Notícia 11:44 - 09 de novembro de 2020

Como estará a percepção do consumidor em dezembro? A questão sentimental, que é particularmente relevante no período, deve ganhar ainda mais importância em um fim de ano tão incomum. Isso sem falar na diminuição da renda em muitos lares. Descubra, a seguir, como esses fatos impactarão as decisões do shopper e de que forma se preparar para contemplar as novas necessidades do seu público.

Mesmo diante da dificuldade de se fazer previsões em meio a tantas incertezas, é fato que as emoções do consumidor nunca estiveram tão à flor da pele como em um período de pandemia mundial.  “Para pessoas com maiores recursos, o consumo pode ser uma forma de escape por conta de meses de reclusão e do processo lento de reabertura. Mas, para boa parte da população, a redução do auxílio emergencial fará diferença, representando uma ameaça em relação ao próprio futuro”, analisa o presidente-executivo da Forebrain, Billy Nascimento, doutor em neurofisiologia.

E tem mais: as situações de estresse prolongado vivenciadas na quarentena acabam prejudicando a tomada de decisões mais racional. “Foi o que vimos refletido nas compras desenfreadas de mantimentos e na produção de estoque em casa, no início da pandemia”, exemplifica Nascimento, acrescentando que o distanciamento social pode trazer consequências prejudiciais, como angústia, irritabilidade e tédio. “É para esse novo consumidor que as marcas precisam falar.”

Outro detalhe que o trade deve enxergar é que, na esteira do coronavírus, vieram as mudanças de estilo de vida e, com isso, muitos hábitos estão sendo substituídos. “Vindas de um mindset de individualismo, status e consumismo, nesse momento, as pessoas estão reavaliando prioridades. Elas tendem a valorizar mais a comunidade, a conectividade, a cooperação e o bem-estar, o que afeta a maneira como a população irá consumir durante e pós-surto.”

De acordo com o especialista, o shopper mudou a forma de fazer compras e até de comer. “Ele está mais consciente e ligado a questões relativas à saúde, à higiene e à segurança dos alimentos. Há uma demanda clara por mais transparência sobre a origem dos insumos e, portanto, os consumidores esperam que os varejistas façam o trabalho necessário.”

Nesse sentido, além de facilitar as compras e melhorar a comunicação no PDV, o varejo alimentar deve se ater à oportunidade de expansão para a estratégia online.

Novas lacunas de consumo

Pense bem: durante todo o ano de 2020, a população foi aconselhada a permanecer em isolamento, distante das pessoas mais queridas. Com isso, o desejo de presentear e reforçar vínculos, no Natal, poderá se intensificar. Mas será que, diante da alta de desemprego e dos entraves econômicos do momento, querer é poder?

Muito tem se falado sobre o aumento no consumo de produtos e ingredientes para cozinhar em casa durante a pandemia. “Se, por um lado, as pessoas vão sair menos para comemorar em restaurantes, as famílias provavelmente vão se reunir no Natal, mas não com a grande quantidade de convidados de antes”, acredita o coordenador do MBA de Gestão de Varejo da FGV, Ulysses Reis.

Seguindo essa linha de raciocínio, o especialista sugere que os supermercados invistam em kits com ceias para famílias de duas a quatro pessoas, mas também considerem o fato de que muitas empresas não irão realizar os famosos encontros de fim de ano e isso também deve abrir novas oportunidades. “Acho que a venda de Natal vai crescer este ano para os supermercados, principalmente na categoria de alimentos.”

Pensando no distanciamento social e no envio de presentes para parentes e amigos distantes, oferecer mensagens personalizadas, que cumpram a função de homenagear pessoas queridas, também pode ser um diferencial.

Outra tendência apontada por Reis, em que vale a pena ficar de olho, é a de produtos para casa, bricolagem e DIY (sigla em inglês para Do It Yourself ou Faça Você Mesmo), que cresceram muito em vendas nesses últimos meses. “Por incrível que pareça, pode até ser que neste Natal os consumidores invistam nesses produtos para casa e conserto. Supermercados podem oferecer um kit com enfeites natalinos para fazer por conta própria, por exemplo”, sugere.

Black Friday é o novo Natal

Vale a pena refletir, ainda, sobre o impacto da Black Friday na estratégia. “A partir de 2018, aqueles preços majorados típicos que haviam no Natal começaram a reduzir, porque as pessoas adquiriram o hábito de comprar os seus presentes já na Black Friday”, explica Reis.

Foi aí que a média de três presentes caiu para dois por cliente. Segundo Reis, a Black Friday deve surpreender este ano, principalmente nas compras feitas pela internet. “Na categoria de eletroeletrônicos, acho que os supermercados devem sofrer uma pequena redução de vendas natalinas em função da Black Friday. Para comprar esse tipo de produto, as pessoas também esperam as grandes liquidações do início de janeiro.”


Imagem de capa: iStock


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