Notícia 17:40 - 12 de agosto de 2020

Quando o assunto é o gerenciamento de categorias ou garantir melhores experiências para o shopper e resultados para os seus clientes do varejo, a CEO da Connect Shopper e ex-presidente do Mulheres no Varejo, Fatima Merlin, sem dúvida é lembrada. E foi por isso que a SuperVarejo quis saber, na live desta terça-feira: o que de fato vem mudando na vida do consumidor?

Para ela, a resposta não é tão simples assim, já que o Brasil é um país continental, repleto de diferentes acessos, hábitos, valores, questões culturais e, portanto, sem médias precisas. Mais o que dá para avaliar nesses cinco meses de pandemia é que já haviam situações que estavam inseridas no cotidiano. “O shopper sem dúvida está mais crítico, seletivo, exigente, conectado e preocupado com a saúde, mas isso já era uma realidade há anos, que ganhou maior projeção agora, em função do medo e dos riscos de contágio do coronavírus. A pandemia só acelerou e fortaleceu ainda mais isso tudo, fazendo com o shopper busque maior segurança, uma variável que antes não existia. Por isso, para os supermercadista fica a lição de repensar a loja, a praticidade, a fluidez e agora, a segurança, como a própria cartilha da APAS (Associação Paulista de Supermercados) defende”, explica.

Ela destacou, durante o bate-papo, que os supermercados a partir de agora precisam considerar que os hábitos do consumidor estão mudando e por tabela, as relevâncias das categorias em sua cesta também. “Há, por exemplo, uma busca maior pelos produtos naturais, vitaminas e suplementos, talvez como forma de garantir a imunidade. Então, independente do shopper, é preciso haver também mudanças de valores como seres humanos, quando se pensa em promoção ou nas ações que praticamos. Estas questões vão passar a fazer parte dos valores do shopper, na hora em que ele decidir fazer uma compra. Ele passou a reconhecer cada vez mais as marcas que estão contribuindo, de forma efetiva, para novas práticas sociais, sem causar risco ao ambiente”, esclarece.

E as mudanças não param por aí. Durante a live, Merlin esclareceu também que para haver tudo isso é preciso incorporar culturalmente o gerenciamento das categorias, uma vez que a pandemia quebrou o paradigma de que esse trabalho era apenas tático. Para ela, os varejistas passaram a entender que esse tipo de gerenciamento faz parte de um pilar estratégico, que merece ser considerado no curto prazo, com o varejo mudando o seu mix , repensando o espaço e a precificação, por exemplo. No médio prazo, analisando as categorias que estão ganhando mais relevância agora, e no longo prazo (de no máximo um ano), desenhar as estratégias, sinergia e categorias para os seus diferentes canais de venda.

“O shopper não entende que os canais de vendas concorram entre si, ao invés disso, ele acha que esses canais online e físicos se complementam e podem atendê-lo, conforme as suas necessidades e conveniência. Portanto, o varejo precisa compreender essa complementariedade, considerando o momento e a forma como o consumidor deseja, de maneira integrada e com diferentes opções de canais”, completa.

Confira a entrevista na íntegra:


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