Notícia 18:35 - 05 de maio de 2021

Imagine em pleno ano de 2021 se alguém dissesse para um homem que ele é obrigado a trabalhar com roupas mais afeminadas se quiser ser respeitado pelos colegas de trabalho ou que ele será muito provavelmente demitido se decidir ser pai? Pode parecer estranho quando os papéis se invertem, mas é exatamente isso que as mulheres ainda passam no mundo corporativo, e principalmente no varejo, quando decidem galgar uma carreira de sucesso ou de liderança.

De acordo com a convidada da entrevista desta terça-feira (dia 4), Sandra Takata, sócia da Core Group Marketing e Comunicação e vice-presidente de Comunicação e Relações Institucionais do Mulheres do Varejo, pesquisas indicam que ainda precisaríamos de pelo menos 250 anos até que houvesse uma equidade de direitos entre homens e mulheres no Brasil.

“Sabemos que 80% dos shoppers do varejo são mulheres, responsáveis pelas compras e decisões de consumo, mas quando verificamos quantas delas estão, por exemplo, nos cargos de CEO, esse número diminui drasticamente para duas vagas em média. Ou seja, a direção das maiores indústrias de calçados femininos são compostas por homens que decidem o que elas vão calçar, isso sem se contar os assédios, o acúmulo da tripla função (cuidar do trabalho, da família e da casa) ou daquelas que são as provedoras dos lares e, nesta pandemia, tiveram que escolher entre trabalhar ou cuidar dos filhos. As empresas, principalmente varejistas, ainda não sabem lidar com a diversidade, nem enxergar o quanto ela também é rentável”, relata Sandra.

É por isso que o instituto Mulheres do Varejo, composto por 300 executivas voluntárias, vem trazendo cada vez mais essas pautas para as rodas de discussão nas empresas e na sociedade. “Não é fácil essa quebra de paradigmas. Queremos trazer os homens para a pauta para que eles saibam, por exemplo, que não se trata de ‘ajudar a mulher em casa’ mas sim de dividir as tarefas. Em breve lançaremos no mercado todo um programa de mudança de mindset para ajudarmos a levar mais equilíbrio para as empresas e a sociedade e possamos saber como fazer isso. É um problema enraizado? Cultural? Então como educar as próximas gerações e acabar com essas diferenças? Tudo isso pretendemos debater e propor soluções”, destaca Sandra.

Além disso, o instituto lançou recentemente o livro Mulheres do Varejo, que conta as histórias de 50 mulheres de sucesso, inspiradoras, que não tiverem em quem se espelhar. “O livro leva à discussão mais profunda e faz todo mundo ficar atento. Trata-se de uma inspiração para as próximas gerações, portanto, um movimento de transformação. Afinal, todo mundo tem mãe, alguns filhas, e é preciso educar o mercado para essa geração que está chegando cada vez mais feroz”, deixa a dica.

 


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