equipamento cabe na sua estante ou não, por exemplo.

O que vem pela frente

As perspectivas para a realidade aumentada são positivas, sustenta Trinca. Um ponto importante é que a tecnologia está cada vez mais disponível, podendo ser acessada por meio de “qualquer celular e de maneira generalizada para toda a população, mesmo em aparelhos de classes C e D”.

Ganham força, também, os novos dispositivos, como óculos e lentes de contato com realidade aumentada. “O Facebook, recentemente, anunciou um projeto junto a RayBan para produção de óculos que já terão a capacidade de projetar os objetos e as informações virtuais sobre o mundo físico diretamente a partir da lente”, exemplifica.

“Uma outra iniciativa foi o lançamento de um modelo de automóvel da Mercedes que já traz o vidro da frente com realidade aumentada, sendo projetada a partir do próprio para-brisa. Muito em breve a população deixará de usar as telas dos celulares, e o mundo passará a ser uma grande tela com diversas camadas de informação projetadas sobre a realidade física.”

Imagem de capa: iStock


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