Notícia 15:27 - 12 de julho de 2019

Somando mais de 40 anos de atuação em supermercados, gerente de loja mostra que, com amor e dedicação, não há empecilhos para o sucesso no setor

A maior parte da história de Roberto Dias foi escrita dentro de um supermercado. E ele demonstra, com brilho nos olhos, essa relação com o setor. Hoje, gerente do Supermercado Santa Gemma, localizado no bairro da Vila Clementino, na zona Sul de São Paulo, ele soma mais de quatro décadas de atuação no segmento.

Filho caçula de três irmãos, Dias, atualmente com 61 anos, nasceu no interior paulista, na cidade de Vera Cruz, a 430 quilômetros da capital. Quando criança, se mudou com a família para o interior paranaense, onde cresceu e, desde muito jovem, ajudava o pai na lavoura.

Em 1975, antes de completar 17 anos, retornou com a família ao estado de origem. Foi aí que o destino do jovem se cruzou com o supermercado. “Voltamos para São Paulo, em 15 de janeiro de 1975, e, no mês seguinte, no dia 6 de fevereiro, comecei a trabalhar na Casas da Banha”, lembra Dias, com exatidão das datas.

A Casas da Banha foi uma grande rede de supermercados criada na década de 1950, sediada no Rio de Janeiro, e que contava com mais de 220 lojas espalhadas pelo país

A trajetória inicial nessa rede já demonstrou a afinidade de Dias com o setor, pois a perspectiva de carreira era promissora. “Comecei a trabalhar como repositor e, rapidamente, fui trocando de função. Passei pelo cargo de encarregado de loja, subgerente de loja e, aos 22 anos, já era gerente de loja. Mas nunca tive moleza”, lembra, detalhando os esforços para conquistar a posição, mesmo sendo tão jovem.

Sua desenvoltura para resolver as inúmeras adversidades presentes no dia a dia de um supermercado foi destaque logo no começo da carreira, ainda na Casas da Banha. “Por causa do meu desempenho, a diretoria só me colocava em lojas problemáticas, e eu ‘as consertava’”, esclarece, com bom humor.

No histórico de Dias no cargo de gerente nessa rede consta a administração das melhores unidades do grupo, além de ter participado da inauguração de outras. E não demorou muito para que ele assumisse outra função. “Nessa época, houve a oportunidade de ser supervisor de lojas, ficando responsável por toda a área de confecções e eletrodomésticos do grupo, em São Paulo e no Rio de Janeiro. Então, fiquei um período nesse vai-e-vem entre as cidades”, recorda.

A Casas da Banha não foi apenas o primeiro supermercado em que Dias trabalhou. Foi lá, também, que ele conheceu a esposa, com quem é casado há mais de 30 anos

Duas empresas em 35 anos

Na Casas da Banha, Dias somou 17 anos de atuação. O vínculo só chegou ao fim por conta do encerramento das atividades da companhia, no início da década de 1990. Com a sólida bagagem que já apresentava, rapidamente ele começou a dar expediente em outro grupo. “Fui convidado a inaugurar a primeira loja do Futurama (rede paulista de supermercados), em 1992”, conta.

No Futurama, Dias permaneceu outro longo período, totalizando 18 anos. “Gerenciei uma das maiores lojas do grupo. A decisão de deixar a empresa foi minha. Quando saí de lá, deixei a rede com dez lojas”, relembra, ao fazer um comparativo da evolução do grupo no período em que integrou o time.

Dias mantém o vigor em suas atividades, com expediente diário em torno de 12 horas, dedicado a oferecer seu melhor ao supermercado

Foi durante esse tempo, na transição entre a Casas da Banha e o Futurama, que Dias vivenciou os críticos mometos do Brasil em meados da década de 1990. “Sobrevivi a todas aquelas épocas do Plano Cruzado, Plano Verão e Plano Collor. Diante dessa desordem no país, manter uma loja organizada foi um desafio enorme. E nunca deixei cair as margens. Isso é algo que não se aprende em faculdade”, afirma.

Esses foram alguns dos planos que o país teve para a estabilização da economia brasileira, na tentativa de controlar a inflação

Ao deixar o Futurama, a próxima parada de Dias foi na Coop, nome pelo qual é conhecida a Cooperativa de Consumo, com forte atuação na Grande São Paulo e no interior do estado. “Comecei a trabalhar na rede em São Vicente (cidade do Litoral Sul paulista). Meu desafio era fazer um trabalho nessa região, que eu concluí e, na sequência, segui para São Paulo”, relata Dias, que foi gerente geral de unidade no Grande ABC Paulista.

Contudo, mudanças estruturais ocorreram na Coop durante a passagem de Dias pela rede, envolvendo a troca de presidente e diretores do grupo, fazendo com que ele deixasse a operação após dois anos e seis meses de atividades. Depois de longos períodos de trabalho nos outros dois grupos supermercadistas, esse foi o menor espaço de tempo em que esse profissional esteve dedicado a uma rede.

Foco no resultado

Há seis anos, Dias assumiu a gerência de loja do Santa Gemma, unidade com seis checkouts e, aproximadamente, 750 metros quadrados – menor no comparativo com as outras redes em que já atuou. Mas não é porque é menor que os contratempos diários do estabelecimento também o são.

“Quando se trabalha em empresa grande, se eu preciso de um colaborador agora, é só mandar um e-mail e logo o recebo. Aqui não, tenho que entrevistar, treinar, entre outros aspectos. Então, é muito mais complexo. Se não for tudo bem administrado, acaba impactando em despesa para a empresa – e a companhia tem de estar saudável para pagar todas as contas e ainda fazer investimentos”, ressalta.

 FICHA TÉCNICA

Roberto Dias

  • NATURALIDADE: Vera Cruz (SP)
  • IDADE: 61 anos
  • ESCOLARIDADE: superior incompleto
  • CARREIRA: atua há 44 anos no setor supermercadista. Começou como repositor e, aos 22 anos, já era gerente de loja
  • TRABALHO ATUAL: gerente de loja do Supermercado Santa Gemma
  • FAMÍLIA: casado, duas filhas

Atualmente, na liderança de uma equipe com 60 colaboradores, Dias mantém o vigor em suas atividades, com expediente diário que varia de 10 a 12 horas, sempre inquieto e dedicado a oferecer o melhor ao supermercado. A preocupação dele também é a de fazer com que a equipe siga o mesmo raciocínio, em prol do sucesso do negócio.

“Eu brinco que, no dia em que a pessoa chegar à loja e achar que está tudo bem, tem de parar, porque está tudo errado. Será um sinal de que caímos em uma rotina, o que é grave. Eu procuro tirar todos os nossos colaboradores da zona de conforto, eles têm que buscar novos desafios, estar por dentro dos números da empresa”, salienta, mostrando a responsabilidade no trabalho.

Diariamente, ele reúne os colaboradores de liderança do supermercado e, antes de a loja abrir, trata dos desempenhos dos respectivos departamentos no dia anterior. “Se foi bem, parabéns, se foi ruim, tem que correr atrás para contornar a situação. Seja em margem, seja em vendas, seja em quebras, eu trabalho com o foco muito atento nisso. Poucos gerentes têm essa preocupação. Há gerentes que não sabem nem o que a loja vendeu no dia anterior”, exemplifica.

Tal estratégia de trabalho tem trazido frutos ao Santa Gemma, como o próprio gerente explica. “Enquanto muitas empresas estão obtendo resultados financeiros negativos, nós não podemos reclamar. Não está fácil, não podemos nos vangloriar, mas estamos investindo, crescendo”, revela.

Com essa longa bagagem no segmento, ele ressalta que as companhias devem prestar atenção aos movimentos de mercado, para atender ao shopper do modo que ele quer e, consequentemente, conquistar sucesso.

“Devemos estar atentos às mudanças de comportamento do cliente, isso não só o gerente, mas todos os que compõem a loja. É preciso saber onde se quer chegar, pois, certamente, quem fizer isso sairá na frente de muitas empresas grandes”, ensina.

O incansável profissional mostra que não há nada a temer quando se faz o que se gosta de verdade. “A partir do momento em que entrei para trabalhar no supermercado, percebi uma bela oportunidade de crescimento profissional. E eu me identifiquei muito”, destaca.

Questionado se já pensou em atuar em outro segmento, ele dá a resposta de forma direta, sem titubear. “Se tivesse que começar a trabalhar hoje, iniciaria por supermercados. É o que eu sei fazer, é o que eu gosto de fazer. Eu não tenho medo de enfrentar desafios”, afirma, com a mesma empolgação de um estudante na entrevista para a primeira oportunidade de emprego.

por Nathalie Gutierres


Veja também