Notícia 14:53 - 02 de dezembro de 2019

Retirar aquele item do freezer e, em questão de segundos, servir um almoço ou jantar delicioso, é uma possibilidade interessante para quem tem uma rotina corrida. Atualmente, há uma variedade de pratos que atendem a essa necessidade, com produtos para todos os gostos e que, combinados entre si, rendem uma refeição completa.

Tantos benefícios permitem que esses itens ganhem cada vez mais mercado entre as famílias brasileiras. Pesquisa realizada pela Euromonitor International prevê que as vendas no varejo, para o consumidor geral, devem atingir R$ 3.339.000 em 2023, contra R$ 1.275.000 registrados em 2013 e R$ 2.324.400 pontuados em 2018. A expectativa de crescimento entre 2018 e 2013 é de 7,5%.

Para o professor de MBA da Fundação Getulio Vargas (FGV), Ulysses Reis, o setor está em expansão, ganhando mais força. “Nos últimos dez anos, a indústria trabalhou bem, melhorando o sabor, aumentando a praticidade e ampliando a conveniência de uso. Atualmente, ao receber alguém em casa, não é mais inconveniente oferecer um congelado”, diz. Ele lembra outros diferenciais importantes: muitas das embalagens são biodegradáveis e as porções para consumo são menores, o que evita o desperdício. Essas ações vão ao encontro de um tema bem relevante, o da sustentabilidade, uma das principais tendências no mercado de alimentação.

Uma boa experiência de compra

No PDV, os expositores refrigerados com portas ou tampas já melhoraram a circulação pelas ilhas de congelados, afinal, a baixa temperatura pode comprometer a experiência de compra. Hoje em dia, é essencial que o shopper possa visualizar o sortimento de produtos, marcas e preços oferecidos sem se expor às baixas temperaturas, abrindo o refrigerador apenas para retirar o que lhe interessa.

Segundo Reis, a capacidade de tornar esse momento ainda mais confortável para o consumidor poderia alavancar as vendas da categoria. Ele dá exemplo de uma ação desenvolvida pela rede de varejo estadunidense, a Costco, que, em dez anos, saiu do 19º lugar de vendas, em faturamento, no mundo, para conquistar o 2º lugar.

“Eles conseguiram esse resultado resolvendo situações simples do dia a dia do consumidor. No caso dos congelados, por exemplo, colocaram um papel toalha junto ao refrigerador, para que o cliente, após comprar os itens de sua preferência, pudesse secar as mãos”, esclarece.

Além disso, a rede decidiu abastecer o freezer da loja com mais frequência, após pesquisar os itens de maior saída, para não precisar manter a temperatura tão baixa no setor. “Uma temperatura tolerável e um sortimento bem exposto fez com que as vendas aumentassem”, confirma o docente.

Outra dica é escolher, estrategicamente, onde instalar os refrigeradores. “Os alimentos prontos congelados devem ser mais explorados em corredores de oportunidade nos supermercados, mais próximos dos caixas, por exemplo”, indica o especialista em projetos e experiência de varejo da empresa Varejo Extreme, Deyvis Andrade. Ele garante que a mudança pode trazer benefícios: impulsionar as compras de oportunidade, além de ajudar a manter a refrigeração dos alimentos, pois o consumidor vai pegá-los já no momento de se dirigir ao caixa.

Expositores com portas ou tampas já melhoraram a circulação pelas ilhas de congelados, pois as baixas temperaturas comprometem a experiência de compra

Um estudo desenvolvido pela Mind Shopper apontou que os pratos prontos congelados normalmente constam da lista de compras: 69% dos consumidores planejam essa aquisição. Mesmo entre os que não tinham a intenção de consumir esses itens, porém, quase 45% acabam por ceder ao passar pela seção. “Vale colocar lembretes e comunicados na loja para facilitar a localização dos congelados em outros pontos, além do setor específico”, diz o gerente de Projetos da Mind Shopper, Cristiano Samara.

Saudabilidade: o desafio da indústria

A categoria de pratos prontos congelados vem registrando alta entre as classes AB e C, compreendendo, inclusive, a população que trabalha em tempo integral e não dispõe de um período livre para se dedicar à alimentação da família. “Lançamos diversos produtos voltados à saudabilidade e acreditamos que esse é um diferencial, um elemento que pode agregar valor ao negócio como um todo”, avalia o diretor executivo de marketing da Seara Ali- mentos, José Cirilo.

A Seara desempenha um papel estratégico junto ao varejo, disponibilizando degustações e abordagens que incentivam a compra e a experimentação. “Apostamos em ativações como encartes com informações especializadas, trocas com brindes e ações no formato ‘compre e ganhe’ para chamar a atenção do shopper”, revela.

Já a marca Pif Paf Alimentos, por meio de monitoramento de tendências, procura acompanhar as novas demandas de consumo. “Cada vez mais, desenvolvemos alimentos reduzidos nos níveis de açúcares, gorduras e sódio, além de oferecer opções a quem tem restrições alimentares”, afirma o gerente de trade marketing da marca, Alysson Miranda. Na linha de pães de queijo, por exemplo, a empresa dispõe de um produto para quem tem intolerância à lactose.

A BRF, detentora das marcas Sadia e Perdigão, garante que os produtos de fabricação própria são livres de conservantes de- vido à técnica de congelamento que conserva os alimentos, garantindo sabor original. “Realizamos, ainda, pesquisas que nos ajudam a entender as tendências e as necessidades do consumidor”, confirma a gerente executiva de marketing da categoria congelados da empresa, Luzia Goldbeck.

A BRF traz como lançamento o hambúrguer empanado de frango da Sadia, enquanto a linha Meu Menu Perdição ganhará, em breve, nova versão com proteínas. “O empanado foi desenvolvido com base nesses estudos que apontaram que o consumidor quer mais opções dentro dessa categoria”, ressalta Luzia.

Aliás, o incremento na procura por pratos prontos congelados está muito associado àqueles que trazem certo grau de saudabilidade. “Um produto final com características de saudabilidade depende não somente da receita, mas da qualidade e da procedência dos in- sumos, por isso, fazemos um trabalho constante de prospecção de novas soluções”, as- segura o gerente de marketing da Duduxo Alimentos, Thanius Sarchis. A marca atende os maiores atacadistas do Brasil, trabalha com alimentos sem glúten e observa muita receptividade no mercado. “Nossa perspectiva é de crescimento anual de 15% para os próximos três anos. Estamos investindo em expansão, com lançamentos interessantes programados para 2020”, finaliza.

Ações para apresentar benefícios

“O tratamento de insumos básicos para o preparo de alimentos congelados melhorou muito o sabor desses produtos mas, no PDV, o cliente continua escolhendo um ou outro pela imagem”, critica Reis. Portanto, investir em degustações é primordial. Ainda existem ressalvas em relação à qualidade, à textura e ao sabor do alimento, e o modo mais efetivo de desmistificar alguma opinião negativa é estimular a experimentação. “Na degustação, o consumidor pode conhecer mais sobre o produto e seus sabores, além de receber dicas sobre a melhor maneira de prepará-los, aumentando, inclusive, a chance de recompra”, garante Samara.

Alimentos prontos congelados podem ser explorados em corredores de oportunidade, próximos ao caixa, por exemplo

Aliás, informação é item imprescindível para trabalhar de forma eficaz a categoria. No PDV, é indispensável que o shopper seja orientado a respeito dos benefícios oferecidos, além da praticidade. As pessoas buscam algo mais prático e rápido, sem abrir mão do sabor. “Promoções, lançamentos e comunicados sobre sabor são elementos de alta eficácia no PDV. O shopper precisa enxergar os congelados prontos como um item de escolha, não mais um quebra-galho”, alerta o diretor de planejamento e branding da Varejo Extreme, Bruno Binati.

Em breve, equipamentos poderão ampliar essa comunicação com esclarecimentos dos itens, prazos de validade e explicações complementa- res. Isso já vem ocorrendo em várias áreas do varejo e também deverá abranger a categoria de congelados. “Por meio de um QRcode, o consumidor poderá ter o máximo de informações sobre o produto escolhido, afinal, cliente busca praticidade e conveniência, mas não quer abrir mão da saudabilidade”, reitera Reis.

Segurança garantida

A cadeia de congelados envolve produzir, transportar, armazenar e vender. E, para que o produto chegue ao final do processo com as principais propriedades preservadas, é determinante avalizar a segurança desse alimento com relação ao controle higiênico-sanitário.

“É fundamental que toda a cadeia respeite a necessidade de manter a temperatura e fazer os controles devidos, para dar a garantia de um produto seguro, em termos de contaminação alimentar, em termos de frescor e paladar após o descongela- mento”, esclarece a nutricionista consultora da Casa Santa Luzia e diretora da Gastronomia Nutritiva Consultoria, Andrea Esquivel. Na prática, o básico é evitar aquele “congela e descongela” que faz o alimento perder as características, comprometendo a degustação. Nessas ocasiões, o item pode estar sanitariamente seguro ainda, mas não esteticamente ou com textura/paladar adequados.

É de suma importância que o supermercadista fique bem atento para não correr o risco de comprometer a qualidade do produto ofertado ao consumidor. Portanto, desde o recebimento até a venda, a responsabilidade pela refrigeração adequada é do supermercado, que deve manter esse tipo de alimento entre -35º e-18º C. O controle já começa no recebimento, quando um termômetro tem de ser usado para aferir se a temperatura se manteve durante o transporte. Depois disso, os produtos requerem armazenamento imediato, para que não sofram com a variação de temperatura. A câmara de armazenamento necessita ser checada regularmente. “No expositor, esse acompanhamento também precisa ser frequente, pois, mesmo que esteja congelado, entre -10º ou -12º C, a qualidade do alimento já poderá ser comprometida”, detalha Andrea.

No tocante à exposição, a nutricionista também faz algumas recomendações: “O próprio PDV pode oferecer kits, jantares e sopas que podem ser preparados com boa orientação nutricional, em porções individuais ou para duas pessoas, aproveitando essa busca por conveniência e saudabilidade”.

De acordo com Andrea, o supermercado consegue ser mais ativo e não funcionar apenas como um autosserviço. Ela orienta o varejo a apresentar ideias para o consumidor, ajudando-o a escolher melhor e, inclusive, enfatizando as novidades apresentadas pela indústria no que diz respeito à saudabilidade.

SHIBATA SUPERMERCADOS: DEGUSTAÇÕES E VENDAS CONSULTIVAS

Logo na entrada do Shibata Supermercados ficam posicionados os refrigeradores dos alimentos congelados.

Essa localização tem um propósito: todo cliente precisa circular pela categoria, sendo sempre orientado a escolher os itens que irão compor a lista de congelados na hora da saída, para manter, ao máximo, a temperatura ideal desses alimentos.

A rede de 43 anos, conta com 25 lojas no estado de São Paulo e procura dar uma atenção especial aos congelados. “A categoria de semiprontos tem participação fundamental nas vendas do setor de frios, com evolução acima de dois dígitos nos últimos anos”, afirma o gestor de frios, André Aguiar.

Ele conta, ainda, que os campeões de vendas são as lasanhas, mas pizzas, lanches e massas recheadas congeladas não podem faltar no mix. “As lasanhas tamanho família, por exemplo, têm uma forte venda em datas sazonais, como Dia das Mães e final de ano”, revela.

Os dados corroboram com a ideia de que a comida congelada não se presta apenas às situações de emergência. Nessas datas especiais, as vendas chegam a triplicar.

A rede promove reuniões frequentes com as áreas comercial e de marketing das indústrias, a fim de antecipar novidades e atender às demandas do público. “Entre os nossos canais de relacionamento, a gerência de loja dá um destaque especial aos desejos de nossos clientes, repassando e agilizando o processo de introdução do produto solicitado”, explica.

Ele conta que os anúncios em tabloides, mídia digital e ofertas na TV aumentam muito a procura. E as degustações são capazes de elevar as vendas entre 20% e 30%. “Contamos com a parceria de nossos fornecedores para as degustações, ocasião em que o consumidor pode obter informações sobre benefícios dos produtos, receber dicas de preparo e até de como ‘gourmetizar’ os pratos prontos.” As equipes do supermercado também estão capacitadas para as vendas consultivas, pois isso aproxima o shopper e impulsiona o interesse pelo produto.

PALAVRA DA ESPECIALISTA

A professora-doutora do Departamento de Alimentos e Nutrição da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), Cinthia Baú Betim Cazarin, fala sobre a segurança alimentar dos pratos congelados. Confira!

SV: A categoria de alimentos congelados e ultracongelados – pratos prontos ou para preparar em casa – está mais seguro?
CBBC:
Seguindo todas as recomendações do fabricante em relação à conservação e regeneração no momento do consumo, sim. Um ponto-chave é a manutenção da cadeia do frio, pois é o que garante a segurança dos alimentos.

SV: Existe tecnologia nas indústrias para elaborar pratos congelados mais saudáveis?
CBBC:
Com certeza a indústria possui tecnologia e, nos últimos anos, muitas pesquisas têm sido desenvolvidas de forma a ampliar a oferta de alimentos com apelo de saudabilidade aos consumidores. Mas devemos lembrar que a definição de uma alimentação saudável deve levar em consideração todas as refeições e o estilo de vida do indivíduo, e não apenas uma refeição pontual.

SV: Quais os principais desafios para que se possa oferecer opções práticas, saudáveis e seguras nutricionalmente? A redução de sódio, por exemplo, é um desafio importante?
CBBC:
Em resposta a uma demanda crescente, a indústria tem buscado desenvolver produtos com redução de sódio, a exemplo do que acontece com produtos como presunto, atum, palmito, sopas instantâneas e comida congelada em geral. Entretanto, devemos nos atentar ao fato de que alterações no teor de sódio podem levar a alterações na percepção sensorial do produto. De qualquer maneira, os serviços de alimentação estão cada vez mais personalizados para atender a esse tipo de necessidade. Ao mesmo tempo, os consumidores ficam mais atentos à questão da qualidade nutricional dos alimentos.

SV: O que há de mais moderno no processo produtivo de alimentos congelados? Isso evoluiu nos últimos anos?
CBBC:
Sim, evoluiu bastante. Na área de Food Service, temos tecnologias que garantem a produção antecipada de alimentos com segurança, para regeneração posterior. Nesse sentido foram desenvolvidos diversos equipamentos como o forno combinado, blast-chiller, entre outros que viabilizam a utilização, por exemplo, da técnica cook-chill ou cook-freeze, na qual a produção é realizada com antecedência, com segurança e garantia de qualidade dos produtos. O processo é o mesmo para os congelados, podendo variar o equipamento utilizado para resfriar/ congelar o alimento.

ENXUTO SUPERMERCADOS: DIVULGAÇÃO DA CATEGORIA AMPLIA VENDAS

Recentemente, a rede Enxuto Supermercados promoveu uma campanha para destacar o setor de congelados e chamar ainda mais a atenção do shopper. Em parceria com uma marca, o Festival de Pratos Prontos teve um folheto exclusivo, com divulgação nas mídias sociais e exposição destacada no PDV. Conforme a gerente de compras de perecíveis da rede, Ana Paula Pacheco, o resultado foi positivo. “A ação durou 20 dias, com 23% de aumento nas vendas”, certifica.

A rede, com 56 anos e seis unidades no estado de São Paulo, observou a ascensão, nessa categoria, de 11% no primeiro semestre deste ano em comparação ao anterior, sinalizando essa potência dentro do departamento de perecíveis, em que a participação já é de 13%. “As indústrias estão se movimentando e criando alimentos mais saudáveis e saborosos, oferecendo produtos com menor índice de sódio e conservantes, além de versões integrais, vegetarianas e veganas, que são as novas tendências e ganham cada vez mais espaço nas gôndolas”, considera.

A gerente enumera, ainda, os pratos prontos congelados com maior giro: empanados (26% nas vendas), lasanhas (25%), pratos (8%), pizzas (7%) e sanduíches (6%). “Nosso departamento de gerenciamento por categoria realiza análises a cada quatro meses que se referem ao mix e às marcas trabalhadas, para ampliar ou diminuir o sortimento de acordo com a demanda”, conclui.

PREZUNIC: REDES SOCIAIS PARA AMPLIAR DIVULGAÇÃO

"Os congelados semiprontos têm excelente procura e participam com 30% da venda de perecíveis industrializados no Prezunic”, confirma o gerente de perecíveis do Prezunic, Leonardo Nunes. Ele explica que os congelados oferecem uma margem de lucro maior, com prazo de validade mais elevado, sendo bastante vantajoso para o varejo de forma geral.

Por isso, a rede realiza diversas ações como promoções de ‘leve e ganhe’ e degustações. Além disso, investe muito em ativações nas redes sociais, pois a categoria tem ampla procura entre o público mais jovem. “O consumo tem aumentado por conta da praticidade, da variedade do cardápio e da redução do desperdício. Há um incremento especial nos grandes centros em que muita gente mora sozinha e vê nessa opção algo mais prático para o dia a dia”, fala Nunes.

Na rede Prezunic, com 17 anos e 30 lojas no Rio de Janeiro, a lasanha congelada é o item mais vendido entre os congelados semiprontos. E vem aumentando a busca por embalagens individuais. E Nunes acredita que essa procura deve crescer ainda mais, pois a indústria tem feito um trabalho importante de aproximar os congelados semiprontos da saudabilidade, utilizando ingredientes mais saudáveis no processamento.

 


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